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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Pré-venda, o massacre das bilheteiras

10.11.16 | Maria Juana

De certeza que já vos aconteceu: naqueles filmes mesmo muito esperados e antecipados, as distribuidoras começam a preparar o público. Elas sabem que vamos querer ver o quanto antes, que vamos fazer filas e filas para comprar bilhete, e que as salas vão estar cheias a todas as horas.

 

E o que é que elas fazem? Põe os bilhetes em pré-venda.

 

Não os condeno. É como uma garantia de que as salas vão mesmo encher. Mais, é quase um incentivo à compra de pipocas e sumos: como não compramos logo o bilhete, parece que não custa tanto quando gastamos balúrdios antes do filme.

 

São só coisas boas. Todos ganham: as distribuidoras, e nós, que garantimos que temos lugar na primeira sessão daquele filme que queremos mesmo ver. A não ser, claro, que não demos conta que os bilhetes já estão à venda. Depois, quando vamos a comprar, já não há lugares nos três primeiros dias de exibição em lugares em que não ficamos com um torcicolo.

 

Aconteceu-me esta semana, com a exibição de Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los. Falta precisamente uma semana para a sua estreia, e os bilhetes já voam. Com a expectativa toda em volta do filme, cedi à pressão de acabei por reservar bilhetes. Ainda bem que o fiz, caso contrário, no dia chegava à sala para bater com o nariz com a porta.

 

 

Eu queria oito bilhetes. Tinha duas hipóteses: ou ia para o pé do ecrã, ou tínhamos de ficar espalhados nas filas laterais.

 

Parece que vamos a um concerto. Sabem, aqueles concertos que todos temos medo que esgotem, e compramos bilhetes com meses de antecedência. E isto para um evento que, supostamente, só acontece uma vez. Mas com salas cheias semanas antes da estreia, será que o cinema está a virar espetáculo único?

 

No meu caso, podia ser pior. Podia não haver nenhum lugar mesmo, ou não conseguirmos estar mais do que duas pessoas juntas a ver o filme. Até tivemos sorte, mas aqueles que chegaram depois de nós, com certeza que tiveram dificuldades. Esta não é, de todo, a primeira sessão, e já está cheia. Todos têm medo de perder o lugar.

 

Eu tive. Eu quero mesmo muito ver este filme, por muito que tente manter as expectativas em baixo. E sou daquelas que gosta de ver este tipo de sagas logo no primeiro dia, para poder falar com toda a gente sobre ele e não ficar de fora de todo o mundo da internet. É claro que tive de aproveitar a pré-reserva!

 

Para mais, não gosto de ir ao cinema sozinha. Já, já experimentei, e parece que falta qualquer coisa – aquela discussão no final, a troca de ideias, o percebermos que os outros também gostaram (ou não) daquela experiência. Não sei se já perceberam, mas eu gosto de partilhar a minha opinião sobre os filmes.

 

Esta história da pré-venda é muito bonita, e até dá jeito. Mas por vezes, dá mais dores de cabeça do que aquelas que tira. Nem é por isso que as filas ficam mais pequenas no dia da exibição; até há momentos em que ficam piores!

 

Cá estaremos para ver. O que sei é que dia 17 lá estarei, com um bilhete comprado uma semana antes. Quem diria…

TRAILER DA SEMANA: A sensação que Transpotting causou

09.11.16 | Maria Juana

Foi o grande evento da passada semana. Depois de ter chegado a confirmação a alguns meses, parece que a sequela de Trainspotting vai mesmo acontecer. Intitulada de T2: Trainspotting, as primeiras imagens surgiram na passada semana. Oh boy…

 

 

A mensagem é clara: eles estão de volta. E em grande!

 

O elenco principal, com Ewan McGregor, Johnny Lee Muller, Robert Carlisle e Ewan Bremmer, está mais do que de regresso. Aliás, desde o primeiro filme, há 20 anos, que queriam regressar. Mas a oportunidade chegou agora, e os fãs não podiam estar mais satisfeitos.

 

Segundo o CinemaBlend, T2 é baseado no romance Porno, de Irivine Welsh. Já Trainspotting tinha sido inspirado no romance do mesmo nome, e Danny Boyle mantem a tradição.

 

Desta vez, as personagens que tão bem conhecemos estão, de certa forma, ligadas à indústria porno. E é a partir daí que se vão reencontrar, e fazer história novamente.

 

No dia em que o novo trailer ficou disponível, a internet veio abaixo. Houve partilhas do trailer, imagens por todo o lado, o discurso escrito em imagens que se foi espelhando por todo o lado… fez-nos perceber que T2 não é apenas uma sequela; é mesmo um regresso há muito esperado, e que vai causar sensação.

 

A sua loucura e caos parecem estar presentes. Não é isso que se quer?

 

Só em janeiro é que vamos saber se vale a pena…

REWIND: Recordem V de Vingança

05.11.16 | Maria Juana

Remember, remember the 5th of november, the gumpowder treason and plot.

I know of no reason why gunpowder treason should ever be forgot.

 

A 5 de novembro, está na altura de ano de nos recordamos de Guy Fawkes, e daqueles que o seguiram. Fawkes era um cristão britânico que, em 1604, entrou numa conspiraçãoo para matar o Rei de Inglaterra. O seu falhanço ganhou notoriedade, e o dia 5 de novembro passou a ser celebrado no Reino Unido como o dia em que a ordem se manteve. Até chegar V.

 

 

Ver V de Vingança é uma experiência. Vai além de um filme, que vemos cientes que temos uma história e personagens sobre as quais fala. É uma obra que nos obriga a refletir e a pensar, e que nos faz ver como o 5 de novembro não deve ser celebrado como o dia em que alguém falhou, mas como o dia em que alguém tentou desafiar a ordem.

 

É isso mesmo que V tentar fazer: desafiar e mudar a ordem dos acontecimentos. A sua história passa-se numa Inglaterra distópica, governada por fascistas. V quer lutar pela liberdade, e libertar-se dos seus demónios; quer que outros deixem de sofrer o mesmo que ele sofreu, e quer mostrar que o povo, quando unido, pode alcançar os seus desejos.

 

No fundo, esta é a mensagem. Mas para lá chegarmos, não basta vermos o filme com atenção: temos de pensar, de olhar cada cena com cuidado e refletir sobre aquilo que nos estão a mostrar.

 

Por isso mesmo, não é um filme fácil. Faz-nos lembrar o romance 1984, de George Orwell, ou o que poderia vir a ser uma Alemanha Nazi se Hitler tivesse continuado no poder. Mais, faz-nos ver que, por vezes, o controlo está mesmo nas nossas mãos, e temos de sacrificar o nosso conforto se queremos ir além daquilo que nos parece possível. É extremamente político, mas também humano.

 

 

O facto de não ser fácil não significa que não deva ser visto. De facto, é daqueles filmes que todos devem assistir pelo menos uma vez na vida, nem que seja para ver como podemos comunicar com emoção e convicção mesmo sem mostrarmos a cara – e aí, o mérito vai todo para Hugo Weaving, que interpretou V.

 

V de Vingança é daqueles filmes que não se explicam – apenas se vê. Podíamos contar por todo o resto da tarde a falar sobre as suas implicações e características, mas a verdade é que cada um de nós retira algo de diferente do filme.

 

É claro que podíamos explicar as raízes de V, que se inspira em Guy Fawkes e na conspiração da pólvora para seguir com a sua vingança. V quase que tenta continuar o trabalho de Fawkes, restabelecendo aquela que acredita ser a ordem correta. Se formos ver, esse era o objetivo de Fawkes e dos seus companheiros: trazer de volta para o trono um rei católico, como achavam que devia ser.

 

Se V conseguiu ou não, isso fica para aqueles que viram (ou vão ver) o filme. Não que o final seja importante; ou melhor, não que o final seja o mais importante.

 

 

O que me faz gostar tanto de V de Vingança é a viagem. É o percurso que fazemos desde o mesmo em que descobrimos o mundo de V, até percebermos as suas motivações. É refletirmos e pensarmos se faríamos o mesmo, escolher um lado e compreendermos porque escolhemos aquele lado. É dar conta que o amor está presente em tudo, e muitas vezes pode ser o que nos move.

 

Quando vemos V de Vingança, somos Evey, a jovem trabalhadora resgata por V que se vê obrigada a fazer escolhas, a perceber o seu lugar e desejos. Tambem temos de o fazer.

 

A minha foi escolha foi recordar V de Vingança todos os 5 de novembro. O pedido de V é feito: não nos vamos esquecer. Cabe-nos a nós aceitar o pedido.

Adeus, 2016 – O que ainda nos falta ver II

04.11.16 | Maria Juana

O prometido é devido! Depois de uma primeira parte repleta de filmes que têm estado a dar que falar, e que nos têm deixado a água na boca, chega mais uma lista de filmes a não perder.

 

Todos eles vão chegar antes do final do ano, e eu ando a contar os dias para alguns deles. Alguns já foram falados por aqui, outros são descobertas que suscitam curiosidade.

 

Preparem as agendas, porque as listas vão ficar preenchidas!

 

A Longa Viagem para Casa

 

 

 

Só o elenco mostra-nos que temos de estar atentos: há Dev Patel, Rooney Mara e Nicole Kidman, num só filme!

 

Depois, temos a comovente e corajosa história de Saroo, um menino de 5 anos que se perde da família, e acaba por ser adotado por um casal australiano. 25 anos depois, precisa encontrar a sua família verdadeira para encontrar paz.

 

O trailer mostra-nos um filme que tem tudo para ser vencedor, e de nos deixar presos ao ecrã. E o melhor? É baseado numa história verídica!

 

Apesar de só chegar às salas a 8 de dezembro, os curiosos podem assistir à antestreia no Lisbon & Estoril Film Festival, já no próximo dia 9, em Lisboa.

 

 

A Mãe é que Sabe

 

 

 

É o representante do Cinema português nesta lista – porque não podia faltar. Até porque, a ver pelos vários clips que já foram lançados, esta comédia tem tudo para dar certo!

 

A história é a de Ana Luísa, interpretada por Maria João Abreu. No dia em que junta a família para comemorar o aniversário do seu pai, começa a pensar na mãe e em todas as decisões que tomou com a sua opinião. De repente, ganha a capacidade de viajar o tempo, e de mudar algumas decisões. Mas será que quer mudar o presente?

 

É uma comédia portuguesa, mas tem pouco de típica. Por isso, é daquelas que quero ver no grande ecrã. Vai valer a pena, já a partir de 8 de dezembro!

 

 

La La Land

 

 

 

O que dizer mais sobre La La Land? Já neste Trailer da Semana mostrei o quão desejosa estou para ver este filme, e o último teaser lançado só me aguça mais a curiosidade.

 

Isso e a crítica que já assistiu e tem elogiado todo o conceito e história. Por norma, não gosto de ler críticas sobre filmes que quero muito ver, mas é impossível resistir aos elogios a La La Land.

 

Mas vou continuar a roer as unhas até 15 de dezembro, data em que estreia em Portugal.

 

 

Rogue One: Uma História de Star Wars

 

 

 

Não podia faltar o evento Star Wars do ano! Rogue One não é só o regresso ao universo de Star Wars; é o conhecimento do que aconteceu entre a última trilogia, e aquela a que agora estamos a assistir.

 

Não, não tem o mesmo encanto do que o verdadeiro Star Wars, é verdade. Mas não deixa de ser uma perspetiva diferente, e uma nova história a acrescentar ao universo. Mal não há-de fazer.

 

15 de dezembro é a data escolhida.

 

 

Beleza Colateral

 

 

 

Novamente: há um elenco de luxo. Vejam o trailer e digam lá que não ficam cheios de vontade de ver isto só de olhar para aquelas pessoas lindas todas.

 

É verdade... A atmosfera e o tema deixam-nos mesmo esperançosos que daqui vem algo de bom.

 

Neste caso, falamos de um criativo que, depois de perder a família, começa a escrever cartas ao tempo, ao amor e à morte como forma de terapia. E do nada começa a receber visitas especiais...

 

Meus amigos, há beleza nestas imagens, que vamos poder testemunhar já a 22 de dezembro.

 

 

Passageiros

 

 

 

Depois de meses e meses de tanta expectativa, o dia 22 de dezembro consigo, finalmente, Passageiros, o filme de ficção científica protagonizado por Jennifer Lawrence e Chris Pratt.

 

Já muito se falou sobre este filme, que junta dois dos atores mais adorados da atualidade, e logo num filme em que parte é apenas com os dois.

 

Estou a tentar manter as expectativas mais baixas, até porque há demasiada estrela envolvida para que depois acabe por correr mal. Veremos...

 

 

The Light Between Oceans

 

 

 

Novamente, outro daqueles sobre o qual já falei vezes sem conta. Estou mesmo muito entusiasmada por ver este filme, e tenho resistido a ler as críticas que já saíram – até porque, em Portugal, só estreia a 29 de dezembro. Vai ser o meu último filme do ano, e quero acabar 2016 em grande!

 

Para já tem Michael Fassbender e Alicia Vikander, duas das minhas crushes atuais no papel de um casal que encontra uma criança na praia e decide adotá-la. Depois, surge Rachel Weizs, por quem tenho um fraquinho desde A Múmia. Ela é a mãe verdadeira da criança, que sem querer vem destabilizar a paz desta família.

 

Olhar para estas imagens mostra tudo: beleza, desespero, amor, coragem, felicidade, tristeza... O ambiente, as expressões... Não há nada que não me diga que isto vai ser um tiro furado.

 

 

Silêncio

 

 

Curioso como não se encontram trailers sobre Silêncio, o novo filme de Martin Scorsese, depois de quase três décadas em projeto.

 

É verdade: o realizador confessou que já queria adaptar esta obra do escritor Shusaku Endo sobre dois jesuítas portugueses que chegaram ao Japão, e encontraram como os japoneses convertidos ao cristianismo eram tratados. Andrew Garfield e Liam Neeson estão encarregues de interpretar os dois portugueses.

 

Por cá, será curioso ver como é que a história será tratada, já que conta as aventuras e torturas de dois portugueses. E a expectativa é muita: o filme será lançado em dezembro num número limitado de salas para que possa ainda concorrer aos Óscares de 2017. A imprensa anuncia que será lançado em Portugal a 29 de dezembro, mas é possível que seja adiado para janeiro.

Carta aberta sobre O Diário da Princesa 3

03.11.16 | Maria Juana

Olá. O meu nome é Maria Juana. Tenho 24 anos, e sou fã de cinema. Daquelas fãs que olha para alguns filmes e pensa neles como amigos de infância, ou irmãos mais novos. São dignos de serem protegidos e guardados no coração com carinho, e ver e rever quando preciso de calor no meu dia-a-dia.

 

O Diário da Princesa é um desses filmes. Era o símbolo de como a mais simples menina, o patinho mais feio, podia ser uma princesa verdadeira - e que até tinha a Julie Andrews como avó.

Por isso, O Diário da Princesa tem um lugar muito especial no meu coração.

 

 

Li há uns tempos uma notícia em que se punha a hipótese de existir um terceiro filme de O Diário da Princesa. A notícia dizia que Anne Hathaway, Julie Andrews e Garry Marshall tinham estado a falar sobre o projeto, e só faltava o OK da Disney e do restante elenco para avançar.

 

A ideia já estava um pouco formada: o filme seria sobre a luta de Mia (a princesa) na idade adulta; os seus desafios, e dilemas, e todas as decisões que tem de tomar na sua chegada ao trono de Genovia.

 

Escrevo esta carta aos produtores, à Disney e a quem possa ter uma palavra a dizer sobre o assunto: tenham cautela, tenham muita cautela. Eu quero ver uma continuação de O Diário da Princesa. Se a Mia não consegue lidar com os dramas da vida adulta, eu quero ver, eu quero poder ver à minha frente que todos temos problemas e dúvidas - mesmo quando somos princesas e temos um armário cheio de roupa bonita.

 

Eu preciso de ver que as pessoas crescem, e não ficam só no seu cantinho depois de chegar o fim do filme. Que há uma continuação, que aquelas pessoas com quem criei laços e uma ligação também continuaram com as suas vidas (como se fossem reais). Para alguém que tem estas histórias no coração é reconfortante.

 

 

Mas quero pedir-vos cautela. Como eu, existem milhares ou milhões de jovens que querem ver a Mia, mas que ainda guardam aquela imagem de inocência e magia. Há uma certa aura em O Diário da Princesa que ainda preservamos, e que deve ser conservada.

 

Principalmente porque O Diário da Princesa não é um filme qualquer. Alguma vez imaginaram o que é ser uma menina perdida, e depois ter um exemplo como a Mia? Alguém que consegue adaptar-se e perceber que tem de sair da sua zona de conforto para ser rainha de um país inteiro? É muito poderoso!

 

E agora, se nos estragam essa imagem? Se deixa de ser aquela Mia tão inocentemente totó, mas muito inteligente e dedicada? Se a sua avó deixa de ter a audácia de ir contra tudo e todos? Não vai ser a mesma coisa…

 

Por isso peço-vos: tenham cautela. Pensem bem na situação, e vejam bem o caminho que querem seguir. Eu tenho esperança e fé de que pode sair boa coisa daí. Eu acredito em vocês (quem quer que vocês sejam).

 

Façam-no em memória de Garry Marshall, o realizador dos primeiros filmes e que, depois das conversações, faleceu sem prosseguir com o projeto. Façam-no decentemente por ele, e por nós.

Mas façam-no. Estaremos à espera.

Doutor Estranho (2016): os super-heróis viram feiticeiros

02.11.16 | Maria Juana

Sinopse: Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um neurocirurgião brilhante com uma carreira de sucesso. Arrogante e ciente do seu valor, acredita que a sua vida acabou quando sofre um acidente de carro que danifica as suas mãos. Depois de perder a fé na medicina ocidental, viaja até ao Nepal ao encontro de uma cura... e encontra um guia espiritual que lhe dá poderes inigualáveis.

 

 

Quando Doutor Strange surgiu pela primeira vez na banda desenhada, percebeu-se que esta era uma nova viagem para a Marvel. Aqui, a magia é rainha, e são os feitiços e poderes místicos que fazem dos super-heróis, super. Ao fim de tanta ação bruta, é bom assistir a uma nova vertente no universo Marvel.

 

E Doutor Estranho funciona exatamente como a lufada de ar fresco que a Marvel precisava. Nos últimos tempos, com a exceção de Guardiões da Galáxia, temos assistido a fórmulas e filmes repetidos, que nos deixam sem entusiasmo. Aqui voltamos às origens, em que temos um ótimo argumento, com personagens interessantes, e uma história que está bem cuidada e contada.

 

É o equilíbrio de que estávamos a precisar. Entre humor, ação e alguma lamechice, quase nos faz lembrar o primeiro Homem de Ferro, com aquela astúcia e personalidade única de Tony Stark – a mistura entre herói e besta que nos apaixonou.

 

Mas sem se tornar repetitivo: são personagens diferentes, com ambições e objetivos diferentes. O que têm em comum são visões que sabem o que nos mostrar para que fiquemos presos ao ecrã, e nos apaixonemos pelas personagens e os seus dilemas.

 

 

No caso de Strange, demora. Ele é egoísta, arrogante e dá-nos vontade de lhe atirar com algo à cabeça. Ao longo do filme, devagar, vamos conhecendo outros lados, outras emoções, e outras vontades que nos mostram que há muito mais para conhecer e gostar.

 

E da mesma forma que Tony Stark só podia ser interpretado por Robert Dawney Jr, depois de assistir a Doutor Estranho seria impensável pensar em alguém que não Benedict Cumberbatch para o papel. Ele dá uma classe e postura inigualáveis a qualquer personagem, e com esta não é diferente. Parece que lhe assenta que nem uma luva, que entra na sua alma e é impossível dissociar um de outro. Não é por acaso que a produção do filme atrasou para que Cumberbatch pudesse entrar – eles sabiam que era ideal para o papel.

 

Tal como todos os outros membros do elenco. Ao contrário do que acontece noutros filmes do género, não existem muitas personagens, o que é bom para que o argumento também possa ser simples e perceptível. Mas todas elas acrescentam valor – com um grande aplauso para Tilda Swinton, que está misteriosa e altiva, como era esperado.

 

É claro que podemos fizer que, no fundo, no fundo, Doutor Estranho não é nada que a Marvel já não nos tenha apresentado: um homem mimado que descobre poderes, é praticamente obrigado a salvar o mundo, e descobre o bem de ajudar os outros.

 

 

Não o nego. Da mesma forma, não nego que a ação possa parecer demasiado rápida, como se tudo acontecesse num piscar de olhos.

 

Apesar de tudo isso, acredito que este é um bom rumo. É a mesma história, mas a magia e os fantásticos efeitos visuais (muito bem dirigidos, sem nos parecerem estranhos ou deslocados do cenário real) dão-lhe outro encanto. É também outra personagem, com novas dimensões, mais negras e emocionais; e um argumento bem levado, que nos deixa presos ao ecrã sem ficarmos confusos ou querermos perder pitada da ação.

 

Para mim, isso é suficiente para me deixar entusiasmada pelo futuro. Mostra-nos que talvez esteja na hora da Marvel mudar de direção, de nos levar por caminhos diferentes e mais desafiantes. A presença de Strange no grande ecrã é um bom prenúncio – se bem que a sua presença está prevista para outros filmes Marvel.

 

Vou ficar triste se for pelo mesmo caminho dos restantes heróis e perder o encanto. É que gostei mesmo dele...

Before the Flood – porque devemos ver

01.11.16 | Maria Juana

Foi no domingo que Before the Flood, o documentário da National Geographic produzido por Leonardo DiCaprio, estreou no canal… e em toda a internet. Os produtores quiseram que todos tivessem acesso ao filme. Porquê? Porque temos de estar atentos antes que chegue a tempestade.

 

Há vários anos que DiCaprio tenta sensibilizar-nos para a importância de mudarmos hábitos e políticas. Em 2007 já tinha protagonizado o documentário A 11º Hora, e é o Mensageiro da Paz da ONU para as alterações climáticas.

 

Foi exatamente esse título que o fez viajar por todo o mundo para aprender mais sobre as alterações climáticas, e para ver os seus efeitos. Como diz no filme, já passou a altura em que bastava mudarmos as lâmpadas lá de casa e reciclar – está na altura de irmos mais longe.

 

 

Before the Flood é um filme National Geographic. Isso significa que, tal como estamos habituados nos seus documentários, este leva-nos uma viagem entre testemunhos e factos científicos, que nos mostram que é impossível refutar a sua veracidade. Tem um bom ritmo, e deixa-nos tão aterrados que não conseguimos parar de ver.

 

O documentário acompanha DiCaprio das suas viagens, e é o próprio que narra os acontecimentos. Ele reflete connosco sobre o que acabámos de ver, e dá-nos soluções com as quais podemos ajudar o planeta.

 

Isto se não chegarmos tarde de mais. O mais brilhante de Before the Flood é que tenta desconstruir as noções (erradas) de que as alterações climáticas não existem, para fazer ver ao público o quão urgentemente as políticas têm de mudar.

 

Parece que estamos a ver um filme de terror. Vemos à nossa frente um planeta a ser destruído, e custa acreditar que estamos a falar no planeta em que vivemos. Que lentamente o estamos a enviar para a forca.

 

 

Eu não sou exemplo para ninguém. Não sou o máximo a reciclar, e ando de carro quando posso. É verdade que reduzi o consumo de carne de vaca por questões ambientais, e que tento evitar o desperdício, mas sei que é muito pouco para o objetivo que precisamos alcançar.

 

A mensagem que nos é transmitida por DiCaprio é muito clara: já passou esse tempo. Comecem a pensar mais à frente, a exigir mais a quem tem o poder de mudar. As alterações climáticas não são tão importantes quanto a crise económica? Coloquemos a questão neste prisma: se o aquecimento global continuar, a crise económica vai ser a menor das nossas preocupações.

 

Sim, é importante assistir a Before the Flood. Nem que seja para nos manter atentos, para abrirmos os olhos a uma realidade que já não podemos ignorar. O clima está a mudar e já não podemos ficar de braços cruzados à espera que alguém faça alguma coisa por nós. Somos nós que temos de pressionar governantes e escolhê-los para que essa seja também a sua preocupação. Temos um país pequeno, mas que tem investido cada vez em políticas ambientais – e assim tem de permanecer.

 

Está nas nossas mãos certificar-nos disso mesmo, e tentarmos ao máximo diminuir a nossa pegada.

 

A nossa sobrevivência está em risco.

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