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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

O Dia da Independência: Uma Nova Ameaça (2016) – 20 anos depois

Sinopse: 20 anos depois da primeira invasão alienígena na Terra, o nosso planeta vive uma época de paz como nunca antes tinha existido. As nações uniram-se para proteger o planeta de novas ameaças, e a tecnologia da estranha raça foi usada para melhorar o nosso armamento e transportes. Mas esta paz pode estar a ser interrompida, quando uma nova ameaça surge no horizonte. E cabe novamente à Humanidade lutar pela sobrevivência.

 

 

 

Há precisamente 20 anos, no dia em que os Estados Unidos celebram a sua independência, o presidente Tom Whitmore proferiu um discurso que para sempre ficou nas nossas memórias: “Não vamos silenciar-nos na noite. Não vamos desaparecer sem dar luta! Vamos continuar a viver! Vamos sobreviver! Hoje celebramos o nosso Dia da Independência.”

 

Foram palavras fictícias, escritas pelos argumentistas de Dia da Independência, mas que marcaram o dia em que a Terra lutou e ganhou pela primeira vez aos aliens de um planeta desconhecido. 20 anos depois, Roland Emmerich traz de volta as mesmas personagens e protagonistas (à exceção de Will Smith, que não pôde participar devido a conflitos de agenda - diz ele), e uma nova invasão. Será o desfecho diferente?

 

Claro que não! O que Dia da Independência tinha de bom é que juntava humor, ação, o hino à humanidade e uma boa sova a aliens num só filme; tínhamos o herói improvável, o cientista que prevê tudo o que está a acontecer, o presidente destemido e inspirador, e um tempo limitado que tudo fazia crer que não íamos conseguir chegar a tempo. Nós rimos, chorámos e até ficamos com as mãos presas à cadeiras quando Hiller (Smith) e Levinson (Jeff Goldblum) estão prestes a sair da nave-mãe.

 

 

 

No fundo, gostamos de Dia da Independência porque, apesar de ser previsível e meio aleatório e idiota, até faz algum sentido e está bem construído o suficiente para nos deixar totalmente embrenhados na história.

 

Quando foi anunciada uma sequela, pensei que fosse sentir a mesma coisa; pensei que fosse encontrar um filme em que os americanos são novamente os heróis, em que as coisas acontecem novamente para nos deixar pendurados até chegar o minuto final, e que no final conseguimos perceber que somos os maiores do pedaço.

 

Não pude deixar de sair com a sensação de que falta qualquer coisa. E não estou a falar apenas de Will Smith, aquela lufada de ar fresco que nos deu a dose certa de responsabilidade e humor no primeiro filme. Falo sim do equilíbrio entre o previsível e o verosímil, que Emmerich conseguiu tão bem trazer em 1996, mas que agora deixou a desejar.

 

 

 

A ação, apesar de bem filmada, e com uma realização que sabe que ângulos filmar para nos deixar surpresos ou assustados, é demasiado rápida, com demasiadas coisas a acontecer sem que nos seja dado um pequeno vislumbre do que ficou para trás. OK, conseguimos perceber um pouco do destino das nossas personagens queridas, mas quiseram incluir tantas tentativas falhadas de derrotar o inimigo, que perderam tempo precioso para tornar a história mais... Bem, interessante. A parte humana ficou de fora, o seu esforço apenas resumido a uma história de amor que dá 10 minutos de cena no ecrã, e um casal gay que rouba todo o protagonismo. Tudo fica com pontas soltas, que surgem uma vez para nos deixar uma pergunta na cabeça que nunca será respondida.

 

Sim, ninguém estava a à espera de que tudo fizesse sentido, mas acordar um cientista que esteve 20 anos em coma a saber trabalhar com toda a nova tecnologia que existe na atualidade? Há limites, até para o Dia da Independência!

 

No fundo, falta-lhe aquela maluqueira organizada, mas sem ser superdisparatada. Porque, sejamos sinceros, aqui parece só forçado.

 

 

 

Não sei se é de mim, que deixei de acreditar no poder das histórias aleatórias e idiotas. Mas acho que não, porque ainda no outro dia revi Dia da Independência e tinha o mesmo encanto que na primeira vez. Em contrapartida, Uma Nova Ameaça deixou-me com um travo amargo na boca, talvez tão amargo quanto aquilo que Smith pensou quando mataram a sua personagem.

 

Não podemos dizer que seja terrível; é o que é. Mas com um discurso tão potente como aquele que Whitmore fez há 20 anos atrás, esperava a mesma paixão, união humanitária e, vá, heroísmo. As armas prevalecem, o Homem nem tanto. Será que vamos ter de esperar mais 20 anos pelo renascer da epicness?