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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Sorte à Logan (2017) – uma sorte não ter sido um azar

Sinopse: Jimmy Logan (Channing Tatum) tem um plano para dar uma volta à sua vida depois de perder o emprego: assaltar uma pista de automobilismo em dia de corrida. Para isso vai precisar da ajuda do irmão Clyde (Adam Driver) e de um perito em abrir cofres, Joe Bang (Daniel Craig). Mas uma série de eventos faz com que o assalto tenha de acontecer durante uma das mais importantes corridas de NASCAR.

 

 

Lembram-se de dizer que estava muito entusiasmada com este filme? O regresso de Steven Soderbergh ao grande ecrã avizinhava-se algo muito bom, ou pelo menos foi a ideia que tive do trailer. Porém, fugiu um pouco aquilo que estava à espera.

 

De uma forma geral, Sorte à Logan é um filme interessante, com uma premissa que não é nova e uma ação que temos visto repetida desde a estreia de Ocean’s 11, em 2001. No fundo, é mostrar-nos como é que um assalto aparentemente impossível pode, ou não, resultar, e as suas consequências.

 

Com bons twists e um fim que deixa muita coisa em aberto, Sorte á Logan é quase como um passo em frente depois da trilogia original de Soderbergh. Não lhe quero chamar um Ocean’s 2.0 (se bem que essa piada é feita no próprio filme). Mas a verdade é que parece que, de alguma forma, o realizador elevou a fasquia neste caso.

 

Só que a trilogia Ocean tinha um ritmo e uma ação muito bem definidas. Era acelerado, com a câmara sempre em movimento, com a ação muito bem cronometrada, o que fazia com que os filmes não se tornassem secantes. Também fazia com que nos sentissemos sempre em paralelo com o grupo de assaltantes, e com as suas ações; mais do que meros espectadores.

 

 

Em Sorte à Logan, senti falta disso mesmo: de uma ação que me fizesse querer estar sempre atenta. Não sei se foi porque este filme tinha claramente um ambiente mais hillbilly (e, esteriotipicamente, mais “lento”), ou por ter um argumento algo longo. A verdade é que pareceu que nunca mais acabava, e que o assalto nunca mais era feito.

 

Mas a sorte de Sorte à Logan (ou a mestria de Soderbergh) é que nunca nos faz ansiar pelo final. A interação entre as personagens é tão natural, e existem tantos momentos de bom humor, que continuamos a ver sem pensar em mais nada.

 

A escolha do elenco foi acertada em todos os papéis. Dos mais importantes aos que fazem apenas uma pequena participação (como Seth Macfarlane ou Hilary Swank), cada um dos atores faz todo o sentido para aquele papel. Até o sotaque americano de Daniel Craig está acertado – sobretudo quando estamos habituados a vê-lo cheio de classe e glamour em 007.

 

Podemos dizer que Soderbergh regressou com todas as suas forças. Apesar de se ter mantido afastado do grande ecrã nos últimos anos (Por Detrás do Candelabro foi o último filme que realizou, em 2013, e foi lançado diretamente na TV), não lhe perdeu o jeito. Apesar de Sorte à Logan estar longe de ser um filme perfeito, não deixa de ser um belo exercício de cinema.

 

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