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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Então, mas porque é que o Cinema é assim tão importante?

Pergunta ela, de computador ligado e mãos em cima do teclado.

 

O que vão ler não é a resposta à  pergunta existencialista do porquê de tanta gente gostar de Cinema, com tanto fervor. Porque é que tantos correm maratonas para assistir à primeira sessão e um filme, ou porque discutem com o ecrã quando não gostam do que veem.

 

O que vão ler é uma história de amor entre mim e o Cinema. Daquelas que surgem inexplicavelmente e que ficam até não conseguirmos imaginar a nossa vida sem ela. Que nos fazem preencher horas escrevendo sobre ele e vivendo-o.

 

Desde pequena que gosto de ler. Desde que aprendi a juntar letras, e com elas conjugar palavras, e com elas formar frases, que os livros são os meus melhores amigos. Em miúda era conhecida em restaurantes e salas de espera porque estava sempre a ler em vez de conviver ou conversar com outras pessoas. Em adulta, é-me impensável sair de casa sem um livro dentro da mala.

 

Fascinava-me a facilidade com que podia viajar dentro de um livro. Enquanto lia, transportava-me para outro mundo em que as crianças iam para escolas de feitiçaria ou adolescentes viviam aventuras com amigos; em que histórias de amor aconteciam, ou se contavam momentos da História que marcaram o mundo.

 

Da mesma forma, não passava uma tarde em que não assistisse a um filme (provavelmente A Bela e o Monstro). Uma das minhas memórias de infância mais marcantes aconteceu num Centro Comercial Colombo ainda muito recente, em que eu estava a chorar nos braços da minha mãe junto à bilheteira dos cinemas – já não havia bilhetes para ver a Anastasia.

 

Com o passar dos anos, descobri que o que tenho mesmo é uma necessidade imensa de viajar sem tirar os pés do chão. Gosto de sonhar e fantasiar, de assistir (na minha cabeça ou na tela) às criações de outras pessoas, de outras vidas, de outras memórias. E gosto de acrescentar as minhas.

 

Também descobri que o que gosto mesmo no Cinema é que me trouxe a possibilidade de materializar essa fantasia; os livros alimentavam o meu imaginário e criatividade, mas o Cinema permitia-me vê-los realizados.

 

Por isso me marcou tanto a minha primeira vez numa sala. Pela primeira vez, aquelas personagens que conhecia de nome e as histórias que lia em livros, aconteciam à minha frente. De uma forma estranha eram  quase possíveis de acontecer – sim, ratos podiam falar e o Rei Artur existiu um dia, tal como sempre imaginara.  

 

O Cinema tinha a magia que dedicava aos livros. E a magia ficou.

 

Porque tal como a Literatura, a Pintura ou outra arte de que se lembrem, o Cinema mostra-nos um espelho. Um espelho da realidade, da imaginação ou de algo que nunca existiu, mas um espelho de algo que ganha vida.

 

Vida. A que imaginamos, a que sonhamos, a que temos. Fantasia ou realidade, há sempre uma forma de nos identificarmos com o Cinema e as suas histórias.

 

Se quiserem uma resposta mais genérica ao título deste texto, o Cinema, tal como qualquer outra arte, é importante para que nele seja visto o reflexo daquilo que somos – enquanto seres humanos e sociedade. É o nosso escape quando precisamos de rir ou chorar, mas também uma constante lembrança da História, do que não podemos deixar que volte a acontecer e das nossas esperanças para o futuro.

 

Só que para mim é um pouco mais do que isso: é também a realização de que a fantasia pode ser tão realista quando o que vemos à nossa frente.

 

Escrever sobre Cinema dá-me a oportunidade de refletir sobre essa realidade/fantasia. Permite-me sonhar, mas também mostrar aos outros como podem sonhar. E permite-me também juntar as duas paixões que, para mim, desde sempre fizeram sentido como um conjunto: as palavras e o grande ecrã.

 

Dizem que aqueles que não sabem concretizar criticam ou escrevem sobre o assunto. Bem, não vou mentir – adorava saber escrever um bom argumento ou de alguma forma participar numa produção, mas não sei se teria capacidades para tal (uma pessoa tem de ser realista!).

 

Mas querem saber a verdade? O que gosto mesmo é de poder expressar por estas palavras tudo o que sinto quando vejo um filme. É conseguir descrever o sonho, a realidade, levar outros a sonhar e a perceber porque é que isto do Cinema é tão bom.

 

Um pouco narcisista da minha parte, talvez, mas é um momento de partilha e uma história de amor que conto entre mim e uma sala de cinema. E quem não gosta de uma boa história de amor?

 

Se queriam saber porque é que o Cinema é tão importante, esta é a resposta. Não tem de ser perfeito, não tem de ser de autor ou clássico, não tem até de aclamado pela crítica (seja ela quem for). Só tem de despertar em vocês o sonho e a vontade de encontrar nele a realidade – a vossa, não a de mais ninguém.