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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Que a Força esteja contigo, Carrie

27.12.16 | Maria Juana

Foda-se. É só o que me apetece dizer. Foda-se.

 

2016 foi um ano bestial. Não, não foi muita bom - foi uma besta, mesmo. Foi uma besta, este 2016, que agora nos levou a Princesa Leia.

 

 

Desde que tenho idade para tomar atenção a estas coisas, que não me lembro de ver tantas estrelas a morrer no mesmo ano. Por isso, este só pode ser um ano em que os planetas estão alinhados, ou demasiado desalinhados, ou o que quer que seja para nos levar tanta gente boa: David Bowie, Prince, Leonard Cohen, Alan Rickman, Nicolau Breyner, George Michael e, agora, Carrie Fisher. Mas tu nunca mais acabas, 2016? 

 

Na última sexta-feira, dia 23, o meu coração ia parando um pouco: foi noticiado que Carrie Fisher tinha sido assistida a um ataque cardíaco durante um voo. A atriz ficou internada, e até houve melhorias nos últimos dias. Se contar isto ao meu pai, já sei o que ele me diz: “são as melhoras da morte…”

 

É estranho como a morte de um artista, que nunca conhecemos e está tão distante, nos pode agitar desta forma. Já o tinha dito aquando da morte de Alan Rickman, que me tocou profundamente. Agora, saber que a Leia já não está entre nós, parece que esse sentimento regressou. 

 

A verdade é que não me lembro de ver Carrie Fisher noutros filmes ou séries além de Star Wars. Sei que fez mais uns quantos, e até tem uma filmografia composta, mas para mim será sempre Leia Organa, a figura mais corajosa e destemida entre homens e mulheres deste Universo. 

 

Ela lutou contra um dos maiores vilões da história do Cinema e viveu para contar a história. Ela liderou uma revolução, viu todo o seu planeta a desaparecer à frente dos seus olhos, e continuou com força para seguir em frente. Ela teve um filho que é uma pequena besta, e continua ali, a liderar a luta, sem baixar os braços. E tudo isto sendo uma mulher linda, apaixonada, e sem perder nada do que a torna feminina. 

 

Mesmo que tudo isto tenha acontecido num filme, não faz com que tenha menos significado. Para mim, Carrie Fisher sempre foi a personificação desta força de vontade e sentimento, do empowerment feminino. Era a sua voz e a sua face aquela que me fazia ver que todas nós conseguimos alcançar tudo aquilo que queremos.

 

Assistir a Star Wars pela primeira vez e ver a sua Princesa Leia foi mágico. Regressar, e ver como nada mudou em O Despertar da Força, foi a confirmação de que esta força não morre, e esta luta continua. 

 

Com Carrie Fisher, vai ser a mesma coisa. Apesar da personificação de Leia já não estar entre nós, a sua mensagem vai continuar. Vamos continuar a rever cada um dos filmes e a sentir a mesma vontade de ir mais além; vamos continuar a ouvir as suas palavras e a pensar que poucas mulheres existem com tantos tomates; vamos continuar a torcer pelo sucesso da sua luta, e da sua história de amor. 

 

 

E o que significa para o futuro de Star Wars? Não sei… Mas isso será uma preocupação para mais tarde. Agora, acho que vou rever cada um dos filmes originais. 

 

Carrie, que a Força esteja contigo. Revoluciona aí esse lugar como só tu sabes, e acredita: foi um prazer lutar ao teu lado.

REWIND: o mês em que estreou Filadélfia

27.12.16 | Maria Juana

Dezembro é um mês importante. É o mês de celebrar a família, a paz e o amor; é o mês de recordar um ano, e estabelecer objetivos para o que aí vem; e é um mês para nos sentirmos gratos por toda a nossa felicidade. 

 

Para muitos, é também um mês de sensibilização. É a 1 de dezembro que se celebra o Dia Mundial da Luta Contra a SIDA, com o propósito de lutar contra a descriminação daqueles que vivem com o vírus HIV, e promover o seu estudo e direitos. 

 

Coincidência ou não, foi também em dezembro que foi lançado, em 1993, um dos filmes que mais abalou o mundo no que toca à SIDA e HIV nos anos 90: Filadélfia, protagonizado por Tom Hanks e Denzel Washington. A história, simples como é, foi polémica: Hanks interpretava Andrew Beckett, um advogado que processa a sua antiga firma porque foi despedido quando se descobriu que tinha SIDA. Para o defender contrata Joe Miller, um advogado negro e homofóbico.

 

Um filme com esta temático, em pleno anos 90, foi um risco. A mentalidade não era tão aberta quanto o é hoje (ou melhor, ainda menos). A SIDA começava a ser um assunto conhecido e falado um pouco por todo o mundo. Em Portugal, António Variações morria em 1984 naquele que seria o primeiro caso conhecido no país; em 88, foi celebrado o primeiro Dia Mundial Contra a SIDA; em 1991, Freddy Mercury morria de SIDA, depois de anos a especular se teria ou não o vírus do HIV. 

 

 

Filadélfia veio despertar as mentalidades. Não só porque falava da SIDA enquanto doença que pode ser evitada, e é tão perigosa como tantas outras, mas também porque queria desmistificar uma das crenças mais associadas a este vírus: não, o HIV não é um vírus que afeta apenas homossexuais. 

 

Penso que, ao longo de todo o filme, esta possa ser uma das mensagens mais importantes. Não nos podemos esquecer que, durante muito tempo, o HIV foi quase a lepra do século XX: se eras homossexual, de certeza que ias apanhar o vírus mais cedo ou mais tarde. 

 

Filadélfia veio explicar um pouco de como é que acontece, mas que não é algo exclusivo. Para isso, foi muito importante ter um argumento muito bem desenvolvido, e atores que pegaram nas suas personagens e deram tudo o que tinham.

 

Tom Hanks faz uma viagem de advogado bem sucedido, a um homem debilitado e às portas da morte. Ao longo de um filme, consegue transmitir tantas emoções, que estamos numa verdadeira montanha-russa - e até lhe valeu o Óscar de Melhor Ator. 

 

 

Não é o único, mas é o mais poderoso. É claro que Denzel Washington faz uma viagem igualmente importante, passando de homofóbico a alguém que se sente próximo da causa de Beckett, e dos seus motivos.

 

Mas lá está: toda a construção mostra-nos que não, isto não é um problema só de homossexuais. É um problema de pessoas, que a qualquer momento podem contrair o vírus, e podem ficar doentes. O argumento tentou mostrar essa visão, e dar a conhecer outros casos tão importantes quanto o de Beckett. 

 

Se resultou ou não, isso é outra conversa. A verdade é que continuamos a viver num mundo em que a homofobia existe, e em que a SIDA continua a ser vista como um bicho papão. 

 

E é. É uma doença perigosa, que põe vidas em risco, e que mesmo com toda a informação e sensibilização, continua a existir. Em alguns países, violações e relações desprotegidas devido à falta de contraceptivos fazem com que os números de portadores de HIV continuem a aumentar. 

 

 

Desde 1993 e o lançamento de Filadélfia, muito mudou. As mentalidades mudaram, e talvez a doença tenha deixado de ser vista como uma sentença de morte para todos os homossexuais. Da mesma forma, os portadores do vírus HIV podem levar uma vida razoavelmente normal, comparado com o que acontecia há décadas atrás. 

 

A informação está em todo o lado. Abrimos o computador, ligamos o telemóvel ou o tablet, e temos acesso a estatísticas, dados, formas de evitar e tanto mais. Isso não acontecia em 1993. Tudo estava meio escondido, tudo era um pouco desconhecido. Filadélfia pode não ter sido o primeiro, ou o mais importante, mas marcou a diferença, e marcou o mês de dezembro de 1993. 

 

Hoje podemos fazer a diferença. E ainda bem.