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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Baseado em factos verídicos, a nova tendência

“Inspirado em factos verídicos.” Nos trailers mais recentes, nos pósteres que têm feito sensação ultimamente, esta uma das frases mais usadas. Logo ali, depois do nome do filme, chega-nos a motivação de que precisávamos para ver.

 

A verdade é que a tendência não é nova. Desde os primórdios do Cinema que os estúdios em Hollywood descobriram que o público gosta de ver na tela a sua versão de histórias que todos conhecemos. E se não conhecemos, o facto de sabermos que já aconteceu a alguém parece que nos deixa com uma vontade acrescida de a conhecer.

 

É um bom marketing. No fundo, os filmes dão-nos aquilo que Correio da Manhã os dá todos os dias: uma perspetiva aquilo que acontece na vida dos outros. E não é o Correio da Manhã o jornal diário com maior tiragem?

 

O princípio é o mesmo, e tem feito sucesso nos últimos tempos. Entre o final de 2015 e o início de 2016, vários são os filmes que os seguem. A Rapariga Dinamarquesa e The Revenant: O Renascido são dois deles. A Queda de Wall Street e O Caso Spotlight, com estreia também para janeiro, outros. Lá para fevereiro vamos também ter Os 33, baseado nos eventos de 2010 em que 33 mineiros chilenos ficaram soterrados durante 70 dias.

 

O cinema português não escapa: Amor Impossível, o mais recente de António-Pedro Vasconcelos, também é baseado em factos verídicos.

 

Não me espanta que a tendência esteja a crescer. Se formos a ver, nos últimos anos os grandes nomeados e vencedores de prémios no mundo do Cinema tinham factos reais como base das suas histórias. As guerras, lutas pessoais que se tornaram movimentos sociais, vitórias de pessoas e grupos sempre foram um meio fácil de encontrar uma história que inspire, emocione e nos ponha a querer mais.

 

Não condeno quem o faz, até porque não resisto a uma boa história. Se há coisa que a Humanidade nos traz são pessoas com histórias de vida fenomenais e dignas de serem contadas. Se a inspiração está tão próxima, porque não aproveitar?

 

O Cinema é um meio privilegiado para nos contar esses poderosos testemunhos. Mais do que ler, ou ouvir falar, é como olhar para as aulas de História com os nossos próprios olhos. Quando os filmes são bem conseguidos, somos levados a viajar no tempo e no espaço, e quase que testemunhamos na primeira pessoa aquilo que foi sentido.

 

Isto quando são bem conseguidos… Só tenho medo quando, pelo contrário, parece que pegam numa história só pela conveniência de estar ali à mão.

 

Espero que a tendência seja seguida pelo melhor. Aguardo com expectativa alguns destes filmes, e acredito que possamos estar novamente perante bons testemunhos. Tenho fé em quem tem o poder. Por agora…