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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

A Queda de Wall Street, ou como as pessoas andam sempre a lixar-nos

Sinopse: Em 2005, um financeiro de Wall Street, Michael Burry (Christian Bale), descobriu que o mercado imobiliário estava assente numa bolha, e que essa bolha estava prestes a rebentar e a fazer colapsar a economia norte-americana. A sua decisão de ir contra os grandes bancos foi descoberta por outros poucos especialistas, e juntos viram aquilo que mais ninguém quis ver… até que fosse tarde de mais.

 

 

Os dramas financeiros estão na moda, pelo menos nos últimos anos. Tudo começou com Wall Street - Poder e Cobiça, em 1987, que viu a sua sequela, O Dinheiro Nunca Dorme, chegar em 2010 - ano em que o documentário Inside Job - Trabalho Interno, causou polémica; um ano depois, Margin Call - O Dia Antes do Fim, dá-nos mais umas luzes sobre o início da crise financeira mundial; mais recentemente, O Lobo de Wall Street, vem confirmar, se bem que de forma diferente, que Wall Street está mesmo cheia de histórias para contar.

 

Pena que não tenham muito de bom nelas. Se o mais recente Lobo de Wall Street nos conta a história de um homem que aproveitou o mercado financeiro para enriquecer à conta de crimes e desfalques, este A Queda de Wall Street mostra que, afinal, o próprio mercado financeiro anda a cometer crime atrás de crime, criando uma bolha que nos coloca a todos em risco.

 

E tanto fizeram que, em 2007, aquilo que meia dúzia de pessoas previu aconteceu mesmo, deixando milhões de famílias à beira da ruína. 

 

 

O que é bom (e mau) no filme de Adam McKay é que percebemos de forma simples tudo o que aconteceu até ao desastre de 2007: o realizador desconstrói a história e monta todas as peças do puzzle de maneira a que até o complicado seja facilmente compreensível. E entre brincadeiras e presenças especiais de personagens de que não estávamos à espera (como Selena Gomez, Anthony Bourdain ou Margot Robbie), entendemos a difícil linguagem e os meandros complexos daquela situação.

 

Nesse aspeto, é um dos realizadores mais inventivos do lote de premiados deste ano, porque pegou numa peça complexa e teve de a tornar atrativa e simples de compreender. O seu background na comédia com certeza que ajudou, porque conseguiu fazê-lo sem problema.

 

E não estava sozinho: com ele chega-nos um elenco que merece destaque tanto individualmente, como enquanto grupo. Mesmo que as suas histórias não se cruzem presencialmente, cada um dos atores que deixa marca em A Queda de Wall Street acrescenta o seu cunho de maravilha. Christian Bale foi agraciado com uma nomeação para Melhor Ator Secundário (e bem justificada), mas ficaria igualmente bem entregue a um assertivo Steve Carrell, ou a um provocador Ryan Gosling.

 

 

A mestria de A Queda de Wall Street passa definitivamente por um argumento bem estruturado, e uma realização e edição que o acompanham sem igual. É isso que nos faz olhar para ele não como mais um filme sobre Wall Street, mas sim como uma obra digna de ser vista e revista, e destacada entre os seus pares.

 

Se é o melhor do ano? Não sei dizer. Tudo o que faz de A Queda de Wall Street um bom filme, encontramos em tantos outros - o que não lhe tira mérito: ri, fiquei abismada com a informação, emocionada com as repercussões das suas ações, e continuo a considerá-lo um filme excelente, com uma nomeação mais do que merecida.

 

É o meu tipo de filme: a dose certa de humor, loucura, crítica social q.b. e interpretações do camandro. Só não posso dizer que me arrebatou como estava à espera. E eu preciso de ser arrebatada para o considerar o melhor entre os melhores.

 

De 0 a All hail Ryan Gosling leva: O Ryan Gosling é tãaao giro!