Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

ZOOM IN: O império de Rocky Balboa

(Este texto requer banda sonora. Mas sintam-se à vontade para pausar, no final do artigo)

 

Rocky Balboa não é apenas o nome de uma personagem cinematográfica. Ele é quase uma instituição, uma inspiração de alguém que lutou para chegar aos seus objetivos, e conseguiu sempre ultrapassar as dificuldades. É o testemunho de resiliência.

 

Tal como é o seu criador e cara, Sylvester Stallone. A verdade é que a maioria de nós olha para Stallone como um ator que tem jeito apenas para este tipo de papéis durões e sem grande sumo. A sua biografia no site IMDB diz isso mesmo: ele nunca será recordado pelas suas grandes capacidades de interpretação, mas é conhecido de todos e nunca será esquecido.

 

 

O que muitas vezes nos esquecemos é que Stallone vai além desse durão. Ele é argumentista, realizador e produtor, e se há testemunho do seu talento, é Rocky.

 

A 21 de novembro de 1976, estreava aquele que seria o primeiro filme de uma saga que percorreu gerações. O protagonista era Rocky Balboa, um italo-americano sem grande jeito para outra coisa que não o boxe. É no boxe que faz carreira, mesmo quando mais ninguém esperava que conseguisse. Mas consegue, e torna-se no campeão do povo.

 

É uma personagem icónica, criada por Stallone. O argumento foi escrito pelo ator, e poucos acreditavam no sucesso do filme. Tinham sido 28 dias de filmagens, com uma história banal que ia do boxer sobrestimado, à história de amor improvável.

 

 

Era também improvável o seu sucesso, mas a verdade é que, alem dos milhões que arrecadou em bilheteiras de todo o mundo, Rocky conseguiu ganhar o Óscar da Academia para Melhor Filme, Melhor Realização (para John G. Avildsen) e Melhor Edição. Stallone esteve ainda nomeado para Melhor Argumento e Melhor Ator, entre outras nomeações que o filme recebeu.

 

Foi o início de um império, que ainda tem poder nos dias que correm.

 

O sucesso de Rocky… e de Stallone

 

Hoje, existem sete filmes ligados ao universo de Rocky, seis deles com argumento original de Stallone. Quatro contaram ainda com a realização do ator, que conseguiu triplicar as suas funções – realizador, argumentista e protagonista.

 

Não há ninguém que conheça Rocky tão bem quanto ele. Mais do que criador, Stallone é o corpo, a voz e a alma de Rocky, e muito do que nos fez gostar tanto da saga vem da sua motivação e vontade. É genuino, humilde, mas lutador e senhor dos seus valores; sabe quanto vale, e aquilo de que é capaz, e não há ninguém que lhe diga o contrário. Não é inspirador?

 

Quem ler estas palavras, pode julgar que está a ler sobre o próprio Sly. Ele também não desistiu, e sabia que esta história tinha valor. Foi por isso que conseguiu produzir cinco sequelas, que acompanharam as várias fases da carreira de Rocky… e da sua própria. Houve a confirmação do valor do campeão comum título mundial em Rocky II, das suas dúvidas sobre se deve continuar em Rocky III. Em Rocky IV, onde começou um declínio da crítica, já existe quase um “esticar da corda”, e finalmente em Rocky V ele mostra que sabe lidar com as críticas com um bom soco no estômago.

 

Em Rocky IV, Rocky foge da reforma para lutar contra Ivan Drago (Dolph Lundgren), um boxer da URSS que desafia o norte-americano para um combate.

 

 

A redenção chega em Rocky Balboa, 16 anos depois de se ter retirado. Há ainda espírito em Rocky, e um público que o quer ver, tal como há um público para Stallone. Eles andam de mãos dadas, lado a lado.

 

O futuro

 

2015 trouxe outra novidade: Creed, o sétimo filme da série e o primeiro que não conta com argumento de Stallone. Estamos perante um passar do testemunho, em vários aspetos: tanto no protagonismo, como no rumo da história.

 

 

Sly continua presente, mas desta vez enquanto mentor. Não só mentor de Michael B. Jordan, o novo protagonista, mas também na forma de Rocky. O Rocky que conhecíamos envelheceu, esqueceu aquele mundo e já estava tudo bem no seu interior. Mas tal como o próprio Sly não consegue esquecer os seus momentos de glória, Rocky também não, e aceita treinar Adonis Johnson, o filho do seu antigo rival Apollo Creed.

 

Viver sobre a sombra de um nome não é fácil. É isso que percebemos em Creed, não só pela própria personagem principal (que tem de viver com as expectativas do público, que quer fazer dele um herói como o pai), mas do próprio Stallone. Desde 1976 que criou um paralelismo entre si, e Rocky; é como se o boxer fosse o espírito alternativo do ator, e se um regressa, o outro tem de regressar.

 

Para mim, Rocky será sempre uma forma de Stallone trazer cá para fora as suas próprias questões e vontades. Mas não vejo mal nenhum nisso; mesmo sendo uma catarse, ele trouxe-nos com ela uma saga que consegue percorrer gerações, e ainda fazer sentido. Vai existir sempre alguém que se identifica com Rocky, e alguém que se inspira nas suas batalhas (literais e metafóricas).  

 

Aliás, é assim que sabemos que estamos perante uma história vencedora, e que vai durar: não nos cansamos de saber mais sobre ela, e olhamos para as suas personagens como parte da nossa história também. 

 

Sim, Sly, tu conseguiste isso. Criaste um ícone, e uma história que fará sempre parte do nosso imaginário e reportório. Mesmo que não sejas o melhor ator do mundo; isso são "peaners", como diz o outro. E essa vitória, ninguém te a tira. 

 

 

1 comentário

Comentar post