Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Será que o Henry Cavill vai mesmo deixar de ser o Super-Homem?

The Hollywood Reporter foi o primeiro a lançar o pânico: graças a alguns desacordos entre Henry Cavill e a Warner Bros, o ator iria deixar o papel de Super-Homem para trás. Três filmes depois no papel de Homem de Aço, Cavill iria deixar o lugar vago. 

 

As justificações foram várias: primeiro, um conflito de agenda que impediu Cavill de fazer um cameo no filme Shazam!. Depois, a ideia de que um filme sobre o Super-Homem não deve chegar com tanta brevidade assim, e o foco da Warner está neste momento na Supergir.

 

No limite, todas as justificações me parecem mui bem... se não existissem já algumas informações que nos fazem pensar que não passam de rumores. Começa num comunicado da própria Warner, a dizer que continua a contar com Cavil, passa por um enigmático post de Instagram publicado pelo ator, e termina com um artigo do TMZ a negar tudo, e a confirmar que a existir um próximo filme do Super-Homem, Cavill é o primeiro a ser considerado.

 

Mas afinal, no que é que ficamos?

 

Vamos por partes.

 

O THR não tem necessidade de criar um artigo baseado em rumores. A publicação afirma que recebeu de uma fonte da própria Warner a indicação de que Cavill estava fora. À primeira vista não tem motivos para mentir; é uma publicação fiável, não há nada que nos leve a pensar que não existe alguma verdade naquilo que diz.

 

Mas nem a Warner, nem Cavill vieram desmentir o que quer que seja. As reações foram evasivas, sem um ou sim, ou sopas que nos fizesse ficar esclarecidos. O que até faz sentido, porque tanto o THR como o TMZ afirmam que não existe nenhum filme de Super-Homem nos planos. Não existindo, faz sentido que não se saiba se Cavill estará dentro na própria incarnação do super-herói.

 

Como acontece em tantas outras sagas, o papel de Super-Homem está em constante mutação. Desde Christopher Reeve (que nem foi o primeiro ator a interpretá-lo) que foram já pelo menos 5 os atores a interpretar o papel em fases diferentes da sua existência, nem todas elas com capa (relembrando Smallville). Se por ventura o próximo filme estiver programado para daqui a 10 anos, é verdade que muito provavelmente Cavill esteja de fora.

 

E se for verdade que o objetivo agora é introduzir a Supergirl, é certo que a história nos leve novamente a uma fase diferente aquela que foi introduzida em Homem de Aço, de 2013.

 

 Agora talvez possamos especular sobre se o título da reportagem não poderá ser enganador, visto que nada nos diz que seja verdade ou mentira.

 

Uma coisa é certa: ao que parece, Henry Cavill e a Warner Bros andam às turras. Ora porque pagam pouco, ora porque exigem muito, isso são casos que acontecem a toda a hora. Daí até  afastarmos um ator por causa disso...

 

O que eu acho? É que a Warner Bros quer voltar à estaca zero. Desde que reiniciaram o Universo DC que ainda não conseguiram obter o reconhecimento crítico que a concorrência consegue. Foram chamar equipas super talentosas e competentes, mas o foco de cada uma bateu sempre ao lado.

 

Viu-se com o próprio Homem de Aço, mas sobretudo com Batman V Super-Homem e Liga da Justiça – possivelmente um dos blockbusters mais massacrados do ano em que saiu.

 

Mas sejamos realistas: os maus filmes começam com maus conceitos.

 

Não acho que nenhum deles seja um filme terrível. Acho, sim, que têm coisas que não fazem sentido absolutamente nenhum e que não encaixam dentro do universo que querem criar. Sou fã da abordagem que Zack Snyder e David S. Goyer pensaram para o Super-Homem – uma personagem mais sombria, com várias questões pessoais e emocionais que nos ultrapassam. À primeira vista pode não parecer certo para o Super-Homem que temos na cabeça, mas é uma perspetiva interessante e que não está muito longo daquilo que já foi visto em algumas BDs.

 

Pode é não fazer sentido para a visão que a Warner Bros tinha para o futuro. Se o objetivo era reiniciar o universo e fazer dele a nova Marvel, não iria nunca resultar porque Homem de Aço e Batman V Super-Homem era ótimos filmes stand alone, com uma perspetiva própria – tal como foi a trilogia de Christopher Nolan.

 

Quando queremos começar do zero, é para começar do zero, não para introduzir novas ondas, por muito que elas sejam necessárias.

 

Aí, Mulher Maravilha teve uma vantagem. Não havia pressão. Era o primeiro filme, tudo estava em aberto – não era como o Batman ou o Super-Homem, que já vimos vezes e vezes sem conta. E de tal maneira não tinha pressão que correu muito bem, mesmo.

 

O que acho que é que a Warner Bros nunca vai conseguir dar a volta por cima se não fizer tudo de novo. É carregar no botão dereiniciar e voltar a contar a história, como se nunca a tivessemos ouvido, e desta vez com tudo o que acham necessário para que faça sentido ou que o querem contar.

 

Agora, é isso que o público quer?

 

Eu não. Prefiro mil vezes filmes standalone interessantes, do que Ligas da Justiça forçadas só porque a Marvel também o faz. Não é obrigatório, e sendo totalmente honesta, já existem demasiados super-heróis no ecrã para nos preocuparmos com isso. Preocupem-se antes em criar histórias interessantes, independentemente do universo em que estão.

 

Não foi assim com o primeiro Super-Homem, e correu tão bom? Não foi assim com os Batman de Tim Burton ou de Nolan?

 

Então deixem a DC em paz e façam filmes porreiros para variar!

Finalmente vi Um Lugar Silencioso. Já só quero a sequela!

Dizem que mais vale tarde do que nunca. Nos últimos tempos, e ao que ao Cinema diz respeito, este é o meu lema de vida. Depois de estar tanto tempo sem ver um filme no cinema, estes dias têm sido para recuperar o tempo perdido. Um Lugar Silencioso não foi o primeiro nesta minha demanda – mas foi o primeiro a fazer-me ficar tão entusiasmada com um filme que mal consigo escrever sobre ele.

 

Vamos tentar.

 

 

 

Se estiveram atentos, Um Lugar Silencioso foi uma das grandes sensações de verão. O filme de terror marca a estreia de John Krasinski no papel de argumentista e realizador, e logo num registo ao qual não estamos acostumados a vê-lo. Ele é mais comédias, independentes fofinhos... Não propriamente filmes de terror com um pouco de ficção científica à mistura.

 

Acho que esse foi um dos principais motivos de tanta surpresa e tanto sururu em volta deste filme. Penso que ninguém estava à espera de ver Krasinski a estrear-se desta forma – eu pelo menos não estava. Junta-se a isto o facto de ser um filme mesmo muito, mas muito fixe.

 

Acompanhei a chegadas das críticas com alguma tristeza, porque não consegui assistir no cinema. É uma história que pede: num mundo pós-apocalíptico, uma família é obrigada a viver no completo silêncio para sobreviver. A existência de criaturas cegas e altamente sensíveis ao som obriga-as a falar utilizando linguagem gestual e com movimentos cuidados, sob o risco de serem assassinados ao mínimo ruído.

 

Um Lugar Silencioso é um eufemismo para o silêncio que efetivamente sentimos ao ver o filme.

 

John Krasinski foi realizador, co-argumentista e protagonista do filme.  

 

Mas é esse silêncio que nos acaba por prender. A premissa do filme, além de inteligente, é altamente assustadora. Viver num mundo em que não podemos fazer um único som? A ideia aterroriza-me, a mim que acredito na força das palavras e raros são os momentos em que estou em absoluto silêncio. Mais do que isso, aquilo que exige desta família e a forma como se comportam, os seus receios e desenvolvimentos, tornam este um filme de terror em pleno. O medo não vem apenas de uma boa realização de momentos de suspense – chega sobretudo graças aos próprios acontecimentos.

 

Acaba por ser um filme muito cru, porque os diálogos são parcos. Sendo este um argumento que não se pode encostar aos diálogos para dar contexto ou desenvolver história, Krasinski, Bryan Woods e Scott Beck (o trio de argumentistas) criaram uma storyline sem grandes artifícios, em que o contexto nos é dado de forma equilibrada é inteligente. Nem é esse o foco da história – não importa como é que apareceram estas criaturas, ou como está o resto do mundo. O que importa é como esta família sobrevive.

 

O que para mim torna tudo muito mais assustador. Quando todos pensamos que este é um filme sobre sobrevivência, descobrimos que o grande objetivo é ver como as personagens são construídas e aquilo que as faz continuar. Não era tão mais fácil sucumbir à realidade e viver livremente? Não quando se têm o seu passado e o seu presente. O seu passado somos nós que construímos.

 

Depois, é preciso mestria para conseguir juntar isto ao bom que temos no Cinema de terror, o que Krasinski conseguiu muito bem no papel de realizador. De uma forma inteligente sabe jogar com os momentos de maior suspense, criando não só tensão com os planos que escolhe, mas também com aquilo que opta por nos mostrar e como. Nota-se que há algum pensamento aqui, que não é deixado ao acaso.

 

Nem mesmo a edição som. Sendo este um filme com pouco ruído, esperava-se algo monótono ou pouco apelativo. Mas não: não só a tensão acumulada é facilmente criadora de expectativa, como a forma como o som (ou a sua ausência) nos acompanha dão algum ritmo à história. São subtis as flutuações, e ao início quase que passam despercebidas, mas ganham importância e peso ao longo da ação.

 

Emily Blunt é Evelyn Abbott, mãe de família em Um Lugar Silencioso. A jovem Millicent Simmonds não só interpreta a sua filha, como demonstra como a sua surdez não limita um trabalho irreprensível.

 

Vale mesmo tarde do que nunca, principalmente quando estamos a falar de bons filmes – o que este é. Nos dias que correm, são poucos os filmes de terror que mexem connosco. Não porque nos assustam ou têm espíritos, mas sim porque a sua história nos aterroriza.

 

O ano passado, It foi uma surpresa também interessante porque mexia com os nossos medos. Agora, Um Lugar Silencioso mexe com a nossa liberdade, com o nosso estilo de vida. São tão raros os momentos de absoluto silêncio que às vezes nem sabemos o que isso é – mas e se fossemos obrigados a estar sempre nesse estado?

 

Não, não me vejo num mundo assim. É por isso que gosto de histórias próximas da realidade, que me mostrem como por vezes nem pensamos quando temos de tomar a decisão de abdicar da nossa liberdade. À sua maneira, Um Lugar Silencioso é essa reflexão, com um toque de tensão aterrorizante.

 

Claro que não é o filme mais assustador que já vi, mas está tão inteligente na forma como foi gravado, como foi escrito, como foi interpretado que tem o seu lugar de destaque entre o género recente. E se Krasinski continuar a fazer filmes assim, vou ser das primeiras a estar na fila da frente.

 

Uma sequela já está confirmada para 2020. Ainda não se sabe em que moldes, ou se será uma sequela direta (coloca-se a hipótese de ser a história de outra família ou indivíduos), mas vai existir. Apesar da confirmação não ser acompanhada do nome de Krasinski na cadeira de realizador, continuo entusiasmada.

 

Há sítios em que fomos felizes que vale a pena voltar.

 

Sairam as primeiras imagens de Captain Marvel, e ficamos... na mesma

Foi ontem que acabou o mistério: num especial da Entertainment Weekly, foram reveladas as primeiras imagens oficiais de Captain Marvel.

 

 

Além da capa que deixa pouco à imaginação, o especial revelou ainda alguns pormenores sobre o casting e argumento, incluindo o que vamos poder esperar desta história.

 

Se bem se lembram (SPOILER ALERT para quem ainda não viu Vingadores 4), a primeira vez que ouvimos falar de Captain Marvel no UCM foi no final deste filme, quando Nick Fury envia um page misterioso. No pager vimos apenas o símbolo da (até agora) desconhecida super-heroina, deixando-nos um pouco confusos sobre o seu papel nesta batalha.

 

FIM DE SPOLERS

 

Esta cena apareceu num momento em que o filme com Brie Larson já tinha sido anunciado – e mais uma vez nos demonstra como a Marvel tem sido inteligente ao controlar em que altura lança e anuncia novas personagens. Isto parece um puzzle de 5000 peças!

 

Se bem que a maioria se concentrou na revelação do fato, isso para mim foi o menos. Ele já é conhecido da banda desenhada, achavam mesmo que a Marvel ia fazer algo completamente diferente?

 

O que me deixou um pouco mais surpreendida foram as imagens que acompanharam o especial, e as revelações feitas à sinopse.

 

(1) Brie Larson como Captain Marvel. (2) A equipa da Starforce. (3) Samuel L. Jackson regressa como um Nick Fury mais jovem e, pasme-se, com 2 olhos! (4) Lee Pace é novamente Ronan, mas desta vez ainda não é o mauzão que conhecemos. (5) Ben Mendelsohn com a dupla de realizadores. (6) Os Skrull, pela primeira vez no UCM. São conhecidos pela sua capacidade de transformação - dai Mendelsohn conseguir ser humano. 

Imagens: Entertainment Weekly.

 

Vamos começar pelo princípio. Carol Danvers era uma piloto da Força Aérea norte-americana quando, num acidente, o seu ADN se funde com o de uma raça alienígena. Além de passar a ser meio humana, meia Kree, Danvers ganha super-poderes vários que fazem dela a mais poderosa super-heroína deste universo (já conseguimos perceber melhor aquela mensagem, não?).

 

Mas ao contrário do que tem acontecido com os anteriores filmes do UCM, Captain Marvel vai levar-nos ao meio da história. O filme encontra Danvers já fazendo parte da Starforce, um grupo de militares Kree de elite que defendem o universo.

 

Esta força vai ver-se “obrigada” a defender a Terra de uma ameaça Skrull, e é muito provavelmente nesta fase que vamos conhecer as origens de Danvers e dos seus poderes.

 

Tudo isto passado nos anos 1990.

 

Para mim, esta é a grande surpresa. Eu tenho elevadas expectativas para este filme, sendo o primeiro filme do UCM cuja protagonista é claramente uma mulher. Além disso, o trabalho da Brie Larson encanta-me, e estou curiosa para perceber como é que a visão de uma personagem e atriz femina, combinado com uma realizadora mulher (Anna Boden, em dupla com Ryan Fleck), podem ter espaço neste universo de homens.

 

Contudo, saber que vamos ter um ponto de partida diferente, numa época diferente, torna tudo muito mais interessante. Temos estado a assistir aos mesmos formatos nos últimos 10 anos – formatos que, se bem que inteligentemente incluídos numa linha temporal, não deixam de ser semelhantes. E não é apenas uma preferência da Marvel: de uma forma geral, é sempre melhor introduzirmos algo novo contando imediatamente as suas origens.

 

Se este é um caminho diferente, ainda bem. Até porque Carol Danvers parece ter uma série de dilemas que precisam ser explorados neste filme. Segundo o que estamos a perceber pelo especial da EW, muito do filme vai concentrar-se na adaptação de Danvers aos seus poderes. É uma fase emocional e importante no desenvolvimento da personagem, e em vez de o introduzir vamos antes ver o seu percurso.

 

É um ângulo interessante para qualquer filme de super-heróis. Sendo esta a primeira mulher Marvel, há uma certa pressão para que não caia naqueles estereótipos e facilitismos que muitas vezes ocorrem quando a protagonista é uma mulher.

 

E claro, temos todas as outras personagens secundárias que parecem trazer alto valor ao universo. Jude Law como Walter Lawson (comandante da Starforce e mentor de Danvers), Ben Mendelsohn (o vilão à frente dos Skrull)... E claro, o regresso de Djimon Hounsou e Lee Pace, que temos visto em outros filmes de um ângulo muito mais recente.

 

Concluindo: ficamos na mesma porque as expectativas continuam elevadas. Só que agora, mais do que uma perspetiva feminista, a curiosidade está a ganhar alguns contornos relacionados com a própria história e elenco.

 

Ficamos a aguardar por março de 2019.