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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Batman v Super-Homem (2016): ataque de titãs

Sinopse: quase dois anos depois da apresentação de Super-Homem ao mundo, e da descoberta de que não estamos sozinhos no Universo, que deixámos de ser os mesmos. Não estamos muito certos de que o Super-Homem é mesmo o herói de que todos precisamos… mas também temos as nossas dúvidas acerca de Batman, que fez sua missão acabar com o homem de aço. Mas uma ameaça inesperada faz com que tenham de se unir para nos salvar a todos.

 

Há três anos, Zack Snyder trouxe-nos uma nova versão de algo muito conhecido: o Super-Homem. Se ao início se pensou que fosse mais um filme de super-heróis, a verdade é que Homem de Aço mostrou-nos um Super-Homem mais negro, introspetivo, e que deixa de lado a verdade, justiça e o jeito americano para perguntar-se se as suas capacidades são, de facto, uma benção para a humanidade. 

 

Para alguém como eu - que tem edições de colecionador dos quatro filmes originais, algumas BD, bastante merchandising, e até vi a tentativa de Brian Singer de trazer o kryptoniano para os nossos dias -, foi uma ótima nova perspectiva sobre uma história que parecia que não podia trazer nada de novo.

 

Mas trouxe. Este novo Super-Homem (interpretado por Henry Cavill) não é o todo-poderoso que os outros pareciam ser; é mais humano, com as suas crises de identidade, os seus dilemas pessoais e profissionais, e uma família da qual tem de cuidar; é um homem com poderes, com um gosto duvidoso para a escolha de indumentária, mas que tenta ao máximo fazer o que está certo, sem saber se é, de facto, o melhor.

 

Da mesma forma, seria de esperar que o Batman que Snyder agora nos apresenta também não fosse muito diferente daquele que conhecemos: distante, calculista, atormentado pela morte dos pais, determinado a defender a cidade de Gotham. Na verdade, este Batman é mais do que isso: é também mais velho, com 20 anos de experiência como justiceiro, e numa fase da sua vida em que já questiona se aquilo que faz tem, mesmo, alguma importância para a cidade.

 

Por outras palavras, Batman v Super-Homem consegue pegar em duas personagens que achávamos que conhecíamos, para lhes dar uma nova roupagem.... E não falo apenas no upgrade dos fatos.

 

Nesse aspeto, este filme é uma surpresa. Pela primeira vez temos dois dos mais adorados super-heróis da banda desenhada frente a frente no grande ecrã, e mais do que uma tentativa para ganhar dinheiro com isso, é uma ótima e bem construída obra de ação. E mais: toca num ponto da história da DC Comics e do Super-Homem que não esperava ver no cinema tão cedo, bem como em algumas das suas raízes.

 

Snyder consegue manter um ambiente negro e misterioso ao longo de todo o filme, bem como toda a ação que vemos a desenrolar-se à nossa frente. Passamos de Metropolis para Gotham, do Daily Planet para a Batcave, sem perdermos um fio à meada do que está a acontecer - o que significa que Snyder sabe bem para onde quer ir com a história, e conhece-a bem. A acompanhá-lo está um argumento detalhado q.b. e muito bem construído, que nos leva por entre as cidades, e uma banda sonora ritmada e certeira em cada momento (Hans Zimmer colaborou com Junkie XL, e ainda bem, porque se ele nunca faz nada mal, só melhorou).

 

É claro que nada disto era possível se as personagens não o permitissem. Já conhecemos Clark Kent e Bruce Wayne (que, mesmo com mais 20 anos em cima, é o mesmo garanhão de sempre), mas existe também um delicioso Jeremy Irons na pele do sábio (e muito humorístico) Alfred, uma Amy Adams competente como Lois Lane, e uma pequena referência para Holly Hunter como Senadora Finch.

 

Mas a vénia fica para fazer a Jesse Einsenberg e ao seu lunático Lex Luthor. Tive receio quando o ator foi escolhido para o papel, porque temi que mantivesse aquele semblante poker face que nos tem mostrado. Estava enganada: ele pega no agitado Lex de Gene Hackman, dá-lhe uma pitada da loucura de Kevin Spacey (no malfadado Super-Homem: O Regresso, de 2006), e presenteia-nos com um Luthor que há muito queria ver no cinema, louco como só ele pode ser.

 

Lê-se nos sites internacionais que a crítica não está a receber bem este Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça. Dizem que é demasiado sério, que o Super-Homem não é tão bom e humorístico como na BD, que a história está confusa e não nos leva a lado nenhum, e que Snyder gosta é de explosões e de destruir cidades.

 

Dou-lhes de barato a última afirmação, porque menos edifícios a ir pelo ar não era nada mal pensado. Mas discordo das restantes. A verdade é que o espírito das bandas desenhadas originais pode parecer perdido, mas nem tudo tem de ser exatamente igual. A Warner Bros quer apostar num público diferente, em heróis mais humanos e negros. Isso é mau? Não me parece. Para filmes repletos de humor e ironia, temos os Vingadores; não precisamos que o Super-Homem e o Batman se enfrentem como o Capitão América e o Homem de Ferro – é por isso que não existe um VS no título.

 

Eu posso gostar muito do Super-Homem e Batman originais, mas gosto de ver este lado diferente. Não preciso que os filmes sejam todos flores e corações; o drama existe, pode e deve ser utilizado no cinema. Continuo a assistir aos filmes com Christopher Reeve com prazer, tenho em Christian Bale e Michael Keaton os meus morcegos preferidos. Mas Cavill e Affleck dão-lhes outra roupagem, e é isso que importa numa Hollywood que parece já não saber o que fazer com as histórias que continua a contar.

 

No final, o que importa é que este filme nos apresentou uma das personagens que mais curiosidade tenho de ver no cinema: a Mulher Maravilha. Com tanto mistério entre a sua presença e o próximo Liga da Justiça (o véu foi levantado, e não precisámos de créditos finais – TEAM DC), ainda há muito para conhecer. E eu vou querer ver tudo!


De 0 a O Ben Affleck parece um bicho, leva: O Ben Affleck está graaande!

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