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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Homem-Aranha: Regresso a casa (2017) – dos bons regressos

Sinopse: Depois de ajudar Tony Stark (Robert Downey Jr.) a impressionar os seus colegas Vingadores em Guerra Civil, Peter Parker (Tom Holland) tenta equilibrar a sua vida de estudante, com a de justiceiro mascarado. Mas Parker continua a ser apenas o miúdo do secundário que ajuda o povo de Nova Iorque. Numa demanda por missões mais importante e perigosas, vê-se no meio de uma rede de tráfico de armas perigosas, e num dos momentos mais perigosos da sua vida.

 

 

Antes de mais, é importante frisar uma coisa: apesar de este ser um reboot de uma das histórias mais acarinhadas pelo público fã de super-heróis, é também um reboot com um objetivo claro. É natural que, agora que a Marvel quer juntar todas as suas personagens num só filme, dê também algum background e controlo sobre quem é o Homem-Aranha depois de tantos outros terem tentado antes.

 

No fundo, Regresso a Casa é uma forma de introduzir o aranhiço ao Universo Marvel, e de mostrar o que faz dele um dos mais adorados de sempre.

 

Por isso, não vamos esperar um filme fantástico sobre Homem- Aranha. Ou melhor, não vamos achar que é um filme individual, sem qualquer ligação aos Vingadores – porque esse nunca foi o seu objetivo.

 

Dito isto, dá para perceber porque é que existem tantas referências a este universo, e porque é que as suas personagens estão tão presentes (sobretudo a de Stark); sem elas, este filme deixa de fazer tanto sentido.

 

 

Até porque é uma continuação direta dos acontecimentos que Peter viveu durante o filme Capitão América: Guerra Civil. Na primeira pessoa, Peter dá-nos a conhecer um pouco dos bastidores daquela entrada fantástica, e o que sentiu com tudo aquilo. A forma como é contado é uma das mais engraçadas e deliciosas soluções que vi num filme do género, pois não só é atual, como nos transporta para uma realidade que estará sempre presente ao longo do filme: este Peter Parker é um adolescente, e comporta-se como um adolescente.

 

Seguindo a tendência dos filmes anteriores, a idade de Peter descresceu e, com isso, chegaram uma série de desafios e dilemas que todos nós vivemos na adolescência. É engraçado ver como o argumento e a realização de Jon Watts conseguem catapultar-nos para essa ideia, seja através dos diálogos ou pela forma como as cenas são filmadas, mas até pela reação e comportamento de cada um dos personagens.

 

Assumindo-se como um filme de super-heróis para adultos em que o protagonista é um adolescente, é incrível o equilíbrio que existe entre humor, ação e aquela ingenuidade qb que tem de existir nestes casos. Não há um momento do filme que pareça não fazer sentido, e está mesmo muito engraçado, sem se transformar numa comédia.

 

 Algum adolescente sai de casa sem o smartphone?

 

É claro que o toque de Tom Holland é importante para que tal aconteça. O jovem veste na perfeição o papel de aranhiço, seja na sua faceta mais corajosa, como nos momentos mais patetas e atrevidos (pois não nos podemos esquecer que, acima de tudo, o Homem-Aranha sempre gostou de uma boa piada e partida).

 

E cada uma das personagens assume um papel de relevo também nesta fase. Temos uma Tia May mais jovem, mas também interessante (interpretada por Marisa Tomei), e um Vulture que consegue ser dos vilões mais dualistas e realistas do momento, com um Michael Keaton a fazer uma excelente papel.

 

Não há dúvida de que Keaton é fantástico em tudo o que faz, mas o seu Vulture tem um pouco de tudo: humanidade, malvadez, aleatoriedade, ingenuidade, vilania... É bom ver como o seu vilão é tão completo, ganhando um protagonista que baste.

 

 

A única coisa que pareceu faltar em Regresso a Casa foi uma melhor distribuição dos acontecimentos. Apesar de todos os momentos de tensão estarem bem distribuídos, é um filme que tem o seu quê de longo. Mesmo que os acontecimentos sejam importantes, nota-se uma ligeira quebra na parte final do filme, e menos meia hora seria o ideal para sairmos da sala com uma tensão querida.

 

Concluindo: Homem-Aranha: Regresso a Casa cumpre aquilo para o qual foi criado. É um filme feel-good, que nos entretem e faz passar um bom bocado, enquanto nos dá uma nova perspetiva sobre uma história que já conhecemos de trás para a frente. Foi interessante conhecer novos aspetos da vida de Peter Parker, e ter uma personalidade talvez mais próxima daquilo que se imagina na BD. É um bom regresso para o aranhiço, e com certeza uma aposta ganha para a Marvel.

 

***/2

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