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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

#RoadToTheOscars - Moonlight (2016): a história à luz da lua

Sinopse: Little, Chiron e Black. Três capítulos sobre a mesma pessoa. Percorremos a sua vida, desde o momento em que é um rapaz que vive num bairro problemático de Miami, até à idade adulta. Pelo caminho, vemos a sua luta em tentar compreender quem é, e qual é o seu lugar no mundo.

 

 

 

Quando comecei a ver Moonlight, não conhecia a sua história. Sabia apenas que era um dos filmes mais elogiados de 2016, e que estava a arrebatar a crítica em todo o mundo. Por vezes, gosto de ver filmes assim, sem qualquer noção daquilo que vou encontrar. Na maioria das vezes sou surpreendida - e foi exatamente o que aconteceu em Moonlight.

 

Moonlight é um filme sobre o crescimento e o autoconhecimento. É um filme em que percebemos como é que tudo o que vivemos nos influencia, e como nos transforma. E é também um filme em que percebemos como os outros, mesmo quando não querem, conseguem moldar-nos.

 

Sobretudo enquanto crescemos.

 

Baseado, em parte, nas vidas e experiências de Tarell Alvin McCraney (o autor da peça que deu origem ao filme) e de Barry Jenkins, o realizador, Moonlight é, acima de tudo, muito real. Lida com a descoberta sexual, com a discriminação e com o bullying, e em tudo o que nos faz fechar sobre nós próprios, e seguir um caminho que pode não ser o melhor - e quando o é, nunca o vivemos em toda a sua plenitude.

 

Não que os dois autores hoje passem por isso. Porém, é o facto de sabermos que sim, tudo isto pode acontecer, que dá a Moonlight uma forma ainda maior do que aquela que nos apercebemos ao início.

 

 

 

Dividido em três capítulos diferentes, que destacam três fases diferentes da vida do protagonista, Moonlight segue uma linha narrativa que não é tão delineada como os filmes a que estamos acostumados. É uma linha muito simples, muito fechada sobre cada capítulo, mas que nos permite, enquanto espectadores, concluir o que é que aconteceu entre um e outro, e tudo o que fez Chiron ser quem é.

 

Para mim, essa é uma das vertentes mais interessantes do filme. Apesar de ter uma história muito fechada sobre si mesma (cada capítulo centra-se apenas em alguns dias-chave), é ao mesmo tempo muito aberta.

 

A nossa tarefa de puzzle makers fica facilitada, não só porque o argumento é muito consistente e está brilhantemente dirigido, mas também porque cada interpretação nos faz conhecer mais da personagem do que as suas ações. Por esses prémios fora, o destaque está a ir para Naomi Harris (aqui no papel de mãe de Chiron) e Mahersala Ali, uma figura que surge na vida de Chiron e lhe dá a mão que precisa.

 

São distinções mais do que merecidas. Apesar de nenhum deles ter muito “tempo de antena”, chamemos-lhe assim, é inegável que conseguem transmitir todo o peso que têm na história, e toda a sua importância, sem para isso termos de fazer grandes ginásticas mentais.

 

 

 

Quando terminamos de ver Moonlight, parece que essa força, e a mensagem que nos transmite, ganha um novo significado. Apesar de já sabermos que o amor não tem género, idade ou raça, poucas vezes pensamos em como aquilo que somos é também definido pelas pessoas que amamos, e pela forma como somos amados. Às vezes, só precisamos de alguém que nos diga que somos importantes.



Em Moonlight, vemos tudo isso a acontecer à nossa frente. E como Ali disse ao receber o prémio de Melhor Ator Secundária na última gala dos SAG Awards (os prémios do sindicato de atores norte-americano), “O que aprendi ao trabalhar em Moonlight é o que acontece quando perseguimos alguém. Fecham-se sobre si mesmos.”

 

Falta a liberdade de sermos em queremos.

 

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