Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As histórias de amor de Brooklyn (2015)

Sinopse: Eilis (Saoirse Ronan) é uma jovem irlandesa que parte em busca de um futuro melhor na Brooklyn dos anos 1950. Independentemente das saudades, leva em frente a sua vida e envolve-se num romance com um local. Mas quando tem de regressar a casa, vê-se dividida entre dois mundos, sem saber a qual verdadeiramente pertence..

Há histórias de amor que não são apenas entre duas pessoas que se apaixonam, e inevitavelmente acabam por casar e constituir família. As famílias e amigos também se amam, apaixonamo-nos por lugares e por nós próprios.

 

Em Brooklyn, conseguimos ter um pouco de todas elas. Sofrendo de saudades por amor a uma irmã e à cidade que sempre conheceu, Eilis acaba por se apaixonar por uma nova vida e, eventualmente, por um jovem tão sonhador quanto ela.

 

Nesse aspeto, Brooklyn é isso mesmo: uma bonita história de amor, em todas as suas vertentes. Do amor puro pela família (e dos laços fortes que enfrentam um oceano), ao inocente cruzar de olhar que leva ao primeiro romance. Mas mais do que isso, Brooklyn é um testemunho de como o ser humano se pode adaptar e encontrar uma nova casa, quando o amor dá uma ajuda.

O problema é que não vai muito além disso. Sim, tem um ambiente e cenografia belíssimos, que nos transportam diretamente para a Nova Iorque dos anos 50 do século passado. Sim, é um diferente testemunho da vida dos emigrantes que, antes do advento do Skype, quase se despediam para a vida (sendo irmã de uma emigrante, isso parte-me o coração). E sim, tem belas interpretações que nos fazem sentir empatia por toda a história.

 

Sobretudo de Ronan: a sua expressão e posição marcam a diferença. Doce e decidida ao mesmo tempo, está repleta de convicção; no momento seguinte, as suas fragilidades surgem ao de cima. Será uma interpretação para Óscar? Comparando com as mulheres com quem partilha a categoria (Melhor Atriz), talvez seja prematura - mas sou sua fã desde Atonement, e acredito que não há nada que não faça bem. Arrisco-me até a dizer que é o seu papel mais adulto e capaz.

Brooklyn fica por aí. É uma pérola bonita de se olhar, mas pela qual não pagava uma fortuna - o que não lhe tira o mérito: é simples, mas é bem feito, e tem uma história muito bem estruturada por detrás. Por vezes,  um filme tão coeso é difícil de encontrar.

 

É um filme agradável, que nos eleva os espíritos. Ficamos felizes por Eilis, pelas suas escolhas. E no meio de toda a confusão de Hollywood,  faz bem sentir uma brisa tão fresca quanto esta.


De 0 a O Sotaque Irlandês é Incompreensível, leva: Até Conseguimos Perceber Bem o Sotaque.