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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Inferno (2016): O Código Da Vinci 2.0

17.10.16 | Maria Juana

Sinopse: Robert Langdon (Tom Hanks) acorda num hospital em Florença, sem qualquer memória dos últimos dois dias. E sem saber como, vê-se envolvido numa corrida contra o tempo, para descobrir um vírus que pretende matar grande parte da população humana. Ao seu lado tem uma médica, Sienna Brooks (Felicity Jones), e muitos enigmas para descobrir.

 

 

Vamos lá todos ser sinceros: ninguém estava à espera que Inferno fosse muito diferente dos anteriores capítulos de Robert Langdon, O Código Da Vinci (2006) e Anjos e Demónios (2009). Basta ver o trailer para perceber que a fórmula é a mesma: alguém comete um crime, muita História envolvida, e Langdon a salvar o mundo.

 

Mas como todos aqueles que já leram Inferno, de Dan Brown (do qual o filme é adaptado), sabia que não era bem assim. E por isso, fui ao cinema com um pouco mais de expectativa. Até que Ron Howard decide trocar-me as voltas.

 

Eu confesso que já li praticamente, se não mesmo todos, os livros de Dan Brown. Sou aficionada por História, por isso os seus livros são como uma mina de oiro. Mas ao longo dos anos (e dos livros), além da capacidade escrita, Brown tem perdido alguma criativa. Quando li Inferno fiquei feliz, porque nos afastámos das teorias da conspiração e passámos para cenários entre a ficção e realidade, que nos fazem pensar e refletir. Gostei disso.

 

Por isso, no filme, estava à espera dessa mesma novidade. De certa forma existiu: nota-se que Howard tentou ir por outro lado, com mais acção, um pouco mais de fantasia, e efeitos especiais que põe Inferno num patamar diferente dos outros dois.

 

 

Infelizmente, a restante fórmula não mudou. Tom Hanks, por muito bom que seja no seu trabalho, não deixa de ser o Robert Langdon que até agora conhecemos, pronto a salvar o mundo com os seus conhecimentos históricos. Sempre fazendo uma descoberta, que afinal está errada e só quando chega ao destino é que descobre a verdadeira resposta. E sempre com uma companheira feminina.

 

É triste. Ao nível da história e alinhamento do argumento, é verdade que não podiam fazer muito mais; afinal, estão a seguir a linha histórica criada por Dan Brown. Mas o que me entristece mais é que houve demasiada liberdade criativa desta vez, e em vez de fazer um filme um pouco diferente dos anteriores, transformaram-no numa cópia mal disfarçada. 

 

Será que Hollywood ainda nos sabe mostrar coisas diferentes? Bem,a verdade é que todos os dias temos novidades e filmes a surgir que nos mostram que existe criatividade, histórias dignas de serem contadas, e lufadas de ar fresco. No entanto, Inferno veio revelar uma realidade que tenho tentado evitar: há quem tenha muito medo de arriscar. Principalmente quando estão grandes estúdios, e grandes blockbusters, envolvidos.

 

 

Sei que isto não é regra – ou melhor, quero acreditar nisso. Mas ao assistir a Inferno, fiquei com a sensação que este não é um problema de agora. Aliás, é a confirmação daquilo que assistimos em Esquadrão Suicída: como uma grande história, repleta de bons atores, que nos deixa devastados porque não pode fugir do status quo.

 

No particular caso de Inferno, fiquei triste porque a produção parecia a nossa seleção de futebol: em equipa que achamos que ganha, ninguém mexe! Em vez de tentarem um ângulo diferente, foram fazer precisamente o que já tinha sido feito, e teve sucesso – mesmo quando o livro pedia algo diferente.

 

E não houve bons atores que o salvassem. Até porque o ritmo não é equilibrado, perdemo-nos na ação, e chegamos a meio com a certeza de que sabemos como vai acabar, e a desejar que acabe.

 

Ron, vá lá. Reconheço o esforço, mas sabes fazer melhor.

TRAILER DA SEMANA: Go Go Power Rangers!

11.10.16 | Maria Juana

Lembram-se quando, há uns tempos, partilhámos na página de Facebook do Pipocas a primeira imagem de Elizabeth Banks no novo filme dos Power Rangers? Isso das primeiras imagens já era: agora, foi divulgado o primeiro teaser trailer, cheio de ação e mistérios!

 

 

Como podem ter percebido, neste novo filme vamos finalmente perceber a origem destes heróisimprováveis – que aparentemente eram apenas adolescentes normais até encontrarem uma nave alienígena.

 

Eu digo finamente porque, confesso, não me lembro de como é que tudo começou. Eu era uma grande fã de Power Rangers, e não perdia um episódio. Além disso, perdi a conta ao número de vezes que assisti a Mighy Morphin Power Rangers, o filme de 1995 que me fez apaixonar pelo Ranger prateado (quando eu gostava sempre mais do vermelho – e claro que na minha cabeça, eu era sempre a cor-de-rosa). Mas mesmo assim, na minha memória perdeu-se a sua origem.

 

Por isso, vou partir do princípio que este novo filme está fidedigno.

 

Ainda por cima, estão a elevar os Power Rangers de mera série de TV com qualidade duvidosa, a um blockbuster de ação digno de ser visto numa sala de cinema! Nunca acreditei que este dia chegasse…

 

 

Até porque não fiquei mal impressionada com as imagens. Sim, eu sei que sou aquela esquisita que não gosta de remakes e novas versões, mas se formos ver, nunca houve nada semelhante feito com os Power Rangers. Este novo filme não é nem um remake, mas sim um revistar da história.

 

E digo sem vergonhas: para o estilo, parece-me muito bem!

Christopher Reeve: o eterno Super-Homem

10.10.16 | Maria Juana

Há figuras que nos ficam na memória. Atores que interpretam personagens icónicas, vilões e heróis que ganham na história um lugar. Christopher Reeve é uma dessas figuras.

 

A maioria conhece-o apenas pelo papel de Clark Kent e Super-Homem, no primeiro filme do heri no grande ecrã, em 1973. À data (e ainda hoje), foi um sucesso. Foi também o primeiro grande super-herói a chegar, e fez acreditar que afinal este podia ser um caminho a seguir. Em muito, a responsabilidade foi de Reeve.

 

Com a sua graça e elegância, conseguiu de uma vez interpretar o herói sem medo, destemido e pronto para a ação, mas também a sua parte humana, desleixada e até gaga. Aliás, Reeve aceitou o papel exatamente porque achava um desafio poder interpretar duas personagens tão diferentes, mas tão iguais, ao mesmo tempo.

 

 

Até porque enquanto ator, o que ele gostava era de ser desafiado. Ao longo da sua carreira, chegou a recusar papéis em filmes de ação que mais tarde se tornaram êxitos, porque considerava os seus argumentos pobres e com pouco para dar à imaginação.

 

Não nos podemos esquecer que estamos a falar de um ator que estudou na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, e que foi um dos únicos dois candidatos aceites no seu ano para entrar na conceituada escola de artes Julliard. O outro? Era Robin Williams.

 

Reeve foi muito além dos papéis que lhe conhecemos no cinema e televisão. No início da sua carreira, esteve numa companhia de teatro shakespeariano, e chegou a fazer parte de uma peça na Broadway com Katherine Hepburn. O senhor não parou, e tudo com a sua extrema dedicação e constante elegância.

 

 

Nem mesmo quando em 1995, depois de um acidente de cavalo, ficou imobilizado do pescoço para baixo. Ativista, continuou a trabalhar e a mostrar-nos que quem corre por gosto, não cansa.

 

Nunca me cansei de ver Chris Reeve no ecrã. É verdade que nas primeiras vezes, era o Super-Homem que estava a ver. Foram quatro os filmes (se bem que Reeve se tenha arrependido dos dois últimos), fora os tantos outros testemunhos que temos do seu talento.

 

Partiu há 12 anos, num 10 de outubro que nasceu mais cinzento. Tínhamos perdido aquele olhar azul que nos fez imaginar além das nossas capacidades. Mas ficaram os filmes, e as personagens. E um sorriso que deixa qualquer pessoa bem-disposta, e alegre por conseguir testemunhar a sua beleza.

 

Blackfish, o Cinema em prol do conhecimento

09.10.16 | Maria Juana

Desde que saiu, em 2013, que quero assistir a Blackfish (ou Orca – Fúria Animal em português). É um documentário realizado por Gabriela Cowperthwaite, que pretende mostrar como é que vivem as orcas em cativeiro, e como é que isso as põe em perigo, bem como aos seus treinadores. Nada como um sábado à tarde para nos fazer revisitar desejos antigos.

 

Antes de Blackfish começar, eu já sabia que ia ficar chocada com o que ía ver. Tinha visto alguns trailers e lido várias opiniões. Depois de ver Blackfish, apercebi-me que afinal nenhum trailer ou opinião conseguiria mostrar verdadeiramente o que estas orcas, e os seus treinadores, passam.

 

Contextualizando: nos Estados Unidos, existem três parques aquáticos SeaWorld. Lá, são diariamente expostos espetáculos com orcas em cativeiro, entre outros animais – uma espécie de Zoomarine, vá. Segundo a Wikipedia (estrangeira, é mais credível), nos três parques existem 23 orcas, e seis outras estão emprestadas a um parque espanhol. Todas elas vivem em cativeiro; algumas nasceram lá, outras foram capturadas ainda bebés.

 

 

Quem diz capturadas diz raptadas do seio das suas mães. Fiquei a descobrir com Blackfish (que se concentra nos acidentes entre orcas e treinadores nos parques SeaWorld, e nas mentiras que os responsáveis dos parques dizem sobre eles) que as orcas são animais muito emocionais e sociais. Os filhos só saem de perto das mães nos dias em que elas morrem.

 

Nos primórdios dos parques SeaWorld, a administração enviava baleeiros capturar as crias. Um dos testemunhos que mais me marcou foi de um destes baleeiros, que ouviu os lamentos da família no momento em que a cria é retirada da mãe.

 

Este foi um dos testemunhos que fez de Blackfish, além de educativo, como todos os documentários devem ser, muito bem feito. Não temos narradores a contar-nos as histórias, mas não precisamos. As histórias são-nos contadas por antigos treinadores no SeaWorld e outras testemunhas, que entraram num mundo que pensavam de sonho, e saíram sabendo que nem tudo é o que parece.

 

O filme é todo ele muito bem dirigido, e nota-se a preocupação de Cowperthwaite em contar todos os pormenores da história. Misturados com os testemunhos, e de forma subtil mas correta, estão imagens reais do comportamento das orcas.

 

 Antigos treinadores do SeaWorld que participaram em Blackfish, e expõe várias vezes as condições vividas nos parques.

 

Mas mais do que mostrar os acontecimentos, Cowperthwaite quis mostrar também o que são as orcas, o seu temperamento no mundo selvagem, e as consequências do cativeiro. Está muito bem pensado pela realizadora; as voltas que ela dá estão tão bem organizadas, que nos parecem mais do que naturais.

 

No fundo, é um documentário mais do que bem construído – é um filme digno de ser visto. Além da sua história, perdemos a noção que estamos a ver um documentário, e parece-nos apenas informação preciosa.

 

Porque não nos podemos esquecer do porquê de Blackfish existir. O documentário utiliza a morte de uma treinadora do SeaWorld (puxada pela orca Tilikum para dentro da piscina durante um espetáculo e brutalmente esventrada) como base para a sua história.

 

Dawn Brancheau faleceu em 2010 depois de ser puxada por Tilikum.

 

Aliás, Tilikum é o grande protagonista. É o seu comportamento que é analisado, não como uma orca normal, mas uma que toda a sua vida viveu em cativeiro, e que já esteve envolvido na morte de três pessoas (incluindo duas treinadoras). Como uma orca que viveu os primeiros anos de cativeiros numa piscina minúscula com duas outras, que o feriam várias vezes ao dia. Como uma orca que foi fortemente influenciada pelas condições de vida, que perdeu contacto com a família.

 

Escusado será dizer que Blackfish quer demonstrar como o comportamento de Tilikum, e de outras orcas, não é o comportamento natural. Também quer demonstrar como o termo baleias assassinas está incorreto. E eu concordo. Recuso-me a chamar baleia assassina a um animal amistoso, que não nasce com comportamentos violentos, mas que os seres humanos tornam violento. 

 

Só porque gostamos de ver animais majestosos a fazer truques num tanque? Ou porque queremos ganhar dinheiro?

 

 

Alguém durante o documentário dizia que não conseguia viver num mundo em que não pudéssemos contactar com estes animais, e que se os valorizamos e à sua beleza e inteligência, não devíamos questionar a existência de parques como o SeaWorld.

 

Bem, depois de ver Blackfish, eu questiono. E questionam muitos dos treinadores que trabalharam diretamente com estas orcas, e percebem que faziam parte do problema.

 

Às vezes, é por isso que gosto do Cinema – ficamos com os olhos tão mais abertos para a realidade...

A elegância de Natalie Portman

07.10.16 | Maria Juana

Hoje não vou alongar-me. Ate porque não preciso. 

 

Provavelmente já ouviram falar de Jackie, o novo filme protagonizado por Natalie Portman, em que a atriz interpreta Jackie Kennedy. O filme, que foi visto pela primeira vez esta semana, acompanha o dia-a-dia de Jackie depois do assassinato do marido, John F. Kennedy, depois de ter sido assassinado em 1963. 

 

Mais um filme biográfico? Sim, muito provavelmente é um filme biográfico semelhante aos que já vimos. Só que não quero acreditar nisso. Até porque, pelo teaser trailer que entretanto foi lançado, Portman parece estar mais elegante do que nunca, e mais introspetiva do que nunca.

 

 

As críticas elogiaram o filme, e ainda mais a performance de Portman. Todos acreditam que vai existir uma nomeação para o Óscar da Academia, quiça a vitória. 

 

Quanto a isso não sei. Mas acredito nas capacidades de Portman, e sei que tem talento para isso e muito mais. E estou desejosa de ver este filme! Estreia em dezembro.

 

 

Os Sete Magníficos (2016): uma magnífica noite

04.10.16 | Maria Juana

Sinopse: Século XIX. Em Rose Creak, Bart Bogue (Peter Sarsgaard) obriga toda a população a vender as duas terras para poder explorar minas de ouro. Em busca de justiça pela morte do marido, Emma (Haley Bennett) contrata Sam Chisolm (Denzel Washington) para voltar a ganhar controlo sobre a sua cidade. Conseguirá Chisolm e os seus seis companheiros fazer frente ao exército de Bogue.

 

 

 

Atenção: isto é um western à antiga. Ou melhor: é um filme em que existem mais tiros do que diálogos, brincadeiras com armas, muito álcool e uma grande dose de testosterona.

 

Mas não só: ao contrário dos westerns do passado, este tem pessoas vindas dos vários cantos dos Estados Unidos, entre negros, asiáticos, mexicanos e, vai-se lá saber por que propósito, até mulheres!

 

A ideia foi de Antoine Fuqua, o realizador. Os Sete Magníficos baseia-se no filme do mesmo nome de 1960, que por sua vez se baseia em Seven Samurai, um filme japonês de1954. O que Fuqua quis fazer foi respeitar ambas as origens, dando-lhe ainda sim um toque contemporâneo – daí a miscelânea de raças e géneros disposta a disparar.

 

Numa entrevista, Fuqua diz exatamente que, “se fosse para fazer a mesma coisa, todos os filmes iam ter brancos como o John Wayne num filme de John Ford.” O que é uma pena; o western é um género que ficou muito nos primórdios do cinema, e perdeu atualidade.

 

 

Creio que este Os Sete Magníficos quis exatamente dar-lhe essa atualidade. E fê-lo bem, tendo em conta que consegue pegar em todas as suas virtudes, e dar-lhe o tal toque moderno.

 

Mas talvez demore um pouco mais tempo do que era necessário. A narrativa, se bem que bem construída qb (vá, é um western, vão sempre existir personagens que não sabemos bem como é que chegaram ali), alonga-se demasiado no tempo.

 

O facto de ser um argumento bem construído e de ter uma realização adequada atenua um pouco isso – que é como quem diz, só nos apercebemos que passamos muito tempo dentro da sala quando nos começa a dar a fome, ou olhamos para o relógio. O tempo a mais não acrescenta muito à história, que talvez pudesse ser contada de forma mais célere.

 

Mesmo assim, temos de nos concentrar no que há de bom. Além de tudo o que já leram até aqui (do argumento à realização), é impossível não olhar para este conjunto de atores e não ficar rendido. Cada um deles dá um dimensão tal às suas personagens que temos dificuldade em escolher um preferido – mas escolhemos, porque ainda não consigo esquecer o Jack Horne interpretado por Vincent D’Onofrio.

 

 

Não há um único que não nos faça acreditar que é um cowboy, e Denzel Washington está qualquer coisa de extraordinário com aquele seu ar de mauzão misterioso. Até porque, Os Sete Magníficos vive muito deste grupo: eles são os magníficos, eles são os grandes que enfrentam exércitos. Quem os interpreta teve de estar à altura, mas teve apoio de peso.

 

Às vezes, sabe bem sair da sala de cinema sabendo que não assistimos a um filme digno de prémios, mas que nos deixa de sorriso na cara. Os bons filmes não precisam de ganhar Óscares ou Globos de Ouro; só precisamos de encontrar uma história que nos cative, e que todas as peças do puzzle se juntem na perfeição.

 

É o que acontece aqui. E é magnífico.

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