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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

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Star Wars: The Rise of Skywalker (2019) – Uma dissertação sobre o fim da trilogia, sem spoilers

19.12.19 | Maria Juana

É isto. Chegou ao fim. É o terceiro episódio da terceira trilogia, a saga Skywalker acabou. Foram 9 filmes. The Rise of Skywalker marca o fim.

Mas não sejamos tão melodramáticos. O universo de Star Wars, se bem que numa galáxia muito, muito distante, tem o dom de estar presente em tantos meios e tantos formatos que é impossível ganhar saudades. Só que Skywalker é Skywalker, Luke é Luke e a mística das personagens e storyline originais são intemporais.

O que J.J. Abrams começou em 2015 com o Despertar da Força foi um renovar da mística. Li algures pela internet que enquanto cineasta ele é capaz de ser aquele que, da sua geração, mais bebeu dos mestres como George Lucas e Steven Spielberg e consegue encontrar nas duas histórias aquela dualidade entre o comercialismo de um filme e a sua assinatura e prazer nas histórias que cria. Introduzir esta nova trilogia ao mundo não há-de ter sido um trabalho fácil, mas que passou com distinção ao encontrar um caminho que nos transporta de volta às cenas de dinâmicas que apaixonaram os fãs nos anos 80.

The Rise of Skywalker marca também o regresso de Abrams ao leme, depois de Rian Johnson ter assumido a cadeira de realizador e argumentista em Os Últimos Jedi (2017). Se bem que de uma forma diferente, Johnson conseguiu criar uma identidade muito própria da qual Abrams teve agora de beber, com uma leveza e continuidade conseguida e certeira.

O que acabou de acontecer nos parágrafos anteriores foi a utilização de expressões e frases caras para falar de um filme que, na minha humilde opinião, não as precisa. Se bem que acredito em tudo o que escrevi em cima e reitero em qualquer situação, Star Wars não foi feito para que os escribas as opiniões dissertassem sobre os seus aspetos técnicos e contínuos – ou pelo menos não é assim que o vejo.

Star Wars foi feito para contar uma história de amizade, esperança, guerra e paz. Esta última trilogia reencontra esse espírito, tornando-se uma história de amor entre os fãs e a história original. Foi feita por fãs, para fãs, e o que The Rise Skywalker consegue é encerrar este momento com uma poesia e homenagem ao original que a todos nos deixam satisfeitos.

Rey, Finn e Poe continuam numa cruzada que parece infrutífera desde o início. Mesmo com os (nossos) companheiros de sempre com eles, a esperança, que sempre com o beacon desta história, parece estar a acabar e fica muito próximo do fim até a encontrarmos de novo.

O trio é a personificação de Star Wars: entre a mística do que é a Força, dos laços de sangue e dos destinos que reservam, é na amizade e na sua união que os grandes esforços reservam. Se Os Últimos Jedi nos mostrou que o poder do povo é igualmente importante, The Rise of Skywalker junta os dois conceitos tornando-os igualmente importantes na luta da Resistência. Enquanto Kylo Ren permanece como o vilão que não sabemos bem se é, a antítese anti-herói que não sabemos gostar ou não.

O que sempre foi muito criticado nesta nova trilogia foi que as suas semelhanças com o passado tornam cada argumento pouco criativo, pouco ambicioso e cada enredo uma repetição de fórmulas e estereótipos que foram sendo criados em volta de Star Wars.

O problema destas críticas não é o seu conteúdo, é antes o endeusamento que foi feito de Star Wars, como se tivessem sido sempre filmes altamente espetaculares e incríveis. Não me interpretem mal, são; mas são em contexto para uma época em que os filmes de ficção científica ainda eram muito técnicos e pouco emocionais. O que George Lucas criou foi uma história que consegue ser ambos, aliada a tecnologias e técnicas de cinema pouco aplicadas na época. Se formos rever com atenção os filmes originais, têm muitos dos problemas que hoje apontamos à terceira trilogia.

O que Abrams fez foi transportar essa dualidade de conceitos e trouxe-o para o mundo moderno, onde somos mais exigentes e queremos sempre mais e melhor. Mas isso é sobretudo um problema nosso, não é?

Se The Rise of Skywalker parece caótico ou demasiado confuso é porque a história sempre foi meio caótica e confusa e esta não deixa de ser a conclusão de algo mítico; é preciso ter a certeza que nada fica de fora. Ainda assim, consegue ter a delicadeza necessária para que o espirito de Carrie Fisher esteja presente, que Han Solo não seja esquecido e que Luke continue a sero Jedi dos Jedi.

Quero deixar aqui escrito que não consigo fazer uma crítica como deve ser a um filme de Star Wars porque: 1. Não consigo vê-los como filmes individuais. São parte de uma história tão intrinsecamente ligada em cada altura, com uma identidade tão vincada, que não há como o conseguir; 2. Há sempre esta minha perceção de que não vale a pena. Star Wars é para passar um ótimo tempo com amigos, com família ou com quem quer que goste; 3. Que palavras há para descrever filmes com tantas camadas?

O que acaba por acontecer é que termino cada texto a sentir que escrevi uma carta de amor entre mim e filmes que já descobri tarde. Mais vale tarde do que nunca, não é?

Como em qualquer final de uma saga, entrar na sala de cinema e saber que (por agora, pelo menos) este será o último episódio tem um gosto agridoce na boca, sejamos novos, velhos, fãs ou amantes ocasionais. Vermos as letras passar no ecrã retira momentaneamente essa sensação, preparando-nos para duas horas e meia de emoções que sabemos que serão fortes.

Mas não deixa de ser reconfortante a poesia que vemos acontecer à nossa frente. The Rise of Skywalker é uma homenagem à história de Lucas e aos atores e personagens que aprendemos a adorar como referência. É o episódio IX, em perfeita sintonia com o episódio I. É Star Wars.

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