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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Drive In #12 - Van Helsing

Posso dizer, com honestidade, que nenhuma peça cinematográfica ou de televisão atual me marcou tanto como aquelas que via enquanto crescia. Talvez o entusiasmo fosse maior (apesar de gostar de pensar que ainda o mantenho!), ou talvez tivesse menos que fazer com que me preocupar, o que fazia com que desfrutasse mais do que via. Ou, simplesmente, o lixo cinematográfico da altura tivesse outro encanto.

 

Lembram-se da Buffy, A Caçadora de Vampiros? A protagonista, Sarah Michelle Gellar, foi uma das minhas heroínas durante muito tempo: forte, independente e linda de morrer, agraciou a televisões por todo o mundo durante várias temporadas de caça a vampiros. A atriz nova-iorquina faz anos hoje e, por isso, que fique registado que é para ela a dedicatória deste Drive In.

 

 

Mas calma, amigos! Não quis com isto dizer que a Buffy é lixo e não presta, muito pelo contrário! Ora vejam: digam-me uma série ou filme sobre vampiros, que tenha sido feita pós-Buffy, e que tenha qualidade?…..Então, nada? Pois. É, então, sobre um dos muitos fails desse género que apontamos o nosso holofote, esta semana: Van Helsing.

 

Para contexto: a personagem de Van Helsing nasceu com o livro de Bram Stoker, Dracula, editado em 1897. Desde aí, usou vários chapéus, desde professor e médico erudito, a némesis do Conde mais famoso do mundo do terror, a simples caçador de vampiros e seres sobrenaturais.

 

Foi precisamente este último outfit que o realizador Stephen Sommers escolheu para realizar a sua obra épica de 2004. Com Hugh Jackman e Kate Beckinsale nos papéis principais, o filme retrata as aventuras de Van Helsing na sua luta por erradicar bichezas deste mundo e do outro. E quando, subitamente, recebe recado de Anna Valerious - cuja família também anda nessa caça há gerações -, não hesita em ir visitá-la à Transilvânia (where else?) para saber o que se passa.

 

So far, so good, certo? Pois, mas a coisa rapidamente descamba, porque Dracula (Richard Roxburgh) não está disposto a semear o caos de forma clássica, como os seus antecessores, e não vai apenas beber o sangue de rapariguinhas virgens e raptar advogados. Nada disso! Este Dracula vai pegar noutros clássicos da literatura da mesma era e roubar-lhe três personagens: Frankenstein e o seu Monstro (de Mary Shelley) e Dr.Jekyll/Mr. Hyde (de Robert Louis Stevenson)…porque isso sim, faz sentido. Mas fica melhor: para ajudar à festa, o irmão de Anna Valerious, Velkan, é um lobisomem!

 

Isto é o que se chama um #mashupdehistórias. Ou um fail. Como preferirem.

 

É aqui que percebemos que o realizador, que é também o argumentista, está mais interessado em fazer toda a gente andar à chapada e a destruir coisas do que propriamente em desenvolver como deve de ser os personagens. Sommers agarrou no seu livro de clichés e escolheu uns quantos a dedo: o sotaque transilvano das noivas de Dracula, a hiperbolização de tudo o que acontece (mesmo que seja só alguém a respirar) e as piadas fraquinhas para agradar não só aos fãs de terror, como aos de comédia. Escusado será dizer que falhou a todos eles.

 

 


Agora, decorem este número: 160. Acrescentem-lhe mais cinco zeros e vão saber o orçamento deste filme e como foi completamente estourado sem fazer uma coisa que fosse de especial. Para além da carinha laroca de Jackman e da hotness geral de Beckinsale, são apenas os efeitos especiais a criarem apelo visual – e até isso é um pouco meh…mas hey, era 2004, não se pode pedir tudo! E, mesmo assim, filme fora de cena e feitas as contas, Van Helsing conseguiu arrecadar um pouco menos do dobro desse valor. Como? Citando Geoffrey Rush, em A Paixão de Shakespeare: “who knows? It’s a mystery!”.

Podia ser uma boa homenagem aos primeiros clássicos do terror dos anos ’30 e ’40 do século passado, mas acaba por ser só uma piada – principalmente no que diz respeito ao cabelo do Hugh Jackman.

 

Olhem só para esta pose. Nem há palavras.

 

 DeLorean

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