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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

ZOOM IN: Cinema vs Streaming – a sala faz mesmo a diferença?

No mês passado terminou mais um festival de Cinema de Cannes. Cheio de glamour e gente bonita, mas tambem críticas à sociedade e momentos que fazem a diferença.  

 

Mais do que a presença de Cate Blachett e a sua forma de nos fazer ver o cinema de outra forma, Cannes voltou a gerar discussão porque a Netflix decidiu não exibir as suas produções no festival. A organização terá banido os seus filmes do concurso (porque não houve uma exibição em cinemas locais) já o ano passado, e a plataforma decidiu retirar-se completamente

 

A dúvida mantem-se, então: será que faz assim tanta diferença vermos um filme em casa ou na sala de cinema? Será que o filmes produzidos por plataformas como a Netflix têm menos valor artistico do que aqueles que vemos nas salas?

 

Como os chapéus, não faltam opiniões sobre o assunto. Organizações como a de Cannes mantêm estas regras, não se disponibilizando ainda para as mudar totalmente. Mas outras produtoras querem estar em pé de igualdade, porque o seu papel é exatamente o mesmo; querem regras modernas, que estejam de acordo com a experiência cinematográfica atual.

 

E onde fica o público?

 

 

O Caso Aniquilação

 

Lembram-se quando vos falei sobre Aniquilação e a importância do Netflix na sua exibição?

 

Resumindo: o filme estava idealizado por Alex Garland de uma certa forma. Quando foram feitas exibições de teste e o público não curtiu, a produtora pediu-lhe para fazer algumas alterações. Ele não aceitou. A solução? Está duas semana em meia dúzia de salas, de depois segue diretamente para o Netflix.

 

O risco para uma produtora em exibir um filme sobre o qual não saberá se terá retorno é muito grande. É preciso que o filme obtenha mais receita do que o investimento necessário para a sua produção, e isso depende sempre do público. Se o público tem imediatamente uma reação negativa, é natural que fiquem de pé atrás.

 

Plataformas como a Netflix ou Amazon Prime não têm esse problema. O seu investimento é recuperado através de subscrições e outros revenues monetários, e por isso podem investir na exibição de todo o tipo de filmes. Filmes como Aniquilação, que hoje podemos ver tal como foi idealizado e criado por Alex Garland.

 

O poder do público é precisamente a possibilidade de ver o que quer, quando quer. Estás em casa e queres ver um filme? Ótimo, não tens de esperar que a programação de TV esteja porreira, ou sujeitar-te aos filmes que tens em formato físico. À tua disposição estão centenas de filmes para todos os gostos.

 

E o público quer mais.

 

Aniquilação até poderia não ter tido qualquer sucesso nas salas de cinema, mas aqueles que escolheram ver em sua casa foram favoráveis. Não é isso o importante?

 

 

Então, qual é a diferença?

 

A diferença, e em parte o porquê de Aniquilação poder não ter tido ainda mais sucesso, é a experiência.

 

É inegável que assistirmos a um filme numa sala de cinema permite-nos ter uma perceção da ação completamente diferente daquela que temos em casa – por muito boa que seja a nossa televisão. Existe uma atmosfera  que nos permite absorver muito mais o filme, e é natural que a própria qualidade de som e imagem seja superior.

 

Já para não falar que muito realizadores pensam na experiência da sala como parte do filme. Christopher Nolan, ao utilizar câmaras IMAX em Dunkirk, queria uma total imersão na ação a que estavamos a assitir. E de certeza que Um Lugar Silencioso não terá o mesmo impacto quanto estamos a ver em casa, sem o pesado silêncio da sala.

 

Isto, claro, quando há silêncio – e aqui vem também o lado negativo da sala. Existem demasiados fatores que não conseguimos controlar numa sala de cinema; as pessoas falam quando deviam estar caladas, há luzes de sinalização distrativas e um preço de bilhetes absurdo para quem gosta efetivamente de ir ao cinema.

 

Existem momentos em que não conseguimos aproveitar essa experiência que torna a sala tão boa, e isso podemos controlar em casa.

 

Então, porque é que não há espaço para tudo?

 

Filmes diferentes podem pedir públicos diferentes. Um Lugar Silencioso pode ser muito melhor na sala, mas também tem demasiados fatores que podem tornar a experiência horrível.

 

As plataformas de streaming estão a dar-nos uma liberdade de escolha e um maior controlo na forma como consumimos cinema – e também televisão. Além disso, estão a apostar em produções que tanto têm de bacocas, como de altamente criativas e interessantes.

 

Não podemos  dar menos importância a um filme ou a uma produtora só porque não conseguimos assistir à sua obra numa sala, sobretudo quando o público lhe reconhece valor.

 

Se assim fosse, como era vivido o cinema quando os videclubes eram a única forma de ver filmes?

 

 

E vocês, concordam com as regras de festivais como o de Cannes?