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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Drive In #8 - A Lógica da Batata

Já ouviram a expressão “lógica da batata”? Sabem o que significa? Uma lógica que não tem lógica mas, mesmo assim, é lógica. Confuso? Então deixem-me contar-vos uma história.

 

A batata, pensa-se, nasceu algures na América do Sul, ali perto dos Andes, há coisa de 2500 anos. A certa altura do campeonato da vida, os nativos viram-se invadidos pelos espanhóis. Como era um bocado difícil evitar os buracos de balas apenas com armas rudimentares, eles optaram pela via estratégica: dando-lhes batata para comer, um tubérculo venenoso. Mas os espanhóis lembraram-se de cozinhar a leguminosa e, ao fazê-lo, anularam o veneno e fizeram ali um banquete digno de reis. Claro que depois levaram a batata para casa, introduziram-na na Europa, e é por isso, amigos, que hoje andam a comer desde puré a frituur! Portanto, é isto: de veneno passou a alimento, quebrando a lógica inicial, tornando-se uma lógica sem lógica, e um provérbio famoso cá na tuga.

 

E vocês perguntam: o que raio tem isso a ver com o Drive In?

 

Esta semana, a nossa pequena rubrica vai ser fora do normal. Ao invés de explorar o lixo cinematográfico que todos adoramos, decidimos variar e - já que estamos em semana de Óscares -, falar-vos de um tesouro deprimente muito atual, que só pode ter sido inspirado por uma película nomeada para sete estatuetas, incluindo o de Melhor Argumento Adaptado e Melhor Filme: Perdido em Marte.

 

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Se viram o filme, sabem que o astronauta Mark Watney (Matt Damon, também nomeado para Melhor Ator) salvou a própria vida a plantar batatas em Marte. A NASA, no filme, achou que isso era tudo muito bem, mas que queriam era trazê-lo para casa, o resto era secundário; na vida real, a história é diferente... Então não é que a agência espacial americana quer mesmo ir lá plantar batatas!?

 

Em parceria com o CIP, Centro Internacional de la Papa (ou International Potato Centre - e sim, isto é uma coisa real), a ideia é chamar à atenção para as potencialidades da plantação de batata em sítios inóspitos, e apontá-la como solução para o fim da fome no mundo. 

 

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Aparentemente, o CIP (que tem sede no Peru) já anda a fazer experiências há anos, e descobriu que a batata é o Die Hard das leguminosas: teima em crescer em condições extremas, e continua tão nutritiva e cheia de vitamina C, ferro e zinco como se fosse plantada em solo super fértil e adubada com o estrume da vaca Mimosa. Por isso, e de entre os cerca de 4500 tipos de batata registados, o CIP selecionou 100 (40 delas nativas das cordilheiras dos Andes, provavelmente descendentes d’A Batata original), e vai estudá-las num deserto sul-americano, com condições do solo parecidas às do planeta vermelho.

 

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O objectivo final? Mark Watney diz no filme, “once you grow crops somewhere, you have officially colonized it”. Ou seja, se conseguirmos plantar batatas num planeta morto há 2 biliões de anos - ou, por outras palavras, a idade do Manoel de Oliveira -, vamos torná-lo na casa de férias dos terráqueos. Próximo passo: wi-fi.

 

E Netflix and chill no planeta vermelho.

 

In your face, Neil Armstrong!

DeLorean

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