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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Os críticos de cinema, esses seres vis e cruéis

Lembro-me a primeira vez que senti nos ombros a responsabilidade de ter de escrever uma crítica de cinema (que é como quem diz, a minha opinião sobre um filme). Estava a estagiar numa revista de cinema (sim, daquelas impressas e que se vendiam em papelarias), e apercebi-me que a minha opnião podia fazer com que alguém visse ou não o filme.

 

Até aí, só o tinha feito por diversão e paixão – um pouco como faço agora. Mas naquele momento fazia parte da minha responsabilidade profissional, e como “profissional”, estava a custar-me para caraças. E se não o estivesse a fazer da melhor forma? E se não focasse aquilo que as pessoas queriam mesmo saber? E se ninguém concordasse comigo?

 

Acabei por fazer aquilo que ainda hoje faço: via o filme, e escrevia sobre ele. Escrevia sobre tudo aquilo que gostava, o que não gostava, e o que me fazia sentir. Adiciona uma frase aqui ou ali, um pouco de contexto, e acho que na maior parte das vezes resultava.

 

Mesmo antes de ter esse peso nos meus ombros, sempre achei o papel crítico um epiteto ingrato. Para muitos, são elitistas que destroem blockbusters e filmes de super-heróis; para outros, snobes que só gostam de filmes estrangeiros e conceptuais, que o mais comum dos mortais não consegue perceber. A figura é raramente vista como uma pessoa normal, e até os atores os responsabilizam pelo insucesso dos seus filmes.

 

Apesar de não gostar dessa visão tão distorcida e negativa (bolas, é péssima para quem gosta de escrever sobre filmes!), às vezes dá-me vontade de concordar. Mais do que isso, apetece-me pegar em alguns ditos críticos, espetá-los numa sal,a e obrigá-los a ver DragonBall Evolution, Batman & Robin e Kod Adi K.O.Z. (o filme com pior classificação no IMDB) em loop durante sete dias. Sem pausas, e com muitas pessoas a comer pipocas à sua volta (de certeza que detestam).

 

O problema não são as críticas negativas a filmes de que gostámos um pouco (como aconteceu recentemente com La La Land). São sim aquelas críticas que quase percebemos que são negativas porque o filme atrai as massas, porque é simples, e porque não tem uma história tão filosófica e trabalhada quanto a que a maioria os críticos intelectuais gostam.

 

Eu gosto de ler críticas de cinema. Às vezes, são as opiniões destas pessoas que me fazem pensar de forma diferente sobre um filme, mesmo depois de ver o filme. Por vezes, podemos encontrar novas perpetivas sobre um filme de que até não gostámos, ou apena tomar atenção a detalhes que nos passaram despercebidos.

 

Mas não gosto quando os filmes são estupida e maldosamente criticados apenas por serem o que são. Eu gosto de filmes simples, apenas pelo puro prazer de assistir a um filme; gosto de histórias bonitas, e não lhes tiro valor só porque parecem um pouco mais “banais.” É por isso que me custa quando um qualquer engraçado acha que pode denegrir um filme porque não corresponde aos standarts que um qualquer achou que todos os filmes deviam ter.

 

Eu já fiz críticas negativas a muitos filmes. Numa crítica com 10 linhas, consegui escrever tudo o que estava de errado com um filme em 9. Há filmes que merecem.

 

Se isso é porque tenho os meus standarts muito em baixo? É possível. Também pode ser porque eu gosto de Cinema, não apenas pelos filmes que foram criados para serem vistos por quatro pessoas, mas porque gosto de me embrenhar em histórias e sensações. Também pode ser porque gosto mesmo de filmes maus, da mesma forma que gosto de filmes muito bons – são manias.

 

Só não gosto quando dizem que é mau porque não gostam. Isso é feio. E existem formas de se dizer que não se gosta, sem dizermos que algo é feio. Ou vamos dizer à nossa avó que a prenda que nos ofereceu no Natal é má e feia só porque não gostamos? Não, damos a volta a questão, e deixamos que seja ela a perceber que se calhar não era a prenda ideal.

 

Vamos tentar fazer isso com os filmes?