Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Livros que deram filme - A Rapariga Que Roubava Livros

“Here is a small fact: you are going to die.

Does this worry you? I urge you – don’t be afraid. I’m nothing if not fair.”

 

São palavras da própria Morte. E não temos como negá-las: mais cedo ou mais tarde, também nos vai tocar a nós. São as suas palavras, e a nossa certeza.

 

É a Morte que narra um dos livros mais bonitos a chegar-me às mãos. Estranho? Talvez, sobretudo porque a ação se passa numa das épocas em que esteve mais atarefada: Alemanha, II Guerra Mundial.

 

Mas comecemos pelo início. Para os que não conhecem, A Rapariga Que Roubava Livros, de Markus Zusak, é um livro de 2007 que conta a história de Liesel, uma criança de nove anos cujos pais são enviados para um campo de concentração. De modo a que fique a salvo, a rapariga é entregue a uma família de acolhimento numa província alemã.

 

 

 

Liesel ganha o hábito de roubar livros que encontra, e é a Morte que nos conta tudo o que se passa na sua vida, e na dos que a rodeiam, no intervalo das três vezes que a visita.

 

Enquanto livro, digo sem qualquer dúvida que é dos meus preferidos. Bem escrito e cativante, transporta-nos para Himmel Street de tal forma que não queremos pousá-lo. E tendo em conta a época em que tem lugar e a poderosa história que conta, rapidamente se tornou um dos livros do meu coração.

 

Avancemos então seis anos, até 2013, quando estreia nas salas de cinema a adaptação de um dos livros de culto do momento. Pela mão de Brian Percival (com uma curta carreira nas longas metragens) e com argumento de Michael Petroni (que já tinha no CV a adaptação de um dos filme d’As Crónicas de Nárnia), chega-nos um filme protagonizado por Geoffrey Rush, Emily Watson e a estreante Sophie Nélisse.

 

 

A história mantem-se: Liesel é acolhida por uma família, enquanto muda a sua vida. Sem saber ler ou escrever quando chega a Himmel Street, não deixa de guardar com carinhos os livros que encontra, e que por algum motivo a chamam.

 

São as letras, as palavras, que vão depois marcar a sua relação com Hans, o pai adotivo que se torna um verdadeiro companheiro. É ele que alimenta o gosto pelas histórias, pelas ligações que são feitas letra a letra, e por todas as conversas que podem daí vir. E é aqui que Liesel ganha o gosto de ler.

 

É claro que muito acontece, e que as reviravoltas vão chegando. Mas o que parece tão natural em livro, no cinema perde presença e valor.

 

Lembro-me de chegar ao cinema cheia de expectativa. Tinha lido o livro há pouco tempo, e estava a gostar cada vez mais a cada página. A história levava-me a outros tempos e mundos, e esperava que o filme me transportasse diretamente para os espaços que lia descritos com tanta paixão.

 

Foi com alguma tristeza que sai e notei que faltava essa mesma paixão, e que aquilo pelo qual me tinha apaixonado parecia estar pela metade.

 

 

Nem todos os livros conseguem sem bem adaptados. Nem todas as histórias, que fluem tão bem através de palavras, encontram o mesmo equilíbrio na imagem. Nem todas as personagens ganham a mesma força quando interpretadas.

 

A responsabilidade será de alguém? Para mim, não. Para mim, histórias como a de A Rapariga Que Roubava Livros podiam ser adaptadas pelos maiores génios do Cinema e, mesmo assim, nunca teriam a mesma intensidade e poder.

 

Existem momentos em que as palavras transcendem a imagem, e este é um destes exemplos. Não deixa de ser um filme competente, com ótimos atores e a mesma atmosfera que nos foi descrita por Zuzak, mas há coisas que não há como combater.

 

A Rapariga Que Roubava Livros continua a ser um dos meus livros do coração. O filme, ao contrário de outras adaptações, nem tanto - mas não lhe tiro valor por isso. Louvo o esforço daqueles que tentaram mostrar ao mundo a vida de Liesel, e a sua relação com a Morte. E louvo Zuzak pela história que criou.

 

"How do you tell if something’s alive?
You check for breathing”