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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

O Cinema também pode ensinar

Uma das coisas que sempre gostei no Cinema, nesta arte de contar histórias em filmes, é a sua capacidade de nos ajudar a aprender.

 

Lembro com uma certa nostalgia entrar na sala de aula, ainda na escola, e ver uma televisão em frente ao quadro. Mais do que uma aula em que a professora não ia falar muito, era um momento em que sabia que o filme ia ser o professor.

 

Vi sempre como mais do que uma ferramenta de entretenimento. Sobretudo alguns filmes próprios, como os de época, ajudam-nos a conhecer melhor alguns hábitos e tempos diferentes do nosso, de uma forma que dificilmente conseguiriamos utilizando outro recurso. Os livros e as fotografias podem funcionar muito bem, mas um filme é movimento, é pessoas a falar e a andar, a sonhar e a viver.

 

No fundo, passa por nós tentar perceber como é que a realidade molda a ficção, e esse descortinar sempre me fascinou.

 

Foi por isso com muito prazer que aceitei o convite da STW e da NOS Audiovisuais para assistir à antestreia de Victória & Abdul, o novo filme de Stephen Frears.

 

 

O filme conta a história da amizade entre a Rainha Victória e Abdul Karim, um criado indiano que chega a Inglaterra com o próposito de homenagear a rainha, e fica como um dos seus amigos mais próximos.

 

Os mais atentos podem ver em Victória & Abdul um paralelo com Sua Majestade, Mrs Brown, o filme de 1997 protagonizado por Judi Dench. Não é erro de memória: de facto, o filme deste ano não só traz de volta Dench no papel da monarca britânica, como faz referência a Brown. Se no primeiro, Victória chorava a morte do marido e encontrou em Brown um ombro amigo, em Victória & Abdul a rainha vê-se num reinado sem fim, controlada por toda a casa, e Karim é o único que a faz sorrir.

 

É claro que parte de nós ter o olhar crítico necessário para perceber o que é realidade, e o que o que pode ser ficcionado. Sobretudo num filme que se diz baseados em eventos que aconteceram mesmo, devemos ter atenção que o Cinema é uma arte, que pretende passar uma mensagem.

 

Porém, é impossível não ver um filme destes sem ficarmos espantados com todas as diferenças que existem entre o ontem e o hoje. Há hábitos diferentes, comportamentos inaceitáveis que hoje são normais, ideiais e crenças muito distintas.

 

Há também as conclusões habituais de que a tecnologia nos veio fazer um favor. Se no século XIX a Rainha de Inglaterra não sabia o que era uma manga e não sabia nada sobre a Índia, hoje temos uma fonte inesgotável de conhecimento na ponta dos dedos – e mangas em todos os supermercados.

 

Mais do que um filme que entretem, é impossível não olhar para Victória & Abdul com o olho de quem pergunta “será que era mesmo tudo assim, tão diferente e rígido”?

 

Olho para filmes como este com a ideia de que são ótimas ferramentas para ficarmos curiosos sobre a forma como antes se vivia. Mesmo que nem todos sejam o mais próximo da realidade possível, a verdade é que nos dão a curiosidade e o bichinho necessários para investigar mais e aprender mais sobre o que verdadeiramente aconteceu.

 

Foi o que aconteceu, por exemplo, com Dunkirk, em que quis assimilar o máximo de conhecimento sobre essa batalha depois de ver o filme.

 

São introduções a novas matérias e ideias, e é disso que precisamos. Por isso, não me venham dizer que o Cinema não nos ensina nada!

 

Victória & Abdul estreia a 28 de setembro nas salas de cinema.