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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Battle of the Sexes (2017) – entre homens e mulheres surgem bons filmes

Sinopse: Um homem e uma mulher. Um campo de ténis. Uma história verídica, de um encontro que ficou para a História do desporto norte-americano, e que pôs frente a frente o poderio feminista e o chauvinismo masculino. Battle of the Sexes é a história de Billie Jean King (Emma Stone) e Bobby Riggs (Steve Carell), dois tenistas em fases distintas de carreira que querem marcar uma posição. E conseguem.

 

 

Para sinopse, tem mais poesia do que informação, mas nada do que diz está errado. Battle of the Sexes (que ainda não chegou a Portugal) é mesmo uma história verídica, sobre um jogo de ténis entre uma mulher e um homem. Ela estava no auge da sua carreira, e tinha sido a primeira mulher a ganhar 100 mil dólares num torneio; ele vivia atrás de uma secretária e ansiava pela ribalta, enquanto lutava contra o vicio das apostas. Ela combatia o machismo no mundo do desporto; ele não queria saber do empowerment feminino para nada.

 

E assim nasceu um confronto de onde resultou uma conclusão: uma mulher pode ter tanta capacidade no campo quanto um homem – e até derrotá-lo.

 

O confronto entre King e Riggs, mais do que ter ficado para a História do desporto, foi um evento de proporções massivas. Foi em 1973. 30 mil pessoas assistiram ao vivo, outras tantas em casa. Um circo mediático que tornou King num símbolo para as atletas femininas.

 

Battle of the Sexes cumpre a missão de nos contar tudo isto de forma interessante e contextualizada. É claro que o confronto entre estes dois não aconteceu só porque sim. Existiu um caminho, uma necessidade e até uma conjectura que o permitiu. O que o filme nos permite perceber é exatamente como é que esse caminho foi feito.

 

Sem entrar em muitos pormenores técnicos, mas contando aos poucos tudo o que precisamos de saber. O protagonismo vai de King para Riggs, ambos grandes intervenientes na história. São as suas motivações que nos fazem chegar até aqui, e está muito bem percebido como.

 

 

Não existem grandes voltas poéticas, muitos planos filosóficos ou citações complexas. Battle of the Sexes é o que é: um testemunho de como é que um jogo de ténis mudou a vida de duas pessoas, e de uma certa mentalidade. Por isso, não precisavam inventar a roda.

 

O que fizeram bem foi conseguir dar-nos a conhecer os factos importantes, sem cair na tentação de tornar a história mais dramática ou pesada. É um filme leve, com os seus pequenos laivos de humor, onde a mensagem passa bem e com volume elevado.

 

Ao longo do filme notamos que o holofote tem tendência para cair mais sobre Emma Stone e a sua King, e deixa Carell um pouco de lado. Não é que seja negativo, apenas o é. Mas também é verdade que muitos dos acontecimentos tiveram origem graças à mudança de paradigma e mentalidade social que em que King estava envolvida, e a sua liga composta apenas por mulheres.

 

É claro que isso acaba por destacar também o trabalho de Stone, se bem que parece que a atriz está a cair dentro de um cliché em que caem muitos vencedores de Óscar: todos os papéis depois de ganhar a estatueta estão sobre uma pressão incrível!

 

Também já aconteceu com Carell, que depois de ter sido nomeado pelo seu papel em Foxcatcher em 2015, parece ter-se mantido num registo em que todos esperam grandes interpretações.

 

 

Porque são belíssimas interpretações, do elenco principal e secundário - com grande relevo no decorrer dos acontecimentos. Só que por vezes parece exagerados os títulos que encontramos por aí. “Ahh este papel vai merecer nova nomeação.” “Ahh estão tão bons que merecem prémios.” Claro que merecem, porque fazem sempre um papel excecional. Neste caso particular acho que deixava o dourado para outros.

 

O mais importante em Battle of the Sexes é mesmo tudo o que nos passa. O trabalho que King ajudou a desenvolver para que as mulheres pudessem ter as mesmas oportunidades que os homens no mundo do ténis é louvável. Ao derrotar Riggs, um assumido machista que achava que as mulheres não conseguiam ter a mesma capacidade que os homens, mostrou como essa mentalidade errada podia mudar.

 

De certa forma, mudou. Pode até ter demorado, mas mudou.

 

Ter esta história contada num filme tão fácil de ver e compreender é uma forma de não nos esquecermos do que aconteceu. Este é um filme tão simples, e ao mesmo tempo tão poderoso, que dificilmente nos deixa com uma  sensação de vazio. Ficamos antes com a certeza que assistimos a um filme interessante, cheio de boas intenções e que as consegue concretizar.

 

E uma lição de história para levarmos connosco.

 

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