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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

A Queda de Wall Street, ou como as pessoas andam sempre a lixar-nos

08.02.16 | Maria Juana

Sinopse: Em 2005, um financeiro de Wall Street, Michael Burry (Christian Bale), descobriu que o mercado imobiliário estava assente numa bolha, e que essa bolha estava prestes a rebentar e a fazer colapsar a economia norte-americana. A sua decisão de ir contra os grandes bancos foi descoberta por outros poucos especialistas, e juntos viram aquilo que mais ninguém quis ver… até que fosse tarde de mais.

 

 

Os dramas financeiros estão na moda, pelo menos nos últimos anos. Tudo começou com Wall Street - Poder e Cobiça, em 1987, que viu a sua sequela, O Dinheiro Nunca Dorme, chegar em 2010 - ano em que o documentário Inside Job - Trabalho Interno, causou polémica; um ano depois, Margin Call - O Dia Antes do Fim, dá-nos mais umas luzes sobre o início da crise financeira mundial; mais recentemente, O Lobo de Wall Street, vem confirmar, se bem que de forma diferente, que Wall Street está mesmo cheia de histórias para contar.

 

Pena que não tenham muito de bom nelas. Se o mais recente Lobo de Wall Street nos conta a história de um homem que aproveitou o mercado financeiro para enriquecer à conta de crimes e desfalques, este A Queda de Wall Street mostra que, afinal, o próprio mercado financeiro anda a cometer crime atrás de crime, criando uma bolha que nos coloca a todos em risco.

 

E tanto fizeram que, em 2007, aquilo que meia dúzia de pessoas previu aconteceu mesmo, deixando milhões de famílias à beira da ruína. 

 

 

O que é bom (e mau) no filme de Adam McKay é que percebemos de forma simples tudo o que aconteceu até ao desastre de 2007: o realizador desconstrói a história e monta todas as peças do puzzle de maneira a que até o complicado seja facilmente compreensível. E entre brincadeiras e presenças especiais de personagens de que não estávamos à espera (como Selena Gomez, Anthony Bourdain ou Margot Robbie), entendemos a difícil linguagem e os meandros complexos daquela situação.

 

Nesse aspeto, é um dos realizadores mais inventivos do lote de premiados deste ano, porque pegou numa peça complexa e teve de a tornar atrativa e simples de compreender. O seu background na comédia com certeza que ajudou, porque conseguiu fazê-lo sem problema.

 

E não estava sozinho: com ele chega-nos um elenco que merece destaque tanto individualmente, como enquanto grupo. Mesmo que as suas histórias não se cruzem presencialmente, cada um dos atores que deixa marca em A Queda de Wall Street acrescenta o seu cunho de maravilha. Christian Bale foi agraciado com uma nomeação para Melhor Ator Secundário (e bem justificada), mas ficaria igualmente bem entregue a um assertivo Steve Carrell, ou a um provocador Ryan Gosling.

 

 

A mestria de A Queda de Wall Street passa definitivamente por um argumento bem estruturado, e uma realização e edição que o acompanham sem igual. É isso que nos faz olhar para ele não como mais um filme sobre Wall Street, mas sim como uma obra digna de ser vista e revista, e destacada entre os seus pares.

 

Se é o melhor do ano? Não sei dizer. Tudo o que faz de A Queda de Wall Street um bom filme, encontramos em tantos outros - o que não lhe tira mérito: ri, fiquei abismada com a informação, emocionada com as repercussões das suas ações, e continuo a considerá-lo um filme excelente, com uma nomeação mais do que merecida.

 

É o meu tipo de filme: a dose certa de humor, loucura, crítica social q.b. e interpretações do camandro. Só não posso dizer que me arrebatou como estava à espera. E eu preciso de ser arrebatada para o considerar o melhor entre os melhores.

 

De 0 a All hail Ryan Gosling leva: O Ryan Gosling é tãaao giro!

 

E se as estrelas da Disney fossem desenhadas por Tim Burton?

06.02.16 | Maria Juana

As personagens da Walt Disney fazem parte do nosso imaginário. Da Branca de Neve (que fez ontem, 04 de fevereiro, 78 anos) à Pequena Sereia, seguidas do Aladin ou Rei Leão, todos crescemos com as suas linhas suaves e animações bem conseguidas.

 

Mas e se essas linhas tão características tivessem sido desenhadas por Tim Burton?

 

O realizador (e ilustrador nas horas vagas, não fosse ter já publicado alguns livros e até filmes de animação) tem um jeito peculiar para desenhar. São linhas direitas, em ambientes góticos, que quando vemos não conseguimos negar: estamos mesmo perante uma obra de Tim Burton.

 

E mesmo que tenha criado obras como O Estranho Mundo de Jack ou Frankenweenie, os clássicos continuam a ter linhas clássicas e precisas...

 

Pelo menos tinham, antes de Andrew Tarusov ter adicionado a algumas das nossas personagens, um toque especial. O artista russo baseado em Los Angeles pegou em algumas das histórias clássicas da Disney, e transformou-as para que ficassem com o toque Tim Burton.

 

O resultado? A meu ver, o lado negro que Pinóquio ou Bambi estavam mesmo a precisar!

 

Vejam alguns exemplos em baixo. Aqui podem ver os restantes exemplos.

Drive In #5 - The Expendables

04.02.16 | Maria Juana

O holofote do Drive In ilumina, esta semana, um filme que está na lista (em várias, até) dos melhores piores filmes de sempre. Vá, algumas pistas: é realizado e protagonizado por Sylvester Stallone; outros membros do elenco são nomes como Jason Statham, Bruce Willis, Mickey Rourke, Jet Li e Arnold Schwarzenegger (num pequeno cameo). Tem tantos produtores como eu anos de vida – e todos sabemos que, normalmente, isso não é um bom augúrio. Já adivinharam?

 

Estou a falar, é claro, do The Expendables.

 

A história segue um grupo de mercenários, contratado pela CIA para aniquilar um ex-operacional da agência e um ditador de uma ilha ao largo do Golfo. Nunca sabemos absolutamente nada sobre como é que o grupo se formou ou por que razão se chamam Expendables – mas como diria Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada.

 

Devo admitir que, inicialmente, fui ver este filme sem perceber porque é que estava praticamente em todas essas listas menos boas. Tem uma pontuação mediana no IMDB (6.5/10), e até a tia Teté, habituada às lides do jet set, ia ficar espantada com tanto ator famoso no elenco, todos peritos em ação de todo o tipo – desde as artes marciais ao boxe e à pancadaria pura e sem classe. Portanto, como é que a coisa podia correr mal?

 

Bom, até pode. Mas só um bocadinho.

 

Logo ao início, começo a distrair-me com os efeitos especiais manhosos nos lasers das armas dos nossos mercenários, assim ao nível do Godzilla em 1998. E a primeira morte? Foi mais ou menos como se o lagarto himself tivesse feito um pequeno featuring, tal não foi o soft gore que se viu – e que é uma constante durante todo o filme.

 

Por outro lado, os diálogos puxaram-me de volta para o filme em si: apesar de simples, são recheados de humor, e fizeram o eterno Rocky subir uns pontos na minha consideração, dado que, para além de realizador desta obra prima, Sly também teve dedo no argumento. Aliás, e na minha humilde opinião, escreveu uma das melhores cenas de sempre, em que Schwarzenegger entra numa igreja like a boss, onde Bruce Willis e Sly Stallone estão à sua espera, e a conversa que se segue é completamente surreal….mais valia ter escrito “o austríaco, o americano e o Rambo entram num bar….”.

 

Mas este filme não se fica por aí em cenas memoráveis. Mickey Rourke, no tempo livre em que não é mercenário, é um tatuador de tal ordem, que escreve quatro letras em script complexo em menos de dez segundos nas costas de Stallone! E depois? Depois entra num momento de reflexão e introspeção, em que fala sobre “acreditar na alma” e “partes do corpo humano”. Estranho, sim, mas nas entrelinhas passa a mensagem de que os mercenários são humanos e também têm coração, e que é um trabalho tão ou mais desgastante do que qualquer outro - o que é engraçado, porque não deixa de ser um paradoxo e fala à complexidade dos personagens, num filme que é, essencialmente, cliché.

 

Apesar disso, as doses de ação são q.b., em quantidades moderadas, nos timings certos e muito bem coreografadas. Já em termos técnicos, não é nenhuma maravilha: a fotografia é um bocado amadora (sem ser horrível), e fora os efeitos especiais que eu usei nos meus trabalhos do 6º ano, não é um filme mal editado. Stallone fez um bom trabalho na realização, apesar de o foco do filme ser praticamente todo nele próprio (e que tal uma fatia de humble pie, Sly?), e as interpretações serem medianas, at best….

 

….com a exceção das veias de Stallone, sempre dentro do frame e prontas a brilhar.

 

I promise I’ll always be around,

DeLorean

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Um filme abençoado

03.02.16 | Maria Juana

O Papa Francisco vai entrar num filme. Oh, espera, afinal já não vai. Então, vai ou não vai? A internet deixa-me confusa.

 

No início da semana, surgiram várias notícias de que o Papa Francisco ía tornar-se o primeiro Papa da História a participar num filme. A internet ficou doida! Será que o encontro com Leonardo DiCaprio (em que todos fazemos figas para que tenha existido uma benção que resulte num prémio bem dourado), o inspirou a seguir uma nova carreira? Só para o caso de o papado não resultar bem, claro…Enfim, é demais para uma semana só.

 

Ainda assim, as notícias multiplicaram: Sua Santidade ia participar num filme infantil da produtora italiana AMBI, chamada Beyond the Sun. A história era simples: crianças de diferentes culturas tomam o lugar dos apóstolos e procuram Jesus Cristo pelo mundo. 

 

Bem sei que o plotline não é o ideal para chamar a atenção de todo o mundo, mas entra O Papa…é mesmo preciso mais alguma coisa?

 

Só que agora o Vaticano veio estragar a festa: afinal, o Papa não é ator e não vai participar em nenhum filme.

 

Então, no que ficamos? 

 

Nem sei! Um dos desapontamentos da internet é que uma informação mal interpretada, ou até falsa, espalha-se que nem uma fagulha na floresta. O tempo para confirmar factos já não é o mesmo, e o importante são as visualizações que cada notícia consegue obter.

 

O que não só é triste para o mundo do jornalismo, mas também para nós, que agora não sabemos em quem acreditar. O Papa vai aparecer num filme ou não?

 

Ninguém sabe, possivelmente sem ser o próprio. E Deus.

O Caso Spotlight (2015): porque vale a pena

01.02.16 | Maria Juana

Sinopse: Em 2001, Marty Baron (Liev Schreiber) iniciou o seu primeiro dia como editor do Boston Globe com uma proposta: investigar um caso de abusos sexuais de menores por parte de um conhecido padre da cidade. Foi a equipa de investigação Spotlight, parte integrante do jornal, que ficou com o caso, descobrindo e revelando centenas de casos que a Igreja Católica sempre tentou esconder.

 

Quando entrei para a faculdade, em 2010, tinha um claro objetivo em mente: tornar-me jornalista. No meu imaginário tinha várias personagens e histórias que me faziam crer na nobreza da profissão, e da sua importância na sociedade - e ainda creio.

 

É por isso inevitável que O Caso Spotlight mexa comigo de forma pessoal. Foram pessoas e trabalhos como os retratados que deram rumo à minha vida, e se hoje trilho um caminho diferente, não foi por falta de inspiração.

 

Antes de tudo, é importante ter em mente que esta é uma história verídica. Os números que nos apresentam e os acontecimentos descritos são reais, e isso é meio caminho andado para sairmos da sala de cinema incrédulos e revoltados: como é possível que tenham deixado tantos crimes acontecerem sem terem feito nada para o evitar?

Em todos os momentos conseguimos sentir uma atmosfera à la Os Homens do Presidente (1976), mas que nos quer deixar mais revoltados e surpresos em relação às descobertas que foram feitas. Em muito, a responsabilidade é sem dúvida de Tom McCarthy, que tirou partido de uma realização simples e direta para nos contar aquilo que interessa: em Boston, as crianças eram abusadas pelos padres das suas paróquias, e toda a gente sabia.

 

O realismo de O Caso Spotlight pauta-se ainda pelo trabalho de bastidores, tão importante quanto aquele que é feito em frente às câmaras: além dos atores terem conhecido aqueles que interpretaram, os próprios jornalistas tiveram uma intervenção ativa durante a gravação do filme.

 

São esses os pormenores que fazem a diferença. Não há grande espaço para a ficção.

 

É difícil fugir da importância de transmitir esta mensagem, não só pela forma como o argumento está escrito, mas também pela marca que cada ator deixa nas suas personagens.

Em entrevista ao Expresso, o verdadeiro Mike Rezendes (interpretado por Mark Ruffalo e descendente de portugueses, um pormenor que “confessa” a meio do filme) diz que escolheu ser jornalista para “fazer um trabalho que ajudasse a tornar o mundo um lugar melhor.” Ruffalo é de tal forma intenso na sua interpretação, que essa motivação está mais do que vincada ao longo de todo o filme, notando-se a vontade de contar a história de Rezendes da melhor forma.

 

Não é o único: embora nenhuma personagem se destaque por si só - o filme é, afinal de contas, sobre uma equipa -, todas mostram a sua importância e razão de ser. Os típicos momentos hollywoodescos sobre as suas vidas pessoais, se bem que existentes, são utilizados apenas para mostrar a sua envolvência na história; de lado, ficam os momentos emocionais cliché, que mostram como esta é uma profissão difícil e desgastante – porque não é isso que é importante.

 

O Caso Spotlight é, acima de tudo, o testemunho de um marco importante na história do jornalismo e da justiça, e tem tudo o que precisamos num bom filme: é um relato bem feito, apoiado num argumento bem construído, com interpretações de topo e uma realização que sabe conjugar tudo isto da melhor forma.

 

A sua mensagem é um extra. Saber como tanta gente encobriu estes casos, e de como tantas crianças sofreram, deixa qualquer um de coração partido. É por isso que o jornalismo é importante, e é por isso que, quando bem feito, é indispensável; são eles que nos dão a conhecer a verdade que todos tentam esconder.

 

De 0 a Isto é qualquer coisa de genial, leva: isto é mesmo muita bom! (e até agora, um dos meus preferidos na corrida deste ano).

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