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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Os Sete Magníficos (2016): uma magnífica noite

Sinopse: Século XIX. Em Rose Creak, Bart Bogue (Peter Sarsgaard) obriga toda a população a vender as duas terras para poder explorar minas de ouro. Em busca de justiça pela morte do marido, Emma (Haley Bennett) contrata Sam Chisolm (Denzel Washington) para voltar a ganhar controlo sobre a sua cidade. Conseguirá Chisolm e os seus seis companheiros fazer frente ao exército de Bogue.

 

 

 

Atenção: isto é um western à antiga. Ou melhor: é um filme em que existem mais tiros do que diálogos, brincadeiras com armas, muito álcool e uma grande dose de testosterona.

 

Mas não só: ao contrário dos westerns do passado, este tem pessoas vindas dos vários cantos dos Estados Unidos, entre negros, asiáticos, mexicanos e, vai-se lá saber por que propósito, até mulheres!

 

A ideia foi de Antoine Fuqua, o realizador. Os Sete Magníficos baseia-se no filme do mesmo nome de 1960, que por sua vez se baseia em Seven Samurai, um filme japonês de1954. O que Fuqua quis fazer foi respeitar ambas as origens, dando-lhe ainda sim um toque contemporâneo – daí a miscelânea de raças e géneros disposta a disparar.

 

Numa entrevista, Fuqua diz exatamente que, “se fosse para fazer a mesma coisa, todos os filmes iam ter brancos como o John Wayne num filme de John Ford.” O que é uma pena; o western é um género que ficou muito nos primórdios do cinema, e perdeu atualidade.

 

 

Creio que este Os Sete Magníficos quis exatamente dar-lhe essa atualidade. E fê-lo bem, tendo em conta que consegue pegar em todas as suas virtudes, e dar-lhe o tal toque moderno.

 

Mas talvez demore um pouco mais tempo do que era necessário. A narrativa, se bem que bem construída qb (vá, é um western, vão sempre existir personagens que não sabemos bem como é que chegaram ali), alonga-se demasiado no tempo.

 

O facto de ser um argumento bem construído e de ter uma realização adequada atenua um pouco isso – que é como quem diz, só nos apercebemos que passamos muito tempo dentro da sala quando nos começa a dar a fome, ou olhamos para o relógio. O tempo a mais não acrescenta muito à história, que talvez pudesse ser contada de forma mais célere.

 

Mesmo assim, temos de nos concentrar no que há de bom. Além de tudo o que já leram até aqui (do argumento à realização), é impossível não olhar para este conjunto de atores e não ficar rendido. Cada um deles dá um dimensão tal às suas personagens que temos dificuldade em escolher um preferido – mas escolhemos, porque ainda não consigo esquecer o Jack Horne interpretado por Vincent D’Onofrio.

 

 

Não há um único que não nos faça acreditar que é um cowboy, e Denzel Washington está qualquer coisa de extraordinário com aquele seu ar de mauzão misterioso. Até porque, Os Sete Magníficos vive muito deste grupo: eles são os magníficos, eles são os grandes que enfrentam exércitos. Quem os interpreta teve de estar à altura, mas teve apoio de peso.

 

Às vezes, sabe bem sair da sala de cinema sabendo que não assistimos a um filme digno de prémios, mas que nos deixa de sorriso na cara. Os bons filmes não precisam de ganhar Óscares ou Globos de Ouro; só precisamos de encontrar uma história que nos cative, e que todas as peças do puzzle se juntem na perfeição.

 

É o que acontece aqui. E é magnífico.