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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

LIVROS QUE DERAM FILME: A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares

A princípio, a trilogia literária de Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children não me chamou à atenção. Li uma sinopse algo confusa e rapidamente a risquei da minha to-read list. Mas, há uns tempos, deparei-me de novo com os livros e dei-lhes uma segunda chance, tentando descobrir o que toda a gente adorava e o que, no final, deu a Hollywood a vontade de fazer um filme sobre eles.

 

 



E não era apenas um filme qualquer: contava com Tim Burton na realização! Ora, não sei se já se deram conta mas, por norma, somos grandes fãs do velho Tim aqui no blog. Beetlejuice e Eduardo Mãos de Tesoura encantaram as nossas infâncias, em Batman vimos um lado mais negro dos super heróis, e em animações como A Noiva Cadáver pudemos maravilhar-nos com a magia do stop-motion.

 

Por isso, como podem imaginar, comecei a ver este filme com expectativas altas. A isso juntava-se o facto de o elenco contar com Eva Green, Judi Dench e Samuel L. Jackson e de ter gostado bastante dos três livros.

 

5 minutos depois de ter começado a ver, já o odiava.

 

E não, não estou a exagerar. Já escrevi aqui antes sobre verdadeiras misérias cinematográficas (cliquem lá em cima em Drive In para saber mais), mas esta ultrapassa tudo o que eu achava possível. Das duas uma: ou Tim Burton está a passar mal com o divórcio (ele e a maravilhosa Helena Bonham-Carter separaram-se há uns tempos) ou então teve uma crise de meia idade e pediu a Johnny Depp o que quer que seja que ele fume para se entreter.

 

Garanto-vos: mesmo que nunca tivessem lido os livros e fossem ver este filme sem saber quem era o realizador, nunca diriam que tinha saído das mãozinhas de Tim Burton.

 

A coisa começa logo mal com uma pequena troca de personagens. Sim, talvez seja relativamente insignificante, mas para quem leu o livro antes é só um pet peeve. Esse pet peeve passa a completa irritação quando descobrimos que o interesse amoroso do personagem principal, assim como praticamente TODAS as crianças peculiares, sofreram de uma operação plástica à Hollywood, e são em tudo diferentes do Ransom Riggs nos descreve ao longo da trilogia.

 

 

Sim porque estas 2 horas e 6 minutos de filme são uma amálgama nojenta dos três livros. Ou seja, faltam milhentos pormenores importantes e, os que efetivamente decidiram colocar, mudaram-lhes a essência.

 

Mas as mudanças não ficam por aqui: apesar de haver a indicação de que este filme é baseado nos livros, a verdade é que o argumento acaba por ser original, de tantas invenções idiotas que tem. Só posso assumir que também a argumentista, Jane Goldman, deve ter ido para os copos com o realizador e chegou a casa prontinha para escrever esta real bosta. E também à semelhança de Tim Burton, Jane Goldman é responsável por êxitos como Kick-Ass, Kingsman: The Secret Service e X-Men: Days Of Future Past. Como é que dois seres humanos com milhares de dólares em box office entre eles conseguem fazer tanta porcaria em apenas um filme?

 

Mas há mais culpa para distribuir! Não sei quem é o diretor de casting, mas Asa Butterfield para Jacob não foi, na minha opinião, uma boa escolha. É demasiado molengão e mortiço para um papel que envolve um personagem que, apesar de algo tímido, tem algo nele de especial, aquela chama que o torna o herói que salva o dia. Além disso, o jovem deu uma de Kristen Stewart e só nos mostrou uma expressão facial durante todo o filme, que podem ver na foto abaixo.

 

 

Vá, nem tudo é horrorosamente mau: salvam-se Eva Green, que encarna Miss Peregrine com uma classe que só a ela lhe pertence, e Samuel L. Jackson, que é… enfim, é Samuel L. Jackson.

 

Porém, são mais de 120 minutos de película sem nexo, em que uma ação se encadeia com a seguinte de modo supersónico, e que, infelizmente, não conta com uma edição à medida. Um argumento completamente inventado com, na sua maioria, atores que não lhe fazem jus (nem podiam, because it sucks!!), e efeitos especiais que, francamente, tinham um ar de 2009.

 

Fica o conselho: se leram os livros, poupem duas horas da vossa vida e não vejam o filme; se não leram e querem muito ver, esqueçam tudo o que sabem sobre Tim Burton e a sua genialidade gótica - não vão encontrar nada disso aqui.

 

Por DeLorean

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