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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

LIVROS QUE DERAM FILME: A Casa dos Espíritos

Todas as histórias de amor têm altos e baixos. Os apaixonados encontram-se e desencontram-se, e regressam sempre ao ponto de partida: o momento em que percebem que o seu equilíbrio está na sua cara metade.

 

Li A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende, sem saber na verdade do que se tratava. Já tinha lido excertos, o filme estava algures na memória, mas o livro nunca completo. Terminei com a sensação de que se tratava de uma coisa simples: o amor.

 

Nas suas várias formas: o amor entre casal, que encontra na outra pessoa uma parte de si. O amor entre pai e filho, mãe e pai, avós e netos. E o amor da amizade, que nos leva mais além.

 

É uma história de amor que atravessa gerações, com o cunho histórico a que Allende já nos habituou.

 

A adaptação para cinema, realizada por Billie August em 1993, é uma viagem por esses amores. Talvez não de forma tão intensa quanto gostaríamos, mas ele está lá.

 

 

Vou deixar de lado o tipo de adaptação que foi feita. É claro que, num texto que fala especificamente de como uma adaptação pode ser bem ou mal feita, surjam comparações. No entanto, vou evitá-las. A principal razão é que a história sofreu várias alterações, não ao nível dos acontecimento, mas sim das personagens que os vivem, para conseguir um filme coerente e curto qb.

 

E isso eu não condeno. Eu percebo o porquê de o terem feito, e até concordo com as mudanças que fizeram. Mas talvez por isso, consigo olhar para ambas as obras como se estivessem totalmente separadas uma da outra.

 

No fundo, todas as adaptações estão, só que temos sempre esperança de encontrar na tela as emoções que imaginámos no papel. Em A Casa dos Espíritos, as emoções certas são ainda mais intensas... Outras deixam a desejar.

 

Tomemos como ponto de partida a relação entre Esteban Trueba (Jeremy Irons) e Clara del Valle (Meryl Streep) - dois atores que admiro e que acredito que não fazem nada errado. E não fazem. Se Irons consegue pôr aquele ar latino que não tem (e coitado, eles bem tentaram que fisicamente tivesse), Streep tem o ar fantasioso e sonhador de Clara, de anjo salvador. Um olhar entre ambos e parecem dois jovens apaixonados.

 

Mas os meus louvores vão para Glenn Close, a Ferula Trueba que numa só expressão consegue mostrar-nos a solidão e prazer escondido que uma mulher consegue sentir. E é disto que falo: de o filme consegue fazer-nos sentir aquilo que as palavras apenas nos mostram que aconteceu.

 

 

Não que Allende são o saiba expressar, ou que a sua descrição não seja suficiente. Nada disso! Mas não há como negar que a força que Close dá ao papel de Ferula, bem como assistir ao amor entre Esteban e Clara, ganha uma nova dimensão e magnitude quando vemos as suas expressões e interações.

 

Não achei uma adaptação fantástica, nem sequer um filme extraordinário. Ambos os pontos têm as suas coisas boas e más, o que não invalida que não seja um belo exemplar do cinema – e do cinema que usa livros para se inspirar.

 

Até porque não nos podemos esquecer que A Casa dos Espíritos, em parte, foi filmado em Portugal. As ruas de Lisboa enobrecem o filme, e as paisagens do Alentejo são as preferidas da família Trueba – aliás, a sua casa ainda lá está, para ser visitada.

 

A história dos Trueba também existe para ser revisitada, seja nas palavras ou no cinema. E seja de que forma for, vale a pena relembrarmos as suas vidas, e os acontecimentos que os levam até à maior conclusão: o amor é o que nos levanta. Sem ele, que sentido tem a vida?