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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Os 33: 33 histórias de sobrevivência (2015)

Sinopse: em 2010, 33 homens partiram, como tantas vezes antes nas suas vidas, para as minas de San José, no deserto do Atacama, Chile. Mineiros de profissão, estavam acostumados a trabalhar no interior da montanha, até que uma derrocada provocou a sua inclusão num refúgio a mais de 700 metros de profundidade, sem contacto com o mundo exterior. A história correu o mundo, sobretudo por ter sido a primeira na indústria com um final feliz.

 

 

Todos sabemos (ou pelo menos, aqueles com idade suficiente para estar com atenção às notícias há seis anos atrás) como acabou: depois de vários esforços e 69 dias de cativeiro, os 33 homens conseguiram ser resgatados, e ainda hoje vivem felizes e de boa saúde com as suas famílias. A sua força e perseverança sempre foram conhecidas, sobretudo quando se percebeu que conseguiram sobreviver durante 17 dias com comida que supostamente durava três, e sem saberem se de facto alguém os estava a tentar salvar ou não.

 

Tal como todos os fimes baseados em factos reais, não só já sabemos como acaba, como há pouco espaço para um argumento criativo e super fantástico; a história é conhecida, e não há como fugir dela.

 

Neste caso, a situação torna-se mais complicada: como tornar interessante um filme que tem como premissa 33 homens soterrados, sem nada para fazer, durante mais de dois meses?

 

 

Não podemos dizer que não tentaram: desde o início ao final do filme, houve uma tentativa para dar a conhecer as famílias dos mineiros - dando destaque a algumas histórias -, a sua luta e os esforços do governo chileno para salvar os 33 homens. Os momentos de humor, mais do que uma forma de tornar o filme mais interessante, ajudam também a tornar mais leve uma história que, de outra forma, seria demasiado dramática e pesada.

 

Agradeço tudo isso. De uma forma simples e equilibrada, quase a roçar o documentário romanceado, ficamos a par dos momentos-chave daqueles 69 dias, dos desafios e obstáculos. Talvez com menos 30 minutos de ação (duas horas para um filme que já conhecemos o final pode tornar-se chato) ficava ideal.

 

Mas o mais importante em Os 33 é que se trata de uma história de sobrevivência. Eu podia vir aqui dizer que as interpretações de Antonio Banderas (no papel de Mario Sepúlveda, o chamado líder dos mineiros durante aqueles dias) e Lou Diamond Phillips (na pele de Don Lucho) são fortes; que Juliette Binoche fica bem em qualquer papel; que o drama na voz de Cote de Pablo a enfrentar a noite nos fez partir o coração mesmo sem perceber uma palavra... Podia dizer tudo isto, mas por muito talentosos que sejam estes atores, e por muito bem dirigidos que tenham sido, nada seria possível se os próprios homens não o tivessem permitido.

 

 

Dizem que ainda durante o cativeiro, quando os 33 já estavam em contacto com o mundo e já eram considerados heróis, os mineiros falaram em fazer um filme. Queriam vender os direitos e escrever um livro que relatasse as suas privações, força de vontade e luta. Daí resultou Deep Down Dark, de Héctor Tobar, no qual o filme se baseia.

 

No fundo, quiseram contar a sua história, e como conseguiram sobreviver. Durante 69 dias, a esperança e vontade de voltar a ver as famílias foram o seu único alento. Durante 17 dias, passaram fome e não sabiam sequer o que se passava lá fora; nos restantes, continuava a incerteza se seria mesmo possível serem salvos, algo que nunca tinha sido feito no mundo inteiro, e havia sempre a hipótese de estarem apenas a adiar o inevitável.

 

Não é um filme extraordinário. Longe disso: está bem feito, sim, mas pouco realista com as falas em inglês, demasiado longo e, por vezes, pode parecer um pouco exagerado. Mas será que é isso que importa? Não será que o importante é mesmo celebrar a vitória destes 33 homens, que mostraram como o ser humano tem em si forças que ele próprio desconhece?

 

Gosto de acreditar que sim. Valha o que vale, Os 33 (com vários meses de atraso em Portugal, já que, nos Estados Unidos, já está a ser anunciado o lançamento do DVD e Blu-ray) torna-se um filme razoável graças à história das suas personagens. E isso não pode ser inventado: existiu, existe e eles cá estão para o provar.

 

E ainda bem.

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