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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Drive In #13 - Eragon

Esperar pelo lançamento de livros é a cruz da vida de qualquer leitor que se preze. Sejam sagas ou não, a ansiedade que nos assoma por saber que mais um volume vem aí, misturada com a felicidade de podermos voltar a ler uma escrita ou uma história que adoramos é, no mínimo, agridoce.

 

Sofro muito disso, e houve alguns títulos que quase me fizeram arrancar os cabelos de tantos anos há espera. Mas pior que essa dor, é o temor de ver Hollywood intervir e adaptar certas obras ao grande ecrã. Raras são as vezes em que isso efetivamente corre bem (Hunger Games é um bom exemplo) e, nessas alturas, quase desejamos ter continuado mais uma década à espera do volume seguinte, do que ter perdido duas horas a ver o ato criminoso de partir em mil pedacinhos horríveis uma história de que tanto gostámos.

 

Por isso, esta semana o Drive In faz brilhar o holofote num filme que é, de modo geral, odiado por toda a gente: Eragon.

 

 

A trilogia - transformada em ciclo - da Herança, de Christopher Paolini, ainda é, estes anos todos depois, uma das mais queridas dos fãs da literatura fantástica. O americano começou a escrever sobre o mundo de Alagaësia aos 15 anos, e não demorou para que a história de um rapaz e do seu dragão azul safira corresse mundo.

 

A ideia de fazer um filme parecia boa, e tudo apontava para que se tornasse também um franchise - na altura, ainda o terceiro volume da saga não tinha sido publicado. Começou então a produção desta grande empreitada, que tinha orçamento de 100 milhões de dólares e nomes como Jeremy Irons, John Malkovich e Sienna Guillory no elenco. O papel principal ficou para Ed Speelers….pessoa de quem, até hoje, nunca mais ouvimos falar.

 

E é possível perceber porquê. A sua interpretação do protagonista Eragon foi tão forçada, sem jeito e, enfim, horrível q.b, que conseguiu ser suplantada pela de um dragão gerado por computador - e que, já que falamos nisso, é única coisa positiva deste filme. Os efeitos especiais que nos trazem o dragão Saphira são bastante bons, e todas as cenas onde a criatura entra parecem naturais. E vá, a interpretação de Malkovich também dá uma ajuda, sendo um raio de luz no nevoeiro que é este filme. Por outro lado, conseguimos ver na cara de Jeremy Irons que, realmente, há papéis que só se aceitam pelo dinheiro.

 

"F**a-se...*suspiro*...por que é que me meti nisto?"

 

Para além da mutilação total de uma boa história pela mão do argumentista Peter Buchman (que, obviamente, nunca leu um livro de fantasia na vida), a realização de Stefen Fangmeier também deixou (tudo) a desejar. Não deixa, contudo, de ser compreensível, dado que este foi o primeiro trabalho de Fangmeier como realizador - antes desta estreia, sempre foi supervisor de efeitos especiais (daí a qualidade de Saphira). Ambos foram, sem dúvida, escolhidos a dedo! Ou então foi tipo estágio IEFP, medida novas oportunidades. Melhor: tiraram os nomes deles de um chapéu! Sim, acho que foi mais isto.

 

Talvez a ideia fosse tentar copiar o sucesso de Peter Jackson e da saga Lord Of The Rings - mas, se foi isso, ficou infinitamente aquém. O desenvolvimento de personagens é nulo, e parece que todas as apostas neste filme foram feitas no sentido de colocar cena de ação atrás de cena de ação, para distrair o espetador da falta de sumo geral da coisa.

 

Acima de tudo, Eragon não faz qualquer justiça à obra onde é baseado. “End my suffering.”, diz o Rei Galbatorix (a personagem de John Malkovich) a Duzra (Robert Carlyle), logo no início do filme. E é esse o feeling geral de qualquer pessoa que veja este membro do Hall of Fame dos #LivrosQueDeramParaOTortoEmFilme: são 103 longos minutos de agonia e vergonha alheia, em que nada é remotamente parecido à obra original. E ainda nos fazem teaser de um volume 2 - que, felizmente, nunca chegou a acontecer.

 

 

Se retirarmos os efeitos especiais da equação, tenho quase a certeza que todos nós podíamos filmar uma melhor e mais fiel versão de Eragon, no quintal ou descampado mais próximo…

 

Com um Nokia 3310.

 

"That's the spirit - one part brave, three parts fool."

DeLorean

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