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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

The Meyerowitz Stories (New and Selected) (2017) – Do Adam Sandler à beleza das histórias simples

Sinopse: Harold (Dustin Hoffman) é um artista e professor aposentado que nunca se deu particularmente bem com os seus três. Quando a vida acontece, os irmãos são obrigados a conviver bem e pôr de lado as suas diferenças, enquanto percebem de que forma é que a sua relação com o pai moldou a pessoa em que se tornaram.

 

 

Já falei aqui no blog sobre The Meyerowitz Stories. Na altura, falei sobre o trailer recém-lançado e das críticas favoráveis, que colocavam Adam Sandler num dos melhores papéis da sua carreira. Além disso, elogiavam a visão de Noah Baumbach, realizador e argumentista, que volta a presentear-nos com uma história aparentemente simples, mas cheia de nuances e importância.

 

Assim que vi o trailer fiquei com muita curiosidade, sobretudo porque a performance de Sandler estava a ser altamente elogiada. Quando estreou na plataforma Netflix (já que esta é uma produção exclusiva da plataforma), não pude perder a oportunidade.

 

Até porque, por vezes precisamos de filmes mais simples e menos caóticos para nos fazer lembrar que o caos não precisa ser repleto de barulho. Pode ser só uma série de acontecimentos que nos dão cabo do sistema.

 

The Meyerowitz Stories é, isso mesmo, um conjunto de histórias sobre o passado e presente dos três irmãos. Histórias que os afetaram, afastaram e aproximaram, e fizeram-nos chegar á conclusão de que a sua família, mais do que disfuncial, é altamente destrutiva.

 

Isto sem ser preciso andar à porrada, gritarias ou grandes cenas de discussão. Apenas focamos nos acontecimentos que nos vão sendo relatados pelos irmãos Meyerowitz, e retiramos as nossas próprias conclusões ao mesmo tempo que os próprios.

 

 

O bom deste filme é precisamente isso: a um ritmo muito acelerado mas, ao mesmo tempo muito suave, vamos tomando conhecimento de tudo o que torna esta família tão estranha. Enquanto isso, quase que somos levados a pensar também nas nossas vidas, e se não é esta relação com os nossos pais que nos faz ser assim ou assado.

 

Dustin Hoffman está brilhante no papel de Harold. Enquanto vemos a sua relação com os filhos, quase que queremos espancá-lo ou afastá-lo do ecrã (um pouco como se calhar os filhos também o querem fazer). Ele é falador, prepotente e muito irritante, e isto sem sequer se aperceber de que o é. A sua interpretação faz-nos acreditar piamente que é possível mesmo existir alguém assim.

 

O que torna a história muito mais realista. A verdade é que Baumbach quer passar  uma série de histórias que nos mostra como os nossos pais nos moldam, para o bem ou para o mal. Qualquer um de nós, com a dose certa de espírito crítico, se revê um pouco nas conclusões dos irmãos – uns mais, outros menos. Porém, são as interpretações que nos fazem acreditar ainda mais nessa correlação.

 

E como toda a critica afirmou, isto estende-se a Adam Sandler. Apesar de estar num registo diferente do habitual, ele tem a dose certa de dramatismo e humorismo de que é preciso para que Danny seja tão cru e normal quanto possível. Da mesma forma, Ben Stiller e Elizabeth Marvel (que interpretam os seus dois irmãos) completam o trio de uma forma brilhante.

 

 

The Meyerowitz Stories tem a medida certa do drama, da comédia e do inesperado que precisamos. Em retrospetiva, quase tem um ar meio à lá Woody Allen, com a sua Nova Iorque e os seus acontecimentos caóticos e simples e romanescos.

 

Apesar de este ser um registo muito mais circunspeto e preso em si próprio, Baumbach consegue mesmo transportar-nos para aquele momento. E isso, mais do que uma tentativa de contar uma história como ela é, é a prova de que os bons filmes não precisam de grandes artifícios para serem bons.

 

Eu sou apologista de que todos os bons filmes merecem ser vistos numa tela gigante, mas desta vez abro espaço para a exceção. Se não houve produtora a querer pegar em The Meyerowtiz Stories, ainda bem que existem os Netflix desta vida para nos dar a conhecer pérolas assim.

 

E ainda estou no conforto do meu lar, a ser transportada para o lar dos outros. Melhor é impossível.

 

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