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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

ZOOM IN: A nostalgia faz o Cinema de hoje

Temos de admitir: somos uma geração de saudosismo. Gostamos de relembrar o que marcou a nossa infância, e temos gosto em falar sobre tudo o que nos encantou. Ainda sabemos as letras dos genéricos dos desenhos animados, e de certeza que a grande maioria de nós ficou delirante quando soube que o Dragon Ball ia volta (eu confesso, levanto-me aos fins de semana para ver os novos episódios).

 

Não há nada de mau nisso. Recordar o que de bom teve o passado é quase ter esperança no futuro; queremos mostrar que fomos felizes, que as nossas memórias valem alguma coisa.

 

É inevitável que o Cinema também faça parte desse passado. Temos os filmes da Disney, ou até a primeira vez em que vimos os nossos filmes preferidos. Fazem parte de nós, e do nosso passado.

 

É por isso que Hollywood quer fazer renascer os clássicos que hoje vivem na nossa memória? Todos os dias temos novas notícias de um filme que vai sofrer um remake, ou de um clássico de animação que vai passar para live-action. Aos poucos, as histórias que com tanto carinho contamos nos momentos “Eisshhhh, lembras-te daquele filme...” regressam ao grande ecrã.

 

Só este ano, tivemos a reinvenção de Tarzan e O Livro da Selva, e uma nova versão de Ben Hur. Star Wars ganhou uma (nova) sequela, e nem o Super-Homem e o Batman escaparam à reinvenção. Já para não falar das versões em imagem real de A Bela e o Monstro e Rei Leão.

 

Atenção, nem tudo é mau. Cada um deles acrescentou alguma coisa à história do passado. De facto, vejo as imagens da versão de A Bela e o Monstro, e estou mesmo muito curiosa. É uma nova roupagem, uma nova perspetiva, de um mundo semi-real que faz um certo sentido acontecer.

 

Mas chegamos a um ponto em que temos de questionar se esta nostalgia está a ser mesmo uma boa adição ao Cinema, ou apenas um exagero. Um live-action de Rei Leão? A sério? Como é que estão a pensar fazer isso?

 

E o remake de Jumanji? É mesmo necessário? Não podemos ficar com a ótima memória da história entre Helen Hunt e Robin Williams?

 

Por entre todo o saudosismo, esta é a questão que acredito que tenha de ser colocada em Hollywood: será que há mesmo mais a acrescentar a estas histórias?

 

 Emma Watson, naquela que se considera a sua primeira imagem como Belle,

em A Bela e o Monstro.

 

Em alguns casos, acredito que sim. Existem personagens que gostava de revisitar, ou de conhecer o seu destino. Outras, gosto de relembra-las por aquilo que são, e por aquilo que as caracteriza tanto para me terem marcado.

 

Sou a favor de reinvenções para que as novas gerações conheçam o que de bom estas histórias têm. Foi por isso que gostei tanto de O Despertar da Força, ou porque estou tão entusiasmada por ver A Bela e o Monstro – clássicos reinventados para que outros possam vê-los pela primeira vez, da mesma forma que nós vimos um dia. É o relembrar da sua magia.

 

Só não quero que abusem dessa magia... Só não quero que retirem ao Cinema a beleza da nostalgia, ao repetir as suas fórmulas.

 

Sou saudosista por natureza. Vou de certeza contar aos meus filhos como eram os filmes da minha infância. Se os vou mostrar, ou às novas versões que entretanto chegam às salas? Só o tempo o dirá...