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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Encontros Imediatos de 3º Grau volta os cinemas, e todos deviamos ir ver

Começo por um mea culpa: o título é ligeiramente enganador. Apesar de verdadeiro (o filme de Steven Spielberg vai mesmo regressar aos cinemas, e devíamos mesmo poder ir todos ver), infelizmente não nos será possível concretizá-lo. Tudo porque, a partir de 1 de setembro, Encontros Imediatos de Terceiro Grau vai regressar às salas de cinema... nos Estados Unidos e Canadá.

 

 

 

O anúncio foi feito pela Sony, depois de ter revelado um misterioso vídeo no Dia Mundial dos OVNIs. O vídeo mostrava um radar aéreo, em que era descrito o avistamento de um objeto voador estranho. Muitos achavam que seria um anúncio precoce de uma nova versão da obra de Spielberg, mas os estúdios depressa confirmaram que se tratava apenas da comemoração do aniversário do seu lançamento.

 

É que a 16 novembro de 2017 fazem precisamente 40 anos que Encontros Imediatos de Terceiro Grau chegou aos cinemas. A história escrita e dirigida por Steven Spielberg (que anos antes tinha alcançado o sucesso com Tubarão) rapidamente chegou ao sucesso, conseguindo 300 mlhões de dólares em bilheteiras de todo o mundo, e oito nomeações para os Óscares da Academia – apenas venceu um, de Melhor Cinematografia, e ainda nos espantamos como deixou para trás o de Melhor Banda Sonora Original.

 

Ainda antes do ET querer ligar para casa,  já as cinco notas de Encontros Imediatos nos faziam sonhar com a ficção científica. Bem, a mim não, que nasci décadas depois, mas sim a todos aqueles que tiveram o prazer de testemunhar em primeira mão a sua estreia.

 

Falar de OVNIs não era assim tão comum na Hollywood dos anos 70. Sim, A Guerra das Estrelas tinha saído meses antes, e outros filmes e séries falavam de seres de outros mundos e de vida inteligente no Universo. No século XIX, já H.G.Wells tinha criado uma história em que extraterrestres invadem a Terra.

 

 

 

Porém, Encontros Imediatos tem um teor ligeiramente diferente: o filme traz os extraterrestres para a Terra, brinca com o culto dos OVNIs e a sua investigação, e mexe com a nossa imaginação e curiosidade.

 

Se não, pensemos em Roy, o protagonista interpretado por Richard Dreyfuss que passou por louco enquanto procurava uma nave espacial. A sua própria família teve medo, e todos julgavam ue estava louco, mas a sua persistêcia levaram-no numa aventura alucinante (suponho eu, porque não soubemos o que aconteceu depois de entrar na nave).

 

Nem nunca saberemos. Ao longo dos anos, Spielberg lançou duas versões alternativas do filme, mas em ambas manteve o final e destino de Roy. Em cada versão, o realizador tentou atenuar a decisão de Roy, tentando mostrar como é que era possível que um homem com as suas responsabilidades pudesse abandonar a família sem olhar para trás. Hoje, diz que possivelmente teria escrito a história de forma diferente, mas uma coisa é certa: a curiosidade de Roy, e a possibilidade de abandonar o conforto e responsabilidades pelo desconhecido, somos todos nós.

 

 

Talvez seja por isso que Encontros Imediatos de Terceiro Grau seja tão acarinhado por tanta gente. A verdade é que, no meio dos problemas e frustrações, saber que alguém amigável estava disposto a acolher-nos num novo mundo parece uma solução querida.

 

Para mim, sempre foi a música a resposta. Lembro-me que assisti ao filme pela primeira vez com um misto de curiosidade e incredulidade, talvez por achar que não ia gostar; o filme era quase 20 anos mais velho do que eu, e ao início não parecia nada de especial.

 

Era uma jovem pouco impressionável. Porém, com o passar do tempo, e do filme, a minha opinião foi mudando. Fui percebendo a curiosidade de cada personagem, e a compreender como é que podiam estar tão apegados aqueles extraterrestres que não conheciam. No final, descobrir que comunicavam através da música foi magia.

 

5 simples notas, deliciosas e delicadas, traziam em si todas as respostas. A delicadeza e paz daquela forma de comunicação trouxeram ainda mais curiosidade, mais amor, mais vontade de descobrir o que estava por detrás das luzes e de toda aquela comoção.

 

 

 

De uma forma filosófica, Encontros Imediatos é quase uma maneira de nos mostrar como a comunicação pode vir de qualquer linguagem ou meio; a nossa curiosidade de compreensão das intenções de outros podem vir de algo tão simples como cinco notas musicais. E aquilo que sentimos pode ser transmitido sem emitirmos qualquer palavra.

 

Como alguém que sempre acreditou no poder da palavra escrita e falada (e ainda acredito), é como dar a mão à palmatória. Há ocasiões da nossa vida em que a palavra não é assim tão importante, mas sim o que sentimos quando comunicamos, e o que recebemos de quem comunica.

 

E porque todos gostamos de falar sem pensar nas suas consequências, e damos demasiada importância ao que é dito, às vezes deviamos parar, assistir a Encontros Imediatos de Terceiro Grau e refletir em como o importante é o que sentimos. Devemos exprimir o que temos em nós como o entendermos, e relativizar o que transmitimos.

 

É paz, senhores. É paz.