Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Audrey Hepburn – quando Hollywood transpirava classe

Era uma vez uma Hollywood em que as senhoras tinham uma classe sem igual. Elas deslizavam, transpiravam elegância e irradiavam luz em cada sala em que entravam. 

 

Ou, pelo menos, assim era com Audrey Hepburn, uma bailarina belga que se tornou uma das atrizes mais conhecidas em todo o mundo. Como? Com fortes interpretações e uma beleza que ia além do exterior, que hoje celebramos naquele que seria o dia do seu aniversário.

 

 

Talvez muito se tenha devido à sua infância e crescimento: filha de pai britânico e mãe holandesa, e com ascendência aristocrática, Hepburn desde cedo viajou e fez da Inglaterra a sua casa. Mas, possivelmente a época que mais a marcou foi a Segunda Guerra Mundial, altura em que viveu na Holanda com a mãe, e que testemunhou as atrocidades feitas aos judeus seus conterrâneos. Mais do que isso, ela própria sofreu na pele as consequências da guerra, passando fome e contraindo doenças que, mais tarde, a impediram de perseguir o sonho da dança.

 

Mas nasceu uma atriz – e uma das melhores da sua geração, acho que estou na posição de afirmar. Primeiro com pequenos passos, no início da década de 50, depois em grande e cheia de si quando, em 1953, protagonizou um dos primeiros filmes a serem gravados num país estrangeiro: Férias em Roma - que, mais tarde, lhe valeu o seu primeiro e único Óscar da Academia.

 

Recordo-me vagamente da primeira vez que vi Hepburn a representar. Foi possivelmente em Sabrina, assim de relance e como quem não quer a coisa. A voz doce, a face suave e cativante, a expressão que nos prende só de olharmos a primeira vez… Não ganhava eu uma das minhas atrizes de eleição, como a minha primeira girl crush.

 

 

O porquê não consigo explicar. A verdade é que, quantos mais filmes assisto com a participação de Hepburn, mais me faço crer que a sua elegância e crueza (no sentido em que é real, transporta-nos para outra época e faz-nos sentir na pele tudo aquilo que a sua personagem sente) ficaram perdidas numa Hollywood que teima em não voltar.

 

Desde a dama indefesa que Hollywood teimava em mostrar nos seus filmes, à mulher independente trabalhadora que sonhava com joias Tiffany em Breakfast at Tiffany’s (das poucas vezes em que me recuso a utilizar o nome em português), passando por uma cega lutadora em Os Olhos da Noite, e até a eterna apaixonada de Robin dos Bosques em A Flecha e a Rosa, ao lado de Sean Connery, a complexidade e polivalência de Audrey Hepburn é, no mínimo, encantadora.

 

São muitas as caras que vão passando ao longo dos anos pelo grande ecrã; a cada 365 dias, centenas de novos atores são estrelas de pequenos e grandes filmes, para serem considerados novas promessas. Desses, poucos são aqueles que ganham fama mundial, que reconhecemos por nome ou cuja cara nos faz recordar um filme ou momento.

 

Estrelas como Audrey Hepburn são diferentes. Mais do que uma associação a nome ou filme, a sua presença é intemporal e vai de geração em geração como símbolo de uma era, em que a beleza era acompanhada por talento e bondade inatos, e quando o corpo era apenas um meio e não um acessório.

 

 

Sem desmérito para as excelentes atrizes que hoje nos acompanham, Hepburn tinha uma luz que poucas (ou mesmo poucos, pois é transversal a género) conseguem igualar.

 

Opportunities don’t often come along. So, when they do, you have to grab them.”

 

Hepburn aproveitou as suas oportunidades como ninguém, e dedicou uma vida à arte e a ajudar aqueles que mais precisam - foi até homenageada pelo Presidente dos Estados Unidos (na altura, George W. Bush Sénior) com a Medalha Presidencial da Liberdade, pelo seu trabalho como Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF.

 

Mais do que uma atriz que nos inspira no seu trabalho, é uma mulher que transpira valores a que todos devíamos almejar. Quase parece que a sua idolatração roça a de uma deusa… Talvez não tanto, mas a verdade é que poucas são as pessoas que marcam tantas gerações como aquelas que Audrey Hepburn marcou. E, por isso mesmo, hoje celebramos a sua vida, as suas conquistas e as maravilhas que nos deixou.

18 comentários

Comentar post