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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

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The Politician - Uma série de política para teenagers

16.10.19 | Maria Juana

Disclaimer: esta é uma série de Ryan Murphy. Isso significa que os seus acontecimento vão ser exagerados, que existe uma forte possibilidade de alguém começar a cantar e que vão acontecer coisas que simplesmente não acontecem na vida real.

Disclaimer número 2: na maior parte das vezes, isso é o que faz uma série do Ryan Murphy tão interessante.

Se têm vivido debaixo de uma pedra nas últimas semanas ou não têm uma subscrição Netflix que vos envia emails todos os dias com as novas séries disponíveis, é possível que The Politician vos tenha passado ao lado. Também é possível que não tenham dado conta da sua estreia se preferem aqueles dramas bem pesados estilo Mindhunter, ou as séries de que toda a gente fala e gosta.

Eu só dei conta da sua existência graças a uma story de Instagram.

Não há mal nenhum nisso, mas aqui estou eu a dar-vos conta de que existe, dizendo já à cabeça que existem séries melhores e mais interessantes. Mas precisamos de diversidade, não é?

Sobretudo no clima em que vivemos, em que os resultados às eleições são questionados, em que circulam petições para retirar do Parlamento representantes eleitos e nos Estados Unidos começa mais uma corrida à Casa Branca em clima de tensão, The Politician chega para nos mostrar que isto da política é muito mais simples do que parece. É, na maioria dos casos, uma corrida ao poder, e ao poder apenas.

 

The Politician conta-nos a história de Payton Hobart (Ben Platt), um jovem norte-americano que toda a sua vida sonhou ser Presidente dos Estados Unidos. Para isso, estudou e seguiu os passos de todos aqueles que se tornaram presidentes religiosamente, incluindo candidatando-se à Universidade de Harvard e ao cargo de Presidente da Associações de Estudantes no seu último ano de ensino secundário. A série debruça-se sobre esta eleição, mostrando de forma leve e pouco complicada como é que funcionam as campanhas eleitorais nos EUA e o que muitos candidatos passam para conseguir chegar à vitória.

Posto assim, é quase um política para totós, um suporte para os jovens compreenderem de uma vez por todas como é que isto funciona.

Naturalmente que The Politician não é a primeira ou única série que o tenta fazer. Grande parte do sucesso de House of Cards foi essa sua capacidade de demonstrar realmente o que era necessário para ser Presidente. Não faltam tramas que descrevem todos os passos de campanha, todos os pormenores a que tomar atenção e as lutas e debates individuais pelos quais os candidatos e as suas equipas passam.

Só que The Politician é teen. E sendo teen, leva-nos também numa viagem à cabeça dos jovens eleitores que se estão a cagar para tudo isso e não compreendem a importância de um pequeno voto.

Vivemos num mundo complicado. Enquanto que uma parte da população luta todos os dias por um mundo melhor, mais amigo do ambiente, tolerante e aberto, a outra metade persiste em acreditar e pregar valores que pensávamos terem ficado destruídos no final da Segunda Guerra Mundial. Repleto de dicotomias e lugares cinzentos, este não é o mundo que idealizámos enquanto crescíamos, em paz e sossego.

Se bem que The Politician não entra tão profundamente no tema, não deixa de ser fruto desta incerteza e perda de deslumbramento. Hobart e a sua equipa eleitoral podem ter escolhas muito bem definidas, mas é claro que ao longo da história vemos como as suas crenças são abaladas, como as ideias daqueles que os rodeiam são tão diferentes, como estes jovens, que antes eram o futuro da nação, agora não querem saber porque tudo é demasiado complicado e demasiado impessoal para o seu gosto. E isso não é OK.

De uma forma muito descomplicada, esta é uma série que encontra em vários tópicos quase um reflexo de todos os estereótipos, todos os males que criamos na nossa cabeça, todas as incertezas que surgem quando enfrentamos uma decisão. E claro, tem o seu quê de romantismo e fantasia, como grande parte (se não todas) as coisas a que Ryan Murphy põe a mão.

Entre atores jovens e outros consagrados (não há como não adorar Jessica Lange e Gwyneth Paltrow, vá lá!), temos artistas da Broadway, televisão e cinema. Há pluralidade, o que só contribui para o dramatismo e exagero que toda a série tem, de alguma forma.

E não vale muito a pena entrarmos em grandes pormenores técnicos, porque apesar de entrarmos num ritmo e ambiente muito certos em cada um dos episódios (um deles realizado por Helen Hunt, curiosamente), é comum a tantos outros.

Como a série de uma forma geral, na verdade. Por muito que queira tentar dizer que não, The Politician não é a última bolacha do pacote. É mais uma série romanceada e fantasiada, mas que de alguma forma nos dá um pequeno vislumbre de uma sociedade mais focada na campanha política do que nas consequências e uma eleição para quem vota e fica deste lado. Chama a atenção pela estética, mantém-nos focados no romance e deixa-nos um pequeno desconforto quando vemos que os políticos são todos iguais.

O que há de novo, na verdade?

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