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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Bleed for this - A Força de um Campeão (2016): a vitória da força de vontade

Sinopse: Vinny Pazienza (Miles Teller) é um pugilista promissor no mundo do boxe. Quando começa a treinar com Kevin Rooney (Aaron Eckhart), ganha uma nova esperança, e acaba por se tornar campeão do mundo. Mas um acidente de carro obriga-o a parar durante seis meses, e a usar um halo. Quando todos achavam que nunca mais iria combater, ele treina para provar o quão estão enganados. 

 

 

Existem filmes que, por muito que sejam elogiados ou que tenham boas críticas, acabamos por não dar nada por eles. Ahhh não são o nosso género, não estou a ver nada de promissor, acho que não vou gostar. Para mim, Bleed For This foi um desses casos. Apesar de ter achado interessante a história, e de ser fã de Miles Teller desde Whiplash, não fazia questão de correr para o cinema. O destino trocou-me as voltas, e ontem lá fui à estreia. Sem arrependimentos. 

 

Deparei-me com um filme muito bem pensado e realizado, e uma história de força e coragem. Não significa que seja mais ou menos importante do que todas as outras que já apareceram no grande ecrã; é apenas diferente, e o facto de ser uma história verídica dá-lhe uma outra atmosfera. 

 

Sejamos honestos: não deve ser fácil atingir o pico de uma carreira, para dias depois perder tudo - sobretudo quando ninguém mostra esperanças em recuperar, e todos os riscos são apostas num futuro incerto. Vinny ficou totalmente imobilizado do pescoço para cima, e se há uma zona do corpo mais sensível na sua profissão, é o pescoço. Tanto que, mesmo depois de recuperado, ninguém aceitava lutar contra ele, com medo de que voltasse para o hospital, e os danos fossem ainda maiores.

 

Naturalmente que isso já aconteceu com tantas outras pessoas, e em tantas outras histórias. Porém, o que o realizador Ben Younger conseguiu fazer em Bleed For This foi fazer um filme de boxe sobre uma batalha fora do ringue, e não dentro. Aliás, numa entrevista ao IndieWire, o realizador afirmou que quis fazer um filme de boxe que agradasse aos que não gostam de boxe. 

 

Aaron Eckhart no papel de Kevin Rooney, outra das surpresas deste Bleed For This.

 

Se era esse o seu objetivo… missão cumprida! Os pormenores de construção da história, a forma como mostra os acontecimento, os momentos de caos intercalados pelos silêncio… Tudo nos leva a acreditar que o boxe é apenas uma parte da vida de Vinny, e que o importante é de facto a sua recuperação e luta. E força de vontade não lhe faltou ao longo do ano e meio que teve de recuperar, depois de ter tido o acidente.

 

A vida dá, de facto, muitas voltas. Miles Teller pode ser um dos felizardos a dizê-lo. Depois de duas prestações tão elogiadas (em 2013, com The Spectacular Now, e Whiplash em 2014, fora outros projetos), Teller tem mostrado toda a sua versatilidade de talento em cada projeto. Bleed For This é prova disso mesmo, e arrisco-me a dizer que a sua prestação é uma das melhores coisas do filme. 

 

Não significa que seja fantastica, ou digna de Óscar, mas tem o mais importante: Teller capta tudo o que é tão característico em Vinny, e tenta transportá-lo para aqui. Mais, a sua prestação é também física, e muito própria; ele dá cada pedaço de si para conseguir uma boa prestação, e isso nota-se a cada segundo. 

 

Eu sou fã de Teller, e acho que um filme como Bleed For This era o que faltava para mostrar que é um dos jovens talentos de Hollywood com muito ainda para mostrar. Ainda bem, porque precisamos de sangue novo!

 

 

Bleed For This era aquela lufada que precisávamos para terminar o ano. Não porque se trate de um filme genial; não é, é apenas competente na missão a que se propõe. Claro que existem filmes muito piores no género, e este insere-se numa categoria diferente dos restantes filmes de boxe. Porém, é ótimo para passar um bom bocado, sem choradeiras, problemas filosóficos ou grandes planos artísticos. 

 

Por vezes, é só isso que precisamos quando vamos ao cinema: um filme competente, que nos deixe presos na história, e com o qual fiquemos impressionados. 

 

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