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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Missão Impossível: Fallout – É assim tão fixe?

Sinopse: Ethan Hunt (Tom Cruise) não tem descanso. 2 anos depois de ter capturado Solomon Lane (Sean Harris), uma nova missão surge para deitar abaixo o restante da sua organização terrorista. Caso decida aceitá-la, Hunt terá as suas boas intenções postas à prova, enquanto a sua equipa faz os possíveis e impossíveis para salvar o mundo, mais uma vez.

 

  

Disclaimer: eu devo ser das poucas pessoas que não gosta dos filmes de Missão Impossível. Faz-me confusão como é que (agora) seis filmes podem ter exatamente o mesmo plot, seguir as mesmas premissas e chegar sempre às mesmas conclusões. São todos iguais!

 

Além disso tenho um ódio de estimação por Tom Cruise. Faz-me espécie como é que um ator com algum potencial deixa-se levar por personagens tão básicas como esta – mesmo que seja ele a fazer todas as stunts físicas. Isso é o menos.

 

Ainda assim, escolhi Fallout para marcar o meu regresso às salas de cinema. Não só porque o meu namorado quase me obrigou, mas também porque um pouco por todo o mundo a crítica tem feito largos elogios a este filme. Está a ser considerado o grande filme do verão, e um dos filmes de ação a não perder de 2018. Para Missão Impossível, é dizer muito.

 

Fallout começa, como sempre, com uma nova missão. Há uma nova ameaça, e parece que a equipa de Hunt é a única com poder e capacidade para a concretizar. Ele é o salvador do mundo, o único que nos pode libertar das garras dos vilões. E claro que ele decide aceitá-la.

 

Será que Ethan vai cair? Será? 

 

A partir daí, são as mesmas explosões, os mesmos tiros e perseguições de carros em cidades europeias que temos visto há 20 anos. São os mesmos plot twists, as mesmas motivações, a mesma tensão de sempre.

 

O que Fallout pode ter de novo é um argumento bem escrito e equilibrado, e uma direção mais empenhada em bons momentos de tensão e conclusão. Apesar da ação ser rápida e ter um ritmo constante ao longo do filme, a verdade é que o argumento está tão bem construído que nunca nos sentimos constrangidos ou limitados pelos longos segmentos de ação que existem. Temos tempo para respirar, para assimilar o que aconteceu e partimos para outra quando estamos prontos.

 

Os próprios momentos de tensão não são o típico tique taque do relógio, ou close ups exagerados que nos cortam a respiração de tão perto que estamos da cara de alguém. Atenção, esses momentos existem, mas são pontuados também por novas formas de suspense, novos planos e estratégias que nos levam a agarrar a cadeira, mesmo sabendo que no final tudo vai ficar bem.

 

No fundo, Fallout é um filme de ação que entrega aquilo que promete. É mais uma Missão Impossível mas 2.0, em que as fórmulas de ontem dão um passo à frente e permitem-nos, sobretudo, respirar.

 

Não significa que não tenha os mesmos problemas que os anteriores; continua a irritar-me que consiga adivinhar o final do filme ainda antes de saber qual é a missão. No entanto é bom saber que Christopher McQuarrie, o primeiro a repetir o papel de realizador na saga, quer dar-nos algo mais.

 

Um filme de ação é sempre um filme de ação, mas aquilo que McQuarrie tem tentado fazer é dar-nos uma ação estruturada e bem pensada, o que agradeço.

 

Henry Cavill (e o seu bigode) e Angela Basset estreiam-se em Missão Impossível. 

 

É claro que continua a existir um elenco de suporte importante para que continue a fazer sentido trazer de volta a equipa do IMF. Ving Rhames e principalmente Simon Pegg são lufadas de ar fresco, mesmo seguindo os padrões daquilo que são os sidekicks do género. Angela Basset, que se estreia neste Fallout, também demonstrou toda a sua classe e é bom este tipo de mudanças. Até Henry Cavill, mesmo com um bigode envolto em polémica, conseguiu proporcionar momentos interessantes. 

 

No final, Fallout é apenas mais um filme de Missão Impossível. Apesar de reconhecer valor e de perceber que este não é apenas mais um filme de ação, continuo sem conseguir adorar o formato. Era giro há 20 anos atrás, agora precisamos de algo mais. Precisamos de erros, de missões realmente impossíveis, de momentos de verdadeira tensão.

 

Sim, eu sei que querem continuar a ver o Ethan Hunt a fazer acobracias espetaculares em aviões e helicópteros, mas será que já não chega? Já não estamos preparados para que o plot siga a mesma direção que o restantes?

 

É que eu estou.

 

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