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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Um Desastre de Artista (2017) - o amor ao Cinema, e a amizade

Sinopse: Tommy Wiseau (James Franco) e Greg Sestero (Dave Franco) têm um sonho: ser estrelas de cinema. Mas como Hollywood passa a vida a dizer-lhes não, Tommy decide criar o seu próprio filme. Ele escreve, dirige e produz The Room, aquele que é conhecido como o melhor pior filme de sempre. O filme de tão péssimo torna-se num culto mundial. Esta é a sua história. 

 

 

Vamos contextualizar: Um Desastre de Artista é baseado numa história verídica. Conta a história de como é que foi produzido e filmado The Room, um filme terrível mais incrivelmente cómico. É baseado no livro The Disaster Artist: My Life Inside The Room, de Greg Sestero e Tom Bissell. Sestero (um dos protagonistas de The Room) conta como é que Wiseau, este homem misterioso e extremamente rico e (quase de certeza) estrangeiro achava que ia criar um drama americano clássico. 

 

O que acabou por acontecer foi que o seu filme era tão mau que se tornou numa comédia. Custou seis milhões de dólares a produzir (diz-se) e teve 1.800 dólares de receita. Mas nos últimos 14 anos tem esgotado sessões de meia-noite em todo num mundo, numa experiência cinematográfica fora de série (que podem ficar a conhecer melhor aqui).

 

Agora que já estão contextualizados, vamos esclarecer uma coisa: Um Desastre de Artista não é sobre um filme mau. É, na verdade, uma ode ao amor que um homem tem ao Cinema, e à amizade entre duas pessoas que partilhavam um sonho. E que fizeram de tudo para que se concretizasse. 

 

É inevitável que este filme não seja uma comédia. Só o olhar para a interpretação de James Franco nos faz rir, porque consegue ficar totalmente impávido e sereno durante todo o filme. A sua expressão é a mesma de Wiseau - inexistente. E as suas atitudes, claro, são tão aleatórias e sem sentido que nos causam um divertimento desmedido. 

 

Só que James Franco (que além de protagonizar realizou o filme) quis contar uma história além da comédia. Quis mostrar como um homem sem medo da opinião dos outros conseguiu, com determinação e trabalho, estrear um filme. Quis mostrar como é que a amizade nos pode ajudar a chegar mais longe. 

 

Porque não há dúvida de que Greg Sestero, para aguentar tudo o que Wiseau tinha na cabeça, tinha de ser mesmo seu amigo. 

 

Todo o fenómeno à volta de The Room pega em como é que um filme que supostamente devia ser dramático, e mau, conseguiu atingir estas proporções. O que vemos em Um Desastre de Artista é uma outra perspetiva, não só sobre a produção em si, mas também sobre quem é Tommy Wiseau. 

 

Se bem que ninguém sabe. Nem mesmo Sestero (ou pelo menos não nos conta). Ninguém sabe de onde vem, que idade tem, ou onde é que foi buscar os seis milhões de dólares que todos dizem que gastou no filme. 

 

James Franco também não nos conta nada disso. Antes nos mostra o homem por detrás da loucura e excentricidade. 

 

James Franco realizou Um Desastre de Artista dentro da personagem. Queria que os atores sentissem a loucura que se tinha vivido durante as gravações de The Room.

 

Sempre de uma forma extraordinária. O seu desempenho vai além do estar fisicamente parecido a Wiseau. Ele conseguiu captar a sua expressão e forma de estar, tom de voz até, e muito do seu espírito. Ver os dois lado a lado é surreal. 

 

Nota-se que esteve muito envolvido na produção, na forma como a história é tratada com amor e amizade. Há um toque de loucura mas de humanidade muito interessante - o que pode ter sido intensificado por ter permanecido em personagem mesmo fora da câmara, enquanto realizava o filme. 

 

Ao lado do irmão, Dave Franco cria a química que a relação entre Wiseau e Sestero pede. Ele tem a inocência, o amor estranho e fraterno, e uma vontade enorme de seguir esta pessoa estranha, sem sequer perceber porquê. Mas convence-nos. 

 

Todos nos convencem - porque o elenco está improvavelmente repleto de estrelas que fazem um trabalho tão pequeno, e ao mesmo tempo tão importante. Tudo nos convence. É uma comédia sem o ser, é um drama humano sem sequer parecer. E mesmo tentando ser isso tudo nunca perde o foco, nem o equilíbrio.

 

 

Torna-se natural que Um Desastre de Artista se tenha tornado uma surpresa tão grande no final de 2017. Quem é que esperava que um filme sobre algo tão horrível pudesse ser tão bom?

 

Mais do que bom, é espectacular. É mágico, como já tenho lido, e é uma verdadeira ode aqueles que lutam pelos seus sonhos. 

 

Não só entre os antigos fãs de The Room, Um Desastre de Artista tem conseguido arrancar sorrisos e elogios porque nos consegue tocar no coração, tal como Wiseau queria fazer com a sua criação.

 

Ele pode não ter conseguido - pelo menos da forma que pensava - mas James Franco e a sua equipa conseguiram. Trouxeram-nos um filme pensado ao detalhe, feito com amor e muito fiel à realidade.

 

Tudo isso passa cá para fora, e tudo isso faz a diferença.

 

You’re tearing us apart, Franco! Mas ainda bem. 

 

****,5

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