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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Avengers: Infinity War – uma salganhada de trailer

Já falta pouco para estrear aquele que vai ser o filme mais carregado de heroísmo de sempre: Avengers: Infinity War. Enquanto não chega até nós, a Marvel acabou de lançar um novo trailer que nos faz questionar como é que o mundo precisa de tantos heróis.

 

 

ResumindO: Thanos, que temos andado a descobrir ao longo de alguns dos filems Marvel (sobretudo no universo de Guardiões da Galáxia) anda à procura das Infinity Stones, e uma viagem à Terra é inevitável. Quando todos os super-heróis (Marvel) do planeta descobrem, decidem juntar-se TODOS para derrotá-lo e salvar o universo.

 

Mas quando dizemos todos, são todos. Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Homem Aranha, Doutor Estranho, Guardiões da Galáxia... Vejam só neste cartaz!

 

 

 

Não vejo nenhum mal com isso. Infinity War vai funcionar um pouco como o primeiro Vingadores, mas multiplicado por muito. E da primeira vez correu bem.

 

O novo trailer mostra-nos que os protagonistas não vão ter a vida facilitada. Há vilões para todos, e a própria força de Thanos parece implacável. Promete muita ação, muitas explosões e destruição, mas também um pouco do humor e leveza que temos vindo a encontrar em nos filmes Marvel.

 

A forma como os estúdios têm lidado com a evolução da história também tem sido muito intelgiente (watch and learn, DC). Ao longo dos anos, e já vamos para lá dos 10, a Mavel tem-nos introduzido a uma série de heróis e enredos paralelos que nos levam a este momento. Se assistimos a todos os filmes, é impossível não percebermos o que vai acontecer a seguir.

 

É como se estivessemos há mais de 10 anos a preparar-nos para este momento. Este momento épico, cheio de testosterona e muitas, muitas pipocas.

 

Eu tenho uma preocupação: que isto seja uma salganhada do pior. Que existam tantos protagonistas que não exista um equilíbrio no enredo, que não consigamos direcionar a nossa atenção porque existe tanta coisa a acontecer. Além disso, com exceção dos novos heróis, tenho estado um pouco desapontada com os últimos filmes Marvel; parecem não ter nada de novo, apenas uma mastigação dos filmes anteriores com novos conflitos e os mesmos personagens.

 

Por um lado, Infinity War parece mais do mesmo, mas com o dobro dos protagonistas. Por outro, para alguém que tem acompanhado o Universo Marvel desde o inicio, faz todo o sentido esperar esta estreia com muita expectativa.

 

Eu digo sempre que temos de dar espaço aos blockbusters para brilharem. Que o Cinema não vive apenas dos Mãe! e Aniquilação deste mundo. A Marvel veio provar, em mais do que uma ocasião (sobretudo depois de Pantera Negra), que isso não precisa de ser sinonimo de cinema de segundo nível. Mas às vezes pergunto-me: será que não são explosões a mais?

 

Avengers: Inifinity War chega no final de abril.

Aniquilação (2018) – Obrigada, Netflix (e Alex Garland)!

Sinopse:  Depois de um ano sem ter notícias do marido militar em missão, Lena (Natalie Portman) está a tentar avançar com a sua vida. Até ao dia em que Kane (Oscar Isaac) regressa a casa, sem qualquer memória de onde passou os últimos 12 anos. Quando Lena descobre que o marido esteve envolvido numa missão de reconhecimento de uma área interdita, decide juntar-se à equipa de investigação que pretende descobrir o que aconteceu.

 

 

“Mas o que raio é que acabei de ver?!” Se este não for o vosso pensamento depois de assistir a Aniquilação, parabéns: fazem parte de uma elite que consegue descortinar o desconhecido com muita facilidade!

 

Eu não pertenço. Eu faço parte da maioria que precisou de respirar fundo para perceber o que raio tinha acabado de acontecer. E se bem que ainda não tenho a certeza se lá cheguei, sei que é daqueles filmes do caraças, que primeiro estranhamos e depois entrenhamos.

 

Logo à partida tem uma grande vibe de ficção científica, sem perder humanidade e realidade. Há um metereorito que foi contra um farol, uma área desconhecida de onde ninguém (à exceção de Kane) consegue regressar com vida, e uma fronteira entre o mundo real e esse desconhecido tirada de um filme de aliens. Ao mesmo tempo temos problemas conjugais, dúvidas existenciais e momentos muito humanos, o que quase nos faz questionar que tipo de filme estamos a ver.

 

Ou seja, Alex Garland escreveu e realizou um filme sobre a natureza humana, sem falar necessariamente em nós.

 

A ideia veio do romance Aniquilação, de Jeff VanderMeer. O livro pertence à trilogia Southern Reach, mas é adaptado apenas de uma forma muito livre no primeiro livro – e quando digo muito livre é mesmo muito livre. Está presente a ideia base, mas os acontecimentos são completamente diferentes.

 

 

Não o vejo como algo negativo. Tal com aconteceu com It, consigo distinguir as duas obras como distintas e independentes, apenas usando a mesma base – como uma sopa da nossa mãe que usamos sempre a mesma teoria, mas adicionamos legumes diferentes.

 

Até porque Alex Garland tem uma noção muito própria do caminho que quer seguir. Já em Ex Machina nos trouxe um momento de reflexão sobre quem somos e até onde é que as nossas ações nos podem comprometer. O exercício em Aniquilação é semelhante, mas vai muito mais longe.

 

Aqui temos um visual muito interessante, de um mundo impossível de existir mas estranhamento real. Protagonizado por cinco mulheres, são cinco mulheres que têm todas problemas, todas questões por resolver que as levam a voluntariar-se para uma missão aparentemente suicida. São problemas reais, num mundo impossível, mas que estranhamente nos leva numa viagem pelas suas motivações.

 

É um exercício estranho em como podemos descobrir mais sobre nós ao percebermos o que alguém estranho vê em nós – e aqui o nós é enquanto raça e indivíduo.

 

 

No fundo, Garland mexeu-nos com a cabeça. Pensávamos que íamos ver um filme sobre uma aventura impossível, num mundo de aliens, e afinal acabamos por encontrar uma narrativa sobre a humanidade.

 

Houve malta a comparar Aniquilação com o Mãe! de Darren Aronofski. Se bem que o último é muito mais transcendente e até estranho, há comparações possíveis de fazer – e aqui entra o Netlfix.

 

Durante os testes com o público (antes de lançar a versão final dos filmes nas salas, os estúdios organizam screen tests para perceber como é que o público reage ao filme), as reaçoes não foram muito boas. Houve quem o achasse estranho e muito intelectual, mas Garland não queria fazer alterações ao filme. A Paramount já tinha tido o mesmo problema com Mãe!, mas deixou Aronofski fazer o que queria. Garland não teve tanta sorte, então como recusou em alterar o filme, a solução foi passar os direitos de exibição para o Netflix.

 

E assim desviamos o acesso ao cinema. A solução é discutível; enquanto que nos Estados Unidos o filme ainda esteve exibido nas salas, na Europa só aqueles com acesso à plataforma de streaming é que conseguem assistir. Mas isso é um problema que vamos ter cada vez mais. Já é realidade recorrente que grandes filmes se fiquem por plataformas pagas, em vez de serem exibidos nas salas. Além disso, o facto de não ser necessário o mesmo tipo de investimento permite aos artistas uma maior liberdade – o que para Garland foi ouro sobre azul.

 

É que foi graças a isso que pudemos assistir a Aniquilação desta forma. E que vamos ficar traumatizados com as imagens que vimos.

 

****

Pantera Negra (2018) – O filme de que todos precisávamos

Sinopse: T’Challa (Chadwick Boseman) está preparado para assumir a sua herança como rei de Wakanda e Pantera Negra. Mas a chegada de um vilão inesperado não só o fazem questionar a História de Wakanda, como o futuro do seu país e do seu papel no desenvolvimento de outras Nações.

 

 

Quando Pantera Negra estreou foram hasteadas bandeiras de igualdade e representatividade. Para o mundo, ter finalmente um super-herói negro, no filme com mais negros por metro quadrado em destaque de sempre, foi a prova de que as mentalidades começam a mudar.

 

Sobretudo numa época em que tanto se fala sobre representatividade e minorias em Hollywood. Nós, os caucasianos da maioria, podemos não nos aperceber mas temos vivido até agora num mundo em que essas minorias se vêem representadas como secundárias. Quando acreditamos no Cinema como reconciliador da realidade e abrimos os olhos, o cenário não é bonito.

 

Pantera Negra veio dar um pouco mais de equilíbrio, tal como Mulher Maravilha fez o ano passado. E ainda por cima é tão diferente, tão novo, tão divertdo que se torna num blo9ckbuster que vale a pena ver por aquilo que é: um filme de super-heróis. 

 

Está mesmo muito bom.

 

Apesar de já conhecermos um pouco de T’Challa, agora vamos às suas raízes. Vemos a sua terra, a sua família, e sobretudo as suas tradições.

 

É muito interessante ver a importância com que as raízes e ideias que associamos a tradições africanas estão tão presentes. Não sei se de forma fidedigna, ou apenas mediatizada, mas a verdade é que pela primeira vez assumem um papel de destaque e importância no berço da vida, e nas tradições de tantas populações.

 

 

Porque não há dúvida de que Pantera Negra foi mesmo desenvolvido e criado para mostrar que todos podem ser heróis – até os africanos. Há uma grande preocupação em mostrar esse lado, e foi muito bem conseguido num argumento que consegue mesmo assim ser cómico e digno dos melhores filmes de ação.

 

Todo o filme é um equilíbro constante entre ação, comédia e seriedade, porque não se trata apenas de mostrar que a comunidade afro-americana tem o que é preciso para ser destacada: trata-se também de mostrar que as mulheres podem ser responsáveis pela segurança de um rei, ou pequenos génios da tecnologia.

 

Esse equilíbrio constante traz aos filmes do Marvel Studios uma dimensão que até então não existia: consciência social. E atenção, não é obrigatório que todos os filmes a tenham. Porém, sabemos que este é um bom filme quando consegue tê-lo, sem perder aquilo que gostamos nos filmes de super-heróis. Continua a existir cenas de pancadaria, alguma comédia e um vilão para detestar.

 

 

Se bem que Killmonger não é um vilão como os outros. O que Michael B. Jordan nos apresenta é quase um anti-vilão que nos custa odiar. Sim, é verdade que ele quer ser um ditador e rular na Terra, mas também o quer fazer para ir contra a escravatura do seu povo, contra a desigualdade que sempre viveu na pele, num verdadeiro #BlackLivesMatterAndRule. Óbvio que continuamos a torcer por T’Challa, mas vá lá, ao menos é um vilão com um pouco de educação!

 

Sim, Pantera Negra é mesmo o filme de que estavamos a precisar. Precisavamos de um filme que nos mostrasse que a representatividade e igualdade de papéis é possível em filmes pipoca, e é possível em blockbusters de super-heróis.

 

E é possível bem feito. O trabalho que fizeram aqui e em Mulher Maravilha demonstra como não são só os homens brancos e conseguir salvar o mundo; temos muitas mais pessoas capazes, com todas as cores e órgãos no meio das pernas.

 

É tão bom de perceber!

 

***,5

Eu, Tonya (2017) – Eu, uma fã de filmes bem feitos

Sinopse: Em 1994, Tonya Harding (Margot Robbie) era uma estrela da patinagem no gelo. Estava prestes a ir aos Jogos Olímpicos de Inverno quando surgem rumores de que tenha mandado agredir Nancy Kerrigan, uma das suas maiores adversárias. A sua carreira fica em risco, e toda a sua vida também – mas a culpa não foi dela.

 

 

Eu, Tonya tem sido conhecido por vários nomes. Aquele Filme em que a Margot Robbie Está Feia, O Apogeu de Allison Janney no Cinema, O Regresso aos Anos 90 em Patins... E nunca ninguém comentou o bigode do Sebastian Stan, o que acho errado para com a sua personagem.

 

Tirando essa falha na pelosidade facial, Eu, Tonya tem estado nas bocas do mundo. Não só porque tem de facto belas interpretações das  suas protagonistas, mas porque é um daqueles  filmes que relata factos verídicos que sabe misturar o documentário com a ficção de uma forma interessante.

 

Independentemente se os factos são mesmo verdadeiros ou não – até porque sabemos que todo o argumento “baseado em factos verídicos” pode ter um pouco de liberdade criativa. Deixamos isso de lado e deixamo-nos levar pela história cheia de nuances de Tonya.

 

Não parece ter tido uma vida fácil. Abusada pela mãe, casada com abusador, divorciada e obrigada a relacionar-se com os abusos do passado, Tonya tinha tudo contra si. E apesar do filme não nos mostrar uma pessoa simpática, nem ter como objetivo ficarmos com simpatia por ela, conta-nos a história de uma forma que pelo menos nos ajuda a compreender as suas motivações e comportamentos.

 

Que bigode é esse, Sebastian? 

 

Eu, Tonya torna-se por isso uma mistura entre filme e documentário, em que as entrevistas ficcionadas dão lugar a momentos ficcionados. O melhor mesmo é que tudo é feito com um ritmo constante, que nos deixa totalmente agarrados ao ecrã e à ação.

 

É assim que sabemos que estamos perante um bom filme: quando ficamos tão presos à ação que não conseguimos desviar o olhar.

 

Não consegui tirar os olhos do filme. Entre a sequência de cenas muito bem pensada, um argumento rico em ação, comédia e drama, e planos de patinagem incríveis (porque quem é que não gosta de as ver), a atenção está focada no que se passa e nas suas interpretações.

 

A forma como cada ator pega no papel é própria. Eu nunca vi nenhuma imagem das pessoas reais, mas não é por isso que a personagem de Allison Janey me parece menos real, ou que ache que Margot não devia ser escolhida para o papel.

 

Ambas estão fantásticas, bem como todo o elenco. Margot é Margot, sempre intensa e focada nas emoções escondidas por baixo da pele; Janey é a surpresa carregada de drama e malvadez que adoramos ficar a conhecer. Foram nomeações justas, e uma vitória justa.

Allison Janney é LaVona, mãe de Tonya

 

Acompanhadas, claro, de um ótimo elenco.

 

Mas aqui, o que faz Eu, Tonya ser recordado é mesmo a forma como foi construído. A técnica e o argumento saltam-nos à vista, bem como a sua edição sem falhas e muito bem conseguida. Não vemos pelo tempo passar, nem vemos pela ação desacelerar – está sempre em crescendo.

 

Eu, Tonya é um daqueles filmes que vemos porque gostamos. Podemos não rever, ou voltar a querer olhar para ele, mas fica na memória. Como todos os bons filmes.

 

***,5

12 observações sobre os Óscares 2018

Terminou mais uma award season. Foram meses de expectativa, outros tantos de preparação, e cá estamos para digerir o facto de que A Forma de Água foi considerado o melhor filme de 2017.

 

Pela falta de #RoadToTheOscars que encontram na homepage deste blog, podem perceber que a maratona não correu como o esperado. Não, não consegui ver todos os filmes, e por isso parte de mim acha que não deve discutir os resultados da noite passada.

 

A outra parte continua a não conseguir perceber como é que o Christopher Nolna continua sem estatueta. Mas vocês viram o Dunkirk? É bom que A Forma da Água seja alguma coisa de jeito, se não a minha relação com os Óscares vai ter de mudar...

 

Se bem que há alguns anos que anda tremida. Apesar de continuar a adorar que existam noites como estas em que toda a gente se junta para celebrar o Cinema, a importância dos Óscares é altamente discutível.

 

Por isso, o que gosto mesmo é de assistir ao espetáculo e ver passar os modelitos.

 

Se esperavam encontrar uma lista com todos os vencedores, este não é o lugar. Contudo porém, o que vamos fazer é esmiuçar o que aconteceu ontem à noite, e depenar os melhores momentos.

 

Ou pelo menos aqueles que continuo a adorar.

 

  1. A malta do E! continua a pôr os pés pelas mãos

Para ver passar modelos, o E! costuma ser o canal onde me ligo. Não tenho paciência para procurar um stream online, e é o único canal (que eu saiba) em Portugal que tem esta preview.

 

O que me cansa, porque mesmo quando alguém tenta falar sobre o quão bom um filme ou atrizes são, alguém começa a usar adjetivos como “tão bom” e “adorei”, enquanto que para descrever o vestido parece que memorizaram o dicionário Oxford.

 

Eu sei que vocês gostam é de falar das roupas, mas já não deviam ter aprendido?

 

  1. A SIC tem a mania que está em Los Angeles...

Fazer uma festa de passadeira vermelha quando o destino é uma sala de cinema dentro de um centro comercial é só triste. O aparato todo na preview da cerimónia, com a presença de famosos que nem sabem dizer quem são os nomeados para Melhor Filme é só triste.

 

Mas os famosos que iam para comer iam felizes. Yey!

 

  1. ... e continua sem perceber que não queremos comentários por cima da emissão

Again, eu sou muito preguiçosa. Não tenho paciência para procurar um stream online, e assistir à cerimónia na SIC permite-me estar sentada no sofá a olhar para a TV.

 

Só que também significa que tenho de levar com aqueles comentários dos especialistas da SIC. Se acontecesse apenas durante os intervalos, era na boa. Mas este ano, além de comentarem por cima da emissão, cortaram parte dos segmentos para poderem falar à vontade.

 

Isso não se faz. É rude.

 

  1. A Rita Moreno usou o mesmo vestido em 1962. Continua fantástico

Em 1962, Rita Moreno era nomeada para o Óscar de Melhor Atriz Secundária pelo seu papel em West Side Story. A sua interpretação da latina que gostava de viver na América valeu-lhe a estatueta, mas ontem o que deu que falar foi o vestido.

 

Porque ela levou o mesmo. Igual, ligeiramente alterado, mas exatamente o mesmo vestido. E continuou linda e totalmente arrasadora.

 

Não sei se é um abre olhos para as mulheres desta vida que já não conseguem entrar nas saias que compraram há uma semana (shame on me), ou se para aquelas que continuam a achar que reciclar é errado.

 

  1. Jimmy Kimmel é o homem dos monólogos

Há quem entre nos Óscares com grandes números musicais. Há quem faça piadas, mande uma laracha ou duas. E depois há Jimmy Kimmel, que consegue ter piada e ser sério ao mesmo tempo.

 

Ellen DeGeneres pode continuar a ser a minha host preferida, mas quando Kimmel goza tantas vezes com o engano do ano passado que se torna cansativo, é porque alguma coisa está a correr bem.

 

  1. O tempo acabou. Já todos percebemos

Ou será que percebemos mesmo? Como era de esperar, os discursos e monólogos sobre os movimentos Time’s Up e Me Too estiveram em destaque na noite passada, e ainda bem. Já estava na hora de que as questões de igualdade e representatividade fossem discutidas e trazidas a público, por isso é com um pequeno orgulho feminista que vejo tal a acontecer.

 

Até pode parecer demasiado, mas a verdade é que estava na hora de o panorama mudar. E se para isso temos de trazer uns quantos discursos quase à força, que seja.

 

  1. Também já percebemos que há muitos mexicanos na américa

Mas se pensam que o movimento feminista foi aquele que mais se fez ouvir esta noite, estão enganados. A minoria a levar a taça são... os mexicanos!

 

Com a estreia de Coco e a ideia peregrina de Trump de construir um muro entre os Estados Unidos e o México, estava-se mesmo a ver que ia acontecer. Se o Óscar fizesse 15 e não 90 anos, e fosse menina, a noite de ontem tinha sido uma verdadeira quinceanera (Google it).

 

Houve elogios à etnicidade, críticas a Trump, e até foi a história de um mexicano a ganhar o maior prémio da noite. Coincidência?

 

  1. Jordan Peele, everybody. Jordan FU***** PEELE!

Apesar de estar secretamente a torcer para que Três Cartazes ganhasse o prémio de Melhor Filme, e de Nolan ganhar o de Melhor Realizador, Jordan Peele era o meu favorito na categoria de Melhor Argumento Original.

 

Ele foi o homem por detrás de Foge!, aquele filme genial do qual eu não consigo parar de pensar. Foi ele a cabeça pensadora que conseguiu criar um enredo inteligente, cómico, assustador e tão socialmente subtil, que nos fez pensar em coisas importantes sem nos apercebermos.

 

Isso merece todos os Óscares que há para dar, e mais alguma coisa.

 

  1. Queremos Tiffany Haddish e Maya Rudolph a apresentar em 2019

Foi dos segmentos mais engraçados da noite, e não porque alguém se enganou nas linhas ou no prémio a entregar. As atrizes Tiffany Haddish e Maya Rudolph foram escolhidas para apresentar duas categorias, e a comédia reinou. Elas contaram piadas, elas foram naturais, e mostraram-nos que as mulheres, mais do que conseguirem ser engraçadas, são autênticos furacões.

 

  1. Emma Stone, a rainha do shade

Eu sou fã de Emma Stone há muito tempo, mas ontem tivemos um momento. Um momento em que abri os olhos (depois de adormecer durante uns minutos) e pude ouvir um dos maiores shades desta noite.

 

Quando falava sobre os nomeados para Melhor Realizador, fez questão de mencionar o fantástico trabalho destes homens e de Greta Gerwig, dizendo o nome da autora de Ladybird merecendo todo o seu destaque.

 

Yes, Emma. Yes.

 

  1. E Frances McDormand, a rainha de tudo

Houve ótimos discursos durante a cerimónia. Houve discursos sobre a diversidade de raças em Hollywood, houve discursos sobre não deixar de sonhar. E depois houve Frances McDormand, que conseguiu que todas as mulheres nomeadas se levantassem e mostrassem a sua força. Estamos aqui, e ninguém nos vai calar.

 

  1. E não é que ganhou o mexicano?

Esta frase parece muito racista, eu admito. Só que é a única que me ocorre depois de ver o que aconteceu esta noite – na noite em que a cultura mexicana foi apreciada, ganhou a história inventada por um mexicano!

 

Eu ainda não vi A Forma da Água, confesso. Só conheço as críticas e opiniões daqueles que já viram, e essas sabemos que podem divergir muito de pessoa para pessoa. Só que as opiniões que leio, e o que sinto de forma geral em relação à história, fazem-me ficar com a impressão de que este não é um daqueles filmes para ser considerado dos melhores do ano.

 

Havia histórias tão fortes... Importantes marcos, filmes extraordinariamente bem feitos, filmes espetacularmente fantásticos. E podem dizer-me que é o poder da fantasia e do amor, tudo muito importante e necessário, que eu vou continuar sem ficar totalmente convencida.

 

Mas é a vida, não é? E são os Óscares, esta cerimónia tão previsível e glamorosa que todos os anos nos prende à televisão. E todos os nãos me faz arrepender de ter ficado acordada até tão tarde...