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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Baywatch: Marés Vivas (2017) – eu nem sei o que dizer

Sinopse: Mitch Buchannon (o Dwayne Johnson, não o outro), é um nadador-salvador muito aplicado, que tenta a todo o custo manter a baía protegida. Quando o tráfico de droga chega ao local, tem de fazer de tudo para o impedir, enquanto lida com o novo e inesperado recruta.

 

 

Quando digo no título que não sei o que dizer, é porque não sei mesmo o que dizer. Passei horas a tentar perceber se teria coragem para escrever este texto, ou se ficaria na gaveta dos “filmes que vi mas não sei o que dizer sobre eles.”

 

Atualmente não são muitos que me deixam assim; tenho sempre uma opinião a partilhar. Mas no caso de Marés Vivas, estou no limbo entre “este filme nunca devia ter existido” e “bem, dá para passar um bom bocado.”

 

Não fiquemos com rodeios: este nunca foi um filme feito para receber elogios. Foi feito para ser uma peça de entretenimento, com pés e cabeça, e com as fórmulas de entretenimento às quais estamos acostumados.

 

Aliás, Seth Gordon, o realizador, tem mostrado que conhece bem essa fórmula há vários anos. Nos últimos tempos já nos deu Chefes Intragáveis, Vigarista à Vista e até algumas séries (The Goldbergs, The Office, Parks and Recreation...) que nos tiram várias gargalhadas, e estão bem construídos.

 

Zac Efron é o improvável recruta, antigo campeão olímpico, que deixa de acreditar que vai ser "apenas" um nadador-salvador. 

 

Em Marés Vivas, não podemos dizer que isso não acontece. A verdade é que é um filme descontraído, divertido e que sabe bem viver da comédia. Seja ela fácil ou não (é sempre comédia fácil quando tentamos pôr alguém a competir com os feitos físicos de The Rock, mas nunca menos eficaz), tira risos e gargalhadas a quem o vê.

 

O facto de ter vários paralelismos com a série original que lhe dá nome também pode ajudar neste ponto. Para quem se lembra bem da série, vai ser engraçado encontrar os pontos em que série e filme se tocam (e não estou a falar apenas do nome do protagonistas). Uma das melhores coisas é mesmo ver como o filme goza consigo mesmo, a sua capacidade de nos mostrar que sim, esta até pode parecer uma paródia, com caminhadas em câmara lenta de mulheres avantajadas, ou cameos que não lembram o menino Jesus, mas é uma paródia com graça por si só.

 

Este Marés Vivas, na verdade, só funciona porque tem essa base: ser uma comédia que quer brincar com tudo aquilo que todos nós brincamos sobre o Marés Vivas original. Todos nós gozamos com os andares em câmara lenta, ou com a ideia de que Mitch é um super-homem, quando na verdade é que é apenas um nadador-salvador. O filme só pegou em tudo isso, e construiu um enredo.

 

Um enredo previsível, sem nada de novo, e totalmente igual  todos os outros que já vimos, de minorias a tentarem desmascarar o mau da fita. Mas pergunto-me: não terá sido de propósito?

 

Priyanka Chopra mostra que as mulheres também sabem ser vilãs. 

 

Existem paródias como Scary Movie, grosseiramente más e propositadamente mal feitas. Depois, num campo muto específico, estão aqueles filmes que querem gozar com os outros filmes e fórmulas, mas fazem-no em bom.

 

Vou arriscar a pôr Marés Vivas nessa categoria. Não sei se era essa a ideia de Gordon e restante equipa quando começaram a fazer o filme, mas essa foi a ideia com que fiquei.

 

E se por acaso foi de propósito, kudos para todos eles. Porque sejamos francos: Marés Vivas não era a melhor série do mundo, nem a sua premissa era. Só que resultava, e continua a resultar.

 

Continuo sem saber o que dizer. Continuo sem saber dizer se gostei, ou se dispensava tê-lo visto. Mas uma coisa é certa: não há nada como uma comédia meio ridícula para passarmos noites difíceis.  

 

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