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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

5 musicais para todos os dias

Não existe consenso: há quem os adore, há quem não os suporte! Por entre os trezentos mil géneros que existem, o cinema musical é provavelmente aquele que desperta mais paixões, qualquer que seja a opinião sobre a sua existência – os que adoram apoiam fervorosamente, os que detestam fazem de tudo para que não vejam a luz do dia.

 

Confesso: musicais são o meu guilty pleasure. Sei as letras de cor, tenho as bandas sonoras como playlists no Spotify, e várias são as vezes que me vejo e abrir uma delas para alegrar o meu dia.

 

Talvez seja porque os musicais me fazem lembrar os filmes da Disney, em que príncipes e princesas cantavam a sua história, e nos encantavam com momentos de música cujas letras ainda hoje sei de cor. Ou talvez seja porque, no fundo, eu gosto é de um filme que me faça reviver cada momento só com a lembrança de uma palavra.

 

Acreditamos que não há melhor altura para celebrar o cinema musical, do que na semana em que se comemora a vitória de Música no Coração, na categoria de Melhor Filme dos Óscares da Academia.

 

Por isso, apaguem as luzes, ponham o volume no máximo e deliciem-se com as notas musicais de cinco filmes obrigatórios para qualquer fã do género!

 

 

  • Música no Coração (1965)

 

 

Era inevitável começar com o filme que nos dá o mote para este artigo. Mais do que o melhor filme de 1965, Música no Coração conseguiu ser dos poucos musicais a ganhar lugar nos corações de tantas famílias, mesmo daqueles que se achavam demasiado bons para não gostar de filmes com cantorias.

 

A delicadeza e classe da eterna Julie Andrews é inigualável, e o charme intemporal de Christopher Plummer, emprestam magia ao filme, repleto de um aura de desafio e combate às adversidades...sempre aço som de uma música engraçada.

 

É leve, divertido qb e até um pouco dramático, e as músicas são uma adenda bonita. E ai de quem não consiga derreter-se ao ouvir a voz de Andrews...

 

 

  • Fantasma da Ópera (2004) / Os Miseráveis (2012)

 

 

São dois filmes numa só categoria, eu sei, mas achei que merecia. Porque cada um destes filmes pode ser visto como clássico do mundo dos musicais: histórias intemporais que utilizam a música como narrativa, e não apenas como uma extra.

 

São diálogos inteiros em forma de canção, pedaços importantes da história que ficamos a conhecer através de notas musicais. Acredito que nem todos tenham a vontade para conseguir aguentar tanta cantoria mas, por outro lado, não são todos os que conseguem manter um argumento rico e interessante, com as músicas lá no meio. E estes conseguem.

 

 

Em primeiro lugar, O Fantasma da Ópera é um dos clássicos da autoria de Andrew Lloyd Webber, que sempre viveu no nosso imaginário. Pelos meandros da ópera, temos uma história dramática e cheia de emoção, pensada primeiro para o palco, e depois adaptada para o cinema. Com a ajuda do próprio Lloyd Webber, a adaptação foi pensada ao pormenor e cheia de coisas boas.

 

O mesmo aconteceu com Os Miseráveis. Escrito no original por Vitor Hugo, adaptado mais tarde para a Broadway, é um dos musicais mais conhecidos do mundo. A sua última adaptação para cinema foi alvo de elogios por parte de todos, e com razão: são interpretações soberbas e um argumento bem construído.

 

E são bonitos, pá!

 

 

  • Hairspray (2007)

 

 

Chegou o momento de deixar para trás os grandes musicais e passar para aqueles que nos marcaram a memória porque, bem... Aconteceu.

 

Hairspray é um desses casos. Também da Broadway, adaptado para cinema no ido ano de 2007, fala de uma menina gordinha que quer vencer no mundo da música e da televisão. A ajudá-la tem a mãe, que, por algum motivo, acharam que podia ser interpretada por John Travolta – bem, nada contra, foi em musicais que o senhor começou... Só que numa pele masculina.

 

O que Hairspray tem de bom é uma história a dar para o parva, com personagens igualmente idiotas... Mas músicas que ficam no ouvido de tal forma que é impossível tirar o olhar da televisão. É um daqueles feel good movies, que vemos em dias de chuva com uma manta nos joelhos e pipocas no colo.

 

Volta não volta, são precisos momentos assim.

 

 

  • Chicago (2002)

 

 

Em 2002, pensar que Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones e Richard Gere podiam protagonizar um musical estaria fora das expetativas – até que Chicago chegou para nos surpreender.

 

As atrizes são duas criminosas no corredor da morte que se veem no mundo da fama antes da derradeira hora. Nos entretantos, cantam, são sexy para caramba e contam uma história cativante com a ajuda de plumas e lingerie.

 

E não sou só eu que digo: ao todo, foram 13 nomeações para os Óscares, que mostraram como, afinal, o cinema musical ainda pode ser bem visto aos olhos deste mundo.

 

Claro que um Óscar vale o que vale, mas Chicago deixa-nos ver que basta uma boa história e boas interpretações para que um filme possa merecer a nossa atenção, quer tenha músicas ou não lá pelo meio.

 

 

  • Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street (2007)

 

 

Num artigo que quer celebrar o cinema musical, não podia deixar de mencionar uma obra de Tim Burton. Os musicais podem não ser a imagem de marca do realizador, mas não significa que aqueles que dirigiu e produziu até agora não mereçam a nossa atenção.

 

De O Estranho Caso de Jack a este Sweeney Todd, Burton consegue dar o seu cunho tão característico a um género que costuma ser muito do mesmo. E ainda bem.

 

Em Sweeney Todd (uma adaptação da peça, também musical, reconhecida internacionalmente), Burton traz-nos, como é seu hábito, Johnny Depp e Helena Bonham Carter, acompanhados do gigante Alan Rickman, Sacha Baron Cohen e Jamie Campbell Bower que, mesmo sem estarmos à espera, têm performances e vozes ideais para os seus papéis.

 

Improvável. É um dos melhores adjetivos que encontro para este filme, e uma das razões que acredito que até o mais adverso a musicais o deve ver. De uma história negra e dramática, há momentos em que parece que a música lhe dá uma leveza querida e ansiada – e isso não lhe tira encanto, dá-lhe ainda mais.

 

Todos os filmes merecem uma oportunidade. Os musicais são como todos os outros, só precisam de um pouco mais de paciência para serem tolerados. Mas vá, as melhores surpresas são aquelas que não estamos à espera de receber. Quem sabe um destes filmes não será a vossa...

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