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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Os Vingadores: Guerra do Infinito (2018), ou como encaixar todos os super-heróis num filme

Sinopse: Os Vingadores podem ter-se separado, mas têm de pôr as diferenças de lado, desta vez para salvar todo o Universo. Thanos (Josh Brolin) é uma ameaça cada vez mais presente, e cabe aos super-heróis estarem dispostos a sacrificar tudo para que o vilão não consiga recolher todas as Infinity Stones. Conseguirão?

 

 

Corria o ano de 2008 quando estreava nas salas de cinema um filme sobre uma figura improvável, com um ator improvável. Ele é Robert Downey Jr, um ator quase esquecido que interpreta pela primeira vez o Homem de Ferro – um milionário mimado que se torna super-herói quando quase perde a vida.

 

O sucesso foi instantâneo. Tanto a história de Homem de Ferro como a interpretação de Downey Jr vieram reavivar o amor aos filmes de ação de super-heróis, e deram inicio ao império Marvel com hoje o conhecemos. 

 

Oito anos, 40 mil filmes e não sei quantos super-heróis depois, estamos a testemunhar o pináculo deste império. Para aqueles que acharam que Capitão América: Guerra Civil era uma reunião do caraças, é porque não previam Guerra do Infinito nas suas vidas – porque estão lá todos.

 

Ao início achei que seria uma salganhada demasiado perigosa para correr bem. Juntar todos os super-heróis Marvel num filme e esperar que seja coeso e que tenha um pingo de sentido é complicado de conseguir – não por falta de talento dos argumentistas, mas porque são demasiadas personagens fortes, dignas de protagonismo e de atenção.

 

 

O que foi muito bem conseguido neste Guerra do Infinito é que o protagonista não é nenhum dos Vingadores, mas sim Thanos. É o vilão que rouba a nossa atenção, que se torna o nosso foco, não porque é vilão mas porque a sua presença é muito marcante. Já tivemos vários ótimos vilões no universo Marvel (Ultron, o derradeiro Loki, Killmonger, de Pantera Negra – e o meu preferido), mas nenhum que fosse tão protagonista quantoThanos.

 

Temos ouvido falar dele há vários filmes, em vários universos diferentes. Se bem que a sua presença tem sido mais forte em Guardiões da Galáxia, é uma ameaça é global e faz sentido que ganhe mais protagonismo do que o habitual. Mas além disso, Thanos é um vilão tão bem construído, tão intenso, que quase nos faz ficar divididos entre o odiá-lo e ficar com um pequeno peso na consciência por causa dele. É daqueles casos raros em que vemos um vilão a acreditar que está a fazer o bem pela comunidade e não apenas por si, e apresenta tão em os seus argumentos que quase convence. 

 

Dito isto, considero que Thanos é uma das grandes vitórias neste Guerra do Infinito. Apesar de ter uma presença física menor do que o que seria esperado de uma personagem tão premente, está constantetemente na nossa cabeça.

 

Ao contrário dos nossos heróis, cuja presença ficou muito dividida. Anthony e Joe Russo, enquanto realizadores, tinham um papel muito dificil: conseguir gerir o tempo de antena de cada um deles. Mas fizeram-no muito bem, conseguindo criar um equilibrío entre os vários cenários que fazia sentido. Esta guerra é travada em várias frentes, em vários cenários, e é muito bom ver que esta dupla conseguiu criar momentos-chave importantes que não fizessem sentir que estavamos a perder alguma coisa. Todos têm a presença que as suas personagens pedem e encaixam muito bem uns com os outros. 

 

 

Além disso, temos também o equilíbrio perfeito entre ação, comédia e heroísmo – o que a meu ver tem sido um dos pontos fortes dos últimos filmes Marvel. Apesar deste ter um feeling muito mais negro do que os seus antecessores, é bom ver que os irmãos Russo conseguiram seguir com o trabalho que tem sido criado por outros realizadores, como Ryan Coogler em Pantera Negra e Taika Waititi em Thor: Ragnarok. Sobretudo Waititi deu uma pequena reviravolta na foma como Thor se comporta e se vê, e conseguimos ver isso mesmo aqui.

 

Mas isso sempre foi uma vantagem dos filmes Marvel, face à tentativa da DC: a Marvel tem estado a construir personagens e linhas históricas há 10 anos; deu-nos tempo para nos habituarmos às dinâmicas, aos seus comportamentos e afins. É por isso que nos faz sentido chegarmos a Guerra do Infinito e percebermos porque é que as coisas acontecem desta forma, ou que não nos pareça descabido que um vilão possa ter mais protagonismo do que os heróis. Já sabemos os seus lugares, as suas motivações e valores; não temos de descobrir porque é que um herói faz sentido numa frente e outro noutra porque já os conhecemos de trás para a frente. Eles só têm de aparecer.

 

Também é por isso que já temos uma certa expectativa, que raramente não é correspondida. Quando entramos num filme Marvel sabemos que vamos ver um filme de super-heróis competente, com um argumento aceitável e cenas bem filmadas. Sabemos que teremos ação, emoção, humor e tantas outras emoções.

 

É bom sermos surpreendidos de vez em quando, e isso acontece quase sempre.

 

Ao longo destes 10 anos, tenho ficado cansada desta fórmula. Deixei de encontrar encanto ou valor nos novos filmes, porque pareciam sempre iguais. A tendência tem sido para melhorar – primeiro com Guardiões da Galáxia e Doutor Estranho, que foi uma agradável surpresa, e depois com Thor:Ragnarok e Pantera Negra. Parece que tinhamos voltado aquele tempo em que um novo filme Marvel significa uma aventura nova, dentro de um filme mais do que competente.

 

Guerra do Infinito seguiu essa tendência, e voltou a dar-me esperança  de que esta amalgama de super-heróis até pode dar certo quando sabemos onde focar.

 

Agora chega logo, Captain Marvel, que estou ansiosamente à espera.

 

 

Veredicto final: Vingadores: Guerra do Infinito é um filme competente que nos entrega aquilo de que estamos à espera. Traz-nos de volta o bom da Marvel, com um foco certeiro num vilão potente e muito interessante, e que nos consegue fazer rir, agarrar a cadeira e espantar-nos em apenas duas horas. ***

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