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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

A Sétima Arte já não vive só de filmes

Pensem bem: quantas vezes é que nos últimos anos ficaram presos a uma série de televisão? Quantos episódios é que viram, presos ao ecrã, ansiosos por saber a sua continuação, depois de 50 minutos de ação? Quantos minutos passaram em frente a um ecrã a papar episódios, em vez de assistir a um bom filme?

 

A tendência não é de agora. Nos últimos anos, assistimos a uma mudança de paradigma: a produção televisiva passou de algo mais degradante, para tão importante quanto o cinema.

 

Isto não apenas aos olhos do público, que passou a gostar cada vez mais de ver boas séries; também pra a indústria, que valoriza cada vez mais o trabalho das equipas. Os atores e realizadores de televisão deixaram de ser considerados inferiores para ganharem um estatuto importante, e é comum a simbiose entre as duas indústrias. Até nomes aclamados no mundo do cinema já partem para a televisão como se fosse o próximo filme vencedor de um Óscar.

 

Mas mais do que a perceção de que a televisão também é boa, o que mudou foram as produções. Com cada vez mais pessoas a querer assistir a séries desafiantes e interessantes (além das ocasionais e ótimas sitcoms, ou CSI da vida), os estúdios foram arriscando, foram criando coisas novas, foram trazendo para o pequeno ecrã enredos que, de outra forma, só veríamos em filme, ou leríamos num livro.

 

Estou a lembrar-me de séries pioneiras, como Perdidos ou Heroes, que ganharam uma legião de fãs enorme, ao mais recente boom que contou com American Gods, Walking Dead, Taboo, ou Guerra dos Tronos.

 

Será que a sétima arte deixou  então de ser apenas sobre Cinema?

 

Na verdade, sempre foi mais do que isso. Foi em Itália que surgiu pela primeira vez a divisão das artes por números, tendo em conta a forma como se manifestam. O Cinema passou a ser considerada a sétima por englobar em si uma forma diferente de demostrar todas as outras, e assim ficou.

 

Da mesma forma, o conceito de Cinema é muito mais lato: pode significar a arte de fazer filmes, que por sua vez são “sequências de imagens registadas em película através de uma câmara, que se projetam num ecrã, muitas vezes acompanhas de um fundo musical” (diz-me a Infopédia).

 

Então para mim, a Sétima Arte passou a ser muito mais do que isso. Hoje é uma mistura entre filmes e séries altamente bem produzidas, com enredos fantásticos. São os filmes que vemos no cinema, mas também os que empresas de streaming e companhia televisas optam por financiar sem chegar às salas. São as curtas que adoramos, os documentários que amamos, e tudo o que nos desperte emoção quando filmado com uma câmara.

 

E podem dizer que cada macaco deve estar no seu galho; que TV é TV, e Cinema é Cinema. É verdade, e uma produção cinematográfica nunca terá as mesmas condições que a produção de uma série. Mas arte é arte, e esta dos movimentos registados em película está a crescer e a desenvolver-se cada vez.

 

Isso é bom. Isso é mostrar que temos mais pessoas interessadas na cultura, na arte de fazer filmes e séries. E é injusto que a televisão seja apenas uma arte menor só porque não é vista num ecrã gigante.

 

Serei a única a pensar assim?