Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Kingsman: O Círculo Dourado (2017) - continuem a regressar, por favor

Sinopse: Depois da morte de Harry e da sua entrada ao serviço dos Kingsman, Eggsy (Taron Egerton) assiste a algo que não julgava possível: a destruição da sede e todos os escritórios Kingsman. Sem saberem para onde se virar, os únicos membros vivos descobrem uma organização irmã nos Estados Unidos, e juntos são os únicos que podem parar uma nova ameaça sobre a população da Terra. 

 

 

Não é segredo para ninguém que adoro comédias e filmes feitos para puro entretenimento. Sobretudo quando são tão irrealistas que quase se tornam reais, e têm um humor que roça o limite do aceitável, sem se tornar badalhoco. 

 

Em parte, juntamente com as suas cenas de ação super bem filmadas e uma aleatoriedade do caneco, isso foi o que me fez adorar Kingsman: Serviços Secretos. O filme de 2015 foi a primeira adaptação de uma banda desenhada britânica, que Matthew Vaughn escolheu escrever e realizar deixando de lado a possibilidade de ficar ao leme de um dos maiores blockbustes do mundo dos super-heróis: X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. 

 

Tudo porque, na sua opinião e de Mark Millar (um dos autores da BD original), as histórias de espiões eram demasiado sérias. Faltava a James Bond e que tais o lado cómico e divertido que achavam que os espiões também tinham. 

 

E assim nasceu um dos mais interessantes filmes de espiões dos últimos tempos. 

 

Tal como o seu antecessor, O Círculo Dourado leva-nos numa viagem alucinante entre lutas, heróis, vilões e vítimas inocentes, sempre com um toque de charme de cavalheirismo britânicos. 

 

Só que desta vez com um toque country. Quando soube que iam replicar a fórmula de Kingsman a uma vertente norte-americana, fiquei com um pouco de receio. Mas depois de duas horas de pura comédia e entretenimento, tudo isso se tornou irrelevante. 

 

 

A comparação é inevitável: O Círculo Dourado é mais caótico do que o primeiro filme. Tem mais ação, mais cenas de luta alucinadas, mais barulho e explosões. Parece também ser mais disperso; quando que antes tínhamos um objetivo simples (uma história sobre um espião improvável que afinal salva o mundo), aqui parece que não existe um só foco. Temos uma história de amor por resolver, uma vilã para derrotar, uma memória para salvar… Tudo naquele espaço de tempo. 

 

O bom de Matthew Vaughn conhecer bem até onde quer levar a ação é que, de alguma forma, consegue que toda a confusão resulte. Mesmo que à primeira vista pareça mais desequilibrado e “desfocado”, não deixa de ser uma sequela que faz jus ao sucesso do antecessor. 

 

A forma como nos leva através da ação é icónica, e muito próxima do seu estilo. É um ritmo alucinante, a que se junta aquele humor tão negro, aleatório e rente aos limites perfeitos para um filme que não tem pretensões de ser mais do que aquilo que é: um divertido filme de espionagem. 

 

Sobretudo porque é muito baseado em todos os estereótipos que podemos imaginar. Desde o cavalheirismo britânico, ao hillbilly norte-americano, parece que põe o dedo em todas as feridas. 

 

O Círculo Dourado está cheio de surpresas dessas: pequenos pormenores que nos fazem rir sem percebermos bem porquê. É uma mistura entre humor fácil e inteligente que nos encanta, nem que seja porque conseguiram que Elton John protagonizasse alguns desses momentos. 

 

É um dos pontos altos do filme, juntamente com a vilã, Poppy. Julianne Moore faz uma vilã que, apesar de um pouco apagada (adorava que tivesse tido mais tempo de cena), faz as delícias de toda a gente. É genial a forma como nos engana com o seu sorriso inocente, enquanto manda matar alguém. Os seus argumentos até quase que parecem razoáveis!

 

 

Juntamente com o elenco a que já nos habituámos (e que continua spot on - sou fã do Taron Egerton!), a sua presença e dos novos personagens é muito interessante. Sem dúvida que os protagonistas continuam a ser os britânicos, mas Halle Berry, Channing Tatum, Pedro Pascal e até Jeff Bridges têm papéis muito interessantes na construção deste imaginário secreto americano. 

 

No fundo, Kingsman: O Círculo Dourado é tudo aquilo que esperávamos que fosse. Temos a comédia, a ação, o humanismo e os bons momentos que o primeiro nos deixou, com um twist diferente. Apesar de seguir a mesma fórmula e dos paralelismo que existem, continua a ser um bom exemplo de que a comédia de espiões, quando bem feita, é uma aposta ganha. 

 

Não vale a pena fazermos comparações, se ficou melhor ou pior do que o primeiro. É verdade que parte do prazer de assistir a O Círculo Dourado vem daquilo que já conhecemos, mas consegue viver por si só, levando-nos numa nova e alucinante viagem no seu táxi. 

 

E pelos vistos não vamos ficar por aqui. Vaughn diz que um terceiro filme é mais do que possível, e até quem sabe spinoffs e filmes dedicados à Statesman (a agência americana). Se é verdade ou não, ainda não sabemos, mas vamos ficar ansiosamente à espera.

 

****