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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Star Wars: Os Últimos Jedi (2017) – A esperança não morreu

Sinopse: A República caiu, e agora o Império está no poder, governado por Snoke (Andy Serkis). Snoke está decidido a acabar com a Resistência. Sobre a liderança de Leia Organa (Carrie Fisher), a Resistência continua a lutar e espera Luke Skywalker (Mark Hamill), a única esperança para conseguir um mundo melhor.

 

 

Em 2015, eu fui daquelas que teceu todos os elogios do mundo a O Despertar da Força. Apesar de ter medo desta nova trilogia, e do que poderia fazer ao mundo de Star Wars, a verdade é que o filme de J.J.Abrams tinha tudo aquilo que um fã precisava para voltar a sentir por Star Wars um amor desmedido.

 

Com um novo realizador e argumentista, o medo regressou. Mas todas as incertezas foram esquecidas depois e assistir a este Os Últimos Jedi.

 

Seguindo o exemplo do anterior, Os Últimos Jedi continua a seguir a história da trilogia original. Há um Império, há uma Resistência, e lá pelo meio existem Sith e Jedi que lutam entre si para tentar rular a galáxia.

 

Isso não é mau. Sempre parti da premissa que os filmes do Star Wars nunca foram os melhores do mundo; os diálogos nem sempre fazem sentido, os acontecimentos até podem parecer um pouco descabidos, mas é o seu espírito que nos atrai. São os seus momentos de humor, de ação, de puro deleite visual que continuam a atrair-nos.

 

 

Nesse sentido, Rian Johnson acertou na mouche. Tal como Abrams antes de si, criou uma história cheia de momentos-chave, muito à semelhança de O Império Contra-Ataca, sem nunca perder a mística que reina em Star Wars. Ele dá-nos a amizade, o amor fraterno, a esperança, mas também a luta, as trevas e o conflito que pode deitar tudo a perder. E ainda eleva a fasquia com batalhas intergaláticas que nos deixam de boca aberta.

 

Há quem diga que o filme está uma seca. Que tem mais explosões que ação, que os diálogos são básicos, e que as conversas entre as personagens não fazem sentido. Dizem que é mais do mesmo, que se cria um elogio a algo que nada tem de novo, e que segue as mesmas pisadas do passado sem nada que o distinga.

 

Não acho. Para mim, o que Johnson consegue fazer é exatamente beber do passado, sem deixar de pensar no presente. Hoje, os Jedi não precisam ser a última esperança; não são a última bolacha do pacote, e antes uma parte integral da luta. Hoje, fazem parte de um mundo mudado, em que as mulheres são líderes, em que a opressão deve ser reprimida, em que a Resistência luta por si e por um mundo melhor, não por uma religião quase morta.

 

E tudo isto é contado de uma forma muito descentrada, como se a descoberta do passado de Rey fosse tão importante quanto o que está a acontecer na base da Resistência.

 

 

Ao contrário de Abrams, que foi buscar muito da visão de George Lucas à forma como o filme é dirigido, Johnson segue um caminho seu, mais direto e sem floreados. E mesmo assim, não perdeu os pequenos pormenores que nos fazem acreditar que este é, sem dúvida, um filme de Star Wras.

 

A atmosfera tensa e de novos acontecimentos ao virar da esquina está bem conseguido, o ambiente, a forma como o som é misturado com a ação para nos fazer sentir tudo e nada... Não foi nada deixado ao acaso.

 

Nem a forma como Luke e Leia se relacionam, ou como a memória de Carie Fisher é passada.

 

Leia sempre foi um símbolo de força feminina, de determinação e conquista. Vê-la ali, debilitada e diferente, mas com o mesmo espírito, lembra-nos sem dúvida a memória da atriz que nos deixou o ano passado. Há amor nas imagens, nas palavras e nos olhares. É quase como um adeus, sem o ser na verdade (até porque nada indica que não regresse para o próximo filme, para o qual já tinha gravado algumas cenas). É quase uma homenagem, sem ser esse o seu intento.

 

É apenas emoção.

 

Saí da sala mais do que satisfeita. Saí da sala sabendo que vi um filme de Star Wars, puro e duro, em que mesmo a presença de Chewie e Luke nos fazem acreditar que não são indispensáveis para que o espírito continue.

 

O espírito está vivo, mesmo que para isso tenham de mudar as personagens. Não temos Vader nem Han, mas temos Kylo e Finn. Temos Rey, que mesmo com todos eles a seguir pisadas semelhantes aos seus antecessores, conseguem mesmo assim trilhar um caminho seu.

 

Estou desejosa de conhecer os seus próximos passos.

 

O que eu sei é que opiniões são como os chapéus: há muitas. Às vezes temos de desligar-nos delas e dizer apenas que um filme é brutal quando o achamos assim – mesmo que o Público lhe dê apenas uma estrela.

 

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