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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

#TBT Legalmente Loira, os 18 anos de Elle Woods

25.07.19 | Maria Juana

Quando é que pensaram pela última vez no Legalmente Loira - aquele filme com a Reese Witherspoon em que a protagonista mais parece uma barbie da vida real, mas na verdade está a tirar o curso de Direito em Harvard e a ganhar casos importantes? Provavelmente, desde a última vez que deu na TV. É daqueles filmes domingueiros, que apanhamos de vez em quando a dar e ficamos a ver pela piada.

É que já tem 18 anos. Estreou em junho de 2001, precisamente num verão louco que Elle Woods, a sua protagonista, ia adorar passar na praia ou na piscina.

Para a grande maioria, Legalmente Loira é apenas isso: uma comédia domingueira sobre uma miúda loira que tem piada. Sabem, é daquelas a que não damos muita importância e que vemos porque está a passar pela enésima vez e sabemos que gostamos e não há mais nada para fazer.

Provavelmente, essa maioria não sabe que o filme arrecadou 114 milhões de dólares na bilheteira internacional e foi nomeado para 2 Globos de Ouro. Também poderão não se recordar que além da sequela de 2003, o filme gerou um spin-off lançado em 2009, um musical na Broadway e um programa na MTV.

Para essa maioria, Legalmente Loira também não tem a importância que tem para os que ainda hoje guardam o filme no coração. Não passa de uma comédia? Digam isso à terceira parte que está confirmada para 2020.

 

Mas o que é que Legalmente Loira tem?

Em primeiro lugar, tem piada e permite-nos passar um bom bocado.

Por muito que este texto queira daqui a nada ir para um tom mais sério e político, um dos primeiros encantos deste filme é Elle  Woods, esta miúda como tantas outras que gosta de moda e beleza. E como tantas outras, está na faculdade, em busca da sua identidade.

Elle pertence a uma república e está apaixonada. É a improvável heroína, porque olhando para ela, com o seu cão a tiracolo e outfit cor-de-rosa, nunca ninguém iria imaginar que teria algo de serio para dizer. À sua volta são tantas as peripécias e desventuras que está criado o ambiente ideal para uma comédia.

Legalmente Loira é, e será sempre, em primeiro lugar uma comédia romântica que não é extraordinária. Está bem pensada, tem um argumento inteligente, mas nada mais do as 3 estrelas que um filme tão simples como este acaba por conseguir da crítica.

Ainda assim, ficou na memória e teve tanto sucesso porque não é a comédia romântica típica em que rapaz conhece rapariga, rapaz conquista rapariga e viveram felizes para sempre.

Elle quer quebrar barreiras e estereótipos.

Quando todos viam uma miúda loira e sem miolos, ela mostra inteligência e perspicácia; quando todos acham que moda é superficial, ela recorda como isso não significa que não possa ter importância.

O sucesso de Legalmente Loira vem muito desta mensagem de luta pelos objetivos face às adversidades, esta constante vontade de ir contra as expectativas e mostrar que aquilo que pensamos de uma pessoa nem sempre é real. Não faltam histórias ou provas em como isto acontece a toda a hora e nós, mulheres, somos muitas vezes as suas principais vítimas. Mas Elle Woods fê-lo de forma tão direta e simples que a mensagem ficou.

Este foi o filme que catapultou Reese Witherspoon para a fama. Wihterspoon, que hoje é uma das  atrizes que mais força tem feito para criar histórias e interpretações de mulheres fortes e capacitadas (Big Little Lies, a serie que produz e protagoniza, é um ótimo exemplo disso mesmo), referiu na altura que a mensagem de Elle foi um dos principais motivos para ter aceite o papel. Nesta sua demanda de procurar papéis relevantes e que fugissem ao normal, encontrou uma personagem feminina que mostra exatamente aquilo pelo qual todas devemos lutar: iguais oportunidades, independentemente da cor que escolhemos para a roupa.

Claro que muitos dos comportamentos de Elle e daquelas que a rodeiam são estereotipados: ela é a típica loira que vive fascinada por moda; as inteligentes são as chatas que só se vestem de cinza e não arranjam o cabelo. Se por um lado é muito daí que vem o lado cómico de Legalmente Loira, por outro é também a verdadeira origem da sua mensagem de poder feminino.

 

O que sabemos de Legalmente Loira 3?

Apesar da sequela não ter tido o mesmo sucesso que o filme original, o seu espírito não esmoreceu. Nela voltámos a encontrar uma Elle Woods fiel a si mesma, cheia de poder feminino e muita vontade de vencer quando todos julgam que não tem o que é preciso.

O terceiro filme chega 17 anos depois do original. As mulheres de há 17 anos devem ter pensado que este era um filme fixe para começar a desbravar caminho, mas a verdade é que nunca foi tão importante ter histórias de mulheres a quebrar barreiras quanto agora. Continuamos a precisar de mulheres fortes, mesmo que utilizem os seus conhecimentos de beleza para ganhar argumentos.

Pouco se sabe ainda sobre o filme. Reese confirmou há pouco tempo que estava em desenvolvimento e que as co-argumentistas dos 2 primeiros, Kristen Smith e Karen McCullah, vão voltar a escrever a história. A estreia já está marcada para 14 de fevereiro de 2020.

No meio de tudo isto, o mais incrível é como é que uma comédia romântica chega a este ponto. Normalmente assumimos que este tipo de filme não passa do primeiro nem tem grande capacidade de permanecer com o público. Mas Legalmente Loira tem um tal empowerment feminino que ainda hoje se fala nele.

E ainda bem, porque adoro a Elle Woods e mal posso esperar por vê-la novamente no grande ecrã.

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