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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Passageiros (2016): quando as expectativas não são realidade

Sinopse: Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) são dois dos 5 mil passageiros da nave Avalon, com destino à colónia da Terra Heamstead II. Para chegar ao destino, têm de hibernar durante 120 anos, mas um erro no sistema faz com que as suas cápsulas abram 90 anos antes de chegarem ao destino. Só podem contar com eles mesmos, e terão de enfrentar um segredo que irá mudar a sua relação dentro da Avalon…

 

 

 

Nao é surpresa para ninguém que eu tinha grandes expectativas para este filme. Considerei-o um dos filmes a não perder até ao final do ano, e fiz um ou outro post dedicado a esta (suposta) obra-prima da ficção científica. Além do elenco, achei mais do que interessante esta ideia de duas pessoas ficarem totalmente isoladas do mundo, e terem de se resignar que, muito provavelmente, iam morrer sem falar com mais ninguém.

 

Pelo título deste texto, escusado será dizer que saí da sala de cinema com a sensação de que tinha sido traída; traída pelas promessas indiretas de que este seria um ótimo filme, e um exemplo para os filmes espaciais que estão para vir. Traída pelos meus atores de eleição, por um argumentista que me trouxe uma das melhores surpresas do ano (Jon Spaihts, com Doutor Estranho), e por todo o enredo que tinha muito mais para dar.

 

Porque o que me lixa é que, visualmente, Passageiros é um filme muito atrativo. Todo o cenário, se bem que muito limitado (não há muito que se possa inventar dentro de uma nave espacial, mesmo que seja de luxo), está tão bem construído que dá vontade de visitar. E claro, aquelas “paisagens” espaciais, os vislumbres que temos do espaço, são muito vivas e atrativas.

 

No entanto, pouco mais é atrativo em Passageiros. O que me deixou mais triste foi esta história com tanto potencial, mas que se torna previsível e muito “o que queremos são finais felizes”. Há o seu quê de diferente, o seu quê de inédito, e depois de muito de “eu já vi isto em praticamente todos os filmes de catástrofes.”

 

 

Faltou-me talvez um toque de surpresa. O grande segredo, que supostamente vai alterar toda a relação entre os dois protagonistas, é descoberto logo de início; mas isso nem é mau, porque introduz uma das questões mais interessantes do filme. Mas a meio começam a acontecer coisas que percebemos claramente que foram colocadas no argumento para lhes facilitar a vida, e ser meramente entretenimeto. E sensivelmente nesta altura, já temos perfeita noção de como irá acabar.

 

É uma pena… porque no geral, até não está mau. Morten Tyldum, o realizador de Passageiros (que foi nomeado para o Óscar de Melhor Realizador em 2014 por O Jogo da Imitação), consegue dar um toque diferente à ação, saltando entre planos de forma a dar-nos diferentes sensações. Tendo em conta que acontece algo novo em todos os momentos, é uma ótima forma de nos deixar interessados numa história que, 45 minutos depois de ter começado, já começa a cansar.

 

Da mesma forma, é claro que Lawrence e Pratt conseguem encher um ecrã com toda a sua classe e magia, e mesmo assim fazer-nos achar que é um elenco completo. Eles são atores completos, e tiram sempre o melhor de cada personagem.

 

Até porque as suas personagens são muito fortes. Ele um mecânico que quer encontrar um propósito num novo planeta, ela uma escritora à procura de algo inédito sobre o que escrever; encontram-se, e percebem que nunca estiveram tão acompanhados na sua vida. Os dois dão-nos um vislumbre da natureza humana, e em como somos sempre condicionados por aquilo que temos à nossa volta.

 

 

 

A sua relação é possivelmente o melhor do filme, e aquilo que nos faz gostar um pouco mais de Passageiros. Eles transmitem o amor, amizade e companheirismo que todos esperamos de uma história de amor, e fazem deste filme o testemunho em como sim, podemos mesmo encontrá-lo em todo o lado. São também eles que dão o toque humorístico muito bem-vindo, sobretudo quando estão juntos de Arthur, um robô humanóide interpretado por Michael Sheen que está encarregue de tomar conta do bar da Avalon.

 

Mesmo o segredo de que todos os trailers falam é muito interessante, e seria ótimo de ser explorado. Revela muito da natureza humana, e de facto faz-nos pensar e questionar sobre uma data de coisas importantes (que eu, para não estragar a surpresa, não vou falar aqui). No entanto, senti que os restantes acontecimentos acabaram por deixar isso como algo secundário, e perde importância. De súbito, há tanta coisa a acontecer, que nos esquecemos que tudo aquilo aconteceu.

 

Mas talvez o problema seja meu. Talvez estivesse à procura de algo mais Gravidade (amén Alfonso Cuáron), e menos Titanic. E como foi o Titanic que me surgiu à frente, deixei-me ficar desiludida.

 

Tenho ideia que é um filme que está a dividir as opiniões. Uns, como eu, sairam meio desapontados; outros estão a elogiá-lo pela sua história sobre a humanidade e desespero humanos.

 

Percebo ambos os pontos de vista. Saí da sala a pensar "meh", e conforme penso mais nele descubro algo um pouco mais interessante, e um pouco melhorzito. Ou seja, não é um filme que considere mau, ou das piores desiluções do ano. De facto, acho que todos os curiosos devem dar-lhe uma oportunidade, porque de certeza que vão sentir coisas diferentes e inéditas. Só fiquei com a sensação de que, aqueles que estavam muito entusiasmados, podem sair meio defraudados. 

 

Se lhe quiserem darem uma hipótese, mantenham só a mentalidade aberta. Cheguem sem expectativas, e quiçá serão surpreendidos. Cada um sabe de si...

 

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