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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Eu, Tonya (2017) – Eu, uma fã de filmes bem feitos

Sinopse: Em 1994, Tonya Harding (Margot Robbie) era uma estrela da patinagem no gelo. Estava prestes a ir aos Jogos Olímpicos de Inverno quando surgem rumores de que tenha mandado agredir Nancy Kerrigan, uma das suas maiores adversárias. A sua carreira fica em risco, e toda a sua vida também – mas a culpa não foi dela.

 

 

Eu, Tonya tem sido conhecido por vários nomes. Aquele Filme em que a Margot Robbie Está Feia, O Apogeu de Allison Janney no Cinema, O Regresso aos Anos 90 em Patins... E nunca ninguém comentou o bigode do Sebastian Stan, o que acho errado para com a sua personagem.

 

Tirando essa falha na pelosidade facial, Eu, Tonya tem estado nas bocas do mundo. Não só porque tem de facto belas interpretações das  suas protagonistas, mas porque é um daqueles  filmes que relata factos verídicos que sabe misturar o documentário com a ficção de uma forma interessante.

 

Independentemente se os factos são mesmo verdadeiros ou não – até porque sabemos que todo o argumento “baseado em factos verídicos” pode ter um pouco de liberdade criativa. Deixamos isso de lado e deixamo-nos levar pela história cheia de nuances de Tonya.

 

Não parece ter tido uma vida fácil. Abusada pela mãe, casada com abusador, divorciada e obrigada a relacionar-se com os abusos do passado, Tonya tinha tudo contra si. E apesar do filme não nos mostrar uma pessoa simpática, nem ter como objetivo ficarmos com simpatia por ela, conta-nos a história de uma forma que pelo menos nos ajuda a compreender as suas motivações e comportamentos.

 

Que bigode é esse, Sebastian? 

 

Eu, Tonya torna-se por isso uma mistura entre filme e documentário, em que as entrevistas ficcionadas dão lugar a momentos ficcionados. O melhor mesmo é que tudo é feito com um ritmo constante, que nos deixa totalmente agarrados ao ecrã e à ação.

 

É assim que sabemos que estamos perante um bom filme: quando ficamos tão presos à ação que não conseguimos desviar o olhar.

 

Não consegui tirar os olhos do filme. Entre a sequência de cenas muito bem pensada, um argumento rico em ação, comédia e drama, e planos de patinagem incríveis (porque quem é que não gosta de as ver), a atenção está focada no que se passa e nas suas interpretações.

 

A forma como cada ator pega no papel é própria. Eu nunca vi nenhuma imagem das pessoas reais, mas não é por isso que a personagem de Allison Janey me parece menos real, ou que ache que Margot não devia ser escolhida para o papel.

 

Ambas estão fantásticas, bem como todo o elenco. Margot é Margot, sempre intensa e focada nas emoções escondidas por baixo da pele; Janey é a surpresa carregada de drama e malvadez que adoramos ficar a conhecer. Foram nomeações justas, e uma vitória justa.

Allison Janney é LaVona, mãe de Tonya

 

Acompanhadas, claro, de um ótimo elenco.

 

Mas aqui, o que faz Eu, Tonya ser recordado é mesmo a forma como foi construído. A técnica e o argumento saltam-nos à vista, bem como a sua edição sem falhas e muito bem conseguida. Não vemos pelo tempo passar, nem vemos pela ação desacelerar – está sempre em crescendo.

 

Eu, Tonya é um daqueles filmes que vemos porque gostamos. Podemos não rever, ou voltar a querer olhar para ele, mas fica na memória. Como todos os bons filmes.

 

***,5

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