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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Chama-me Pelo Teu Nome (2017): a beleza do primeiro amor

Sinopse: Elio (Timothée Chalamet) é um jovem de 17 anos que passa os seus verões na preguiça das paisagens do Norte de Itália em 1983. Na vila dos pais, passa os seus dias a ler, estudar música ou a nadar no rio. Até que chega Oliver (Armie Hammer), um estudante americano que vai ajudar o pai de Elio nas suas investigações arqueológicas. Entre eles nasce uma amizade que floresce para a descoberta do amor.

 

 

 

Quando comecei a ouvir falar sobre Chama-me Pelo Teu Nome fiquei com a ideia de que este era um filme de amor. Mas não uma história de amor convencional - antes uma em que aprendemos que não existem barreiras de género e sexo no amor. Depreendi que este fosse um filme para nos abrir a mente, e para nos fazer ver que o amor gay é tão belo e puro quanto o heterossexual.

 

Também havia elogios à beleza da realização e fotografia, à poesia dos planos, à intensidade da interpretação. E havia até quem dissesse que este argumento era dos melhores do ano - adaptado, pois baseia-se no romance com o mesmo nome de André Aciman.

 

Quando ontem sai da sala de cinema, tinha mil ideias a circular na cabeça, e nenhuma delas me ajudava a perceber se tinha gostado do filme ou não. Enquanto estava na sala, uma parte de mim apreciava, enquanto que a outra estava pronta para sair.

 

Não por o filme ser mau - longe disso. Antes porque afinal estava perante o que me parecia uma falsa promessa: para mim, Chama-me Pelo Teu Nome é um filme bonito e interessante, mas não o idealismo de amor de que estava à espera. É terrivelmente longo, e a preguiça de Elio contagia-se.

 

Será que estava a ser afetada pelo cansaço do dia, que não me deixava apreciar um filme deste género aquela hora? Talvez. Até porque, ao sair, e quanto mais pensava sobre o filme, mais achava que conseguia finalmente ver o que os outros viram.

 

Mas continuo a achar que não é suficiente para ser dos meus preferidos do ano.

 

Não me interpretem mal, continuo a achar um filme belo e interessante. Mas algo lhe falta.

 

 

 

Vamos por partes. Uma coisa é certa: não podemos negar que a interpretação dos dois protagonistas é intensa. Mais do que intensa, está repleta de química e de uma pureza, em que vemos no seu olhar e na forma como se tocam que existe paixão e, acima de tudo, urgência - urgência em se conhecerem, em se descobrirem, em se amarem.

 

E não é porque estamos a falar de dois heterossexuais que têm de se beijar (se bem que conseguem ter mais química do que muitos homens e mulheres por aí). Ator é ator, e tem de ser profissional. É mesmo a forma como a sua personalidade passa cá para fora, como vemos a inocência de Elio em Chalamet, ou o encanto e desencanto de Oliver em Hammer. Eu sempre fui grande fã de Hammer, por isso não me surpreende. Surpreende-me sim a maturidade com que Chalamet interpreta o seu Elio, e consegue transpirar todas as incertezas da sua personagem.

 

Depois temos as paisagens italianas. Não há um plano em que a cinematografia não seja precisa ou aproveitadora do calor e luz natural italiana. As cores e o ambiente são quentes como  verão, preguiçosas como a vida de Elio - e ao mesmo tempo, cheias de esperança.

 

Há um ritmo muito próprio e intenso na forma como o filme está filmado e dirigido. Este é sem dúvida um verão lânguido e em que não há nada para fazer, e a música e ritmo do filme seguem essa ideia. Somos transportados para aquele verão de 1983, como se o vivessemos, e isso torna Chama-me Pelo Teu Nome um filme muito rico, e extremamente bem dirigido por Luca Guadagnino.

 

Só que falta-lhe o fator UAU que eu não encontrei.

 

Tudo emana beleza e pureza em Chama-me Pelo Teu Nome, desde as personagens à sua relação, ao ambiente que os envolve. Não há dúvida de que é um belo coming of age movie, em que vemos um jovem adolescente a debater-se sobre a sua identidade e gostos. Vemos a sua jornada, desde a descoberta de um prazer sexual, ao verdadeiro amor, tido como errado e proibido, mas que lhe dá a certeza de que é isto que ele quer para a sua vida.

 

 

 

Comparado com tantos outros filmes do género, está vários passos em frente por toda a técnica e poesia que emana, e toca-nos de uma forma especial por isso mesmo. Mas não deixa de ser, para mim, apenas mais um coming of age movie.

 

Talvez seja porque estou inserida numa realidade aberta, em que já assisti várias vezes ao caminho que Elio percorreu e o acho natural. Sim, eu sei que este é um filme de época, e que em 1983 não era fácil alguém chegar ao pé da sociedade e dizer “bitches, sou homem e gosto de homens. Deal with it!” Aliás, ainda não é fácil, e ainda não é permitido dizê-lo à boca cheia sem dois ou três olhares de lado.

 

Percebo que esta mensagem, de que é OK sentir amor quando todos os outros acham errado, é importante. Sei que é importante termos cada vez mais no cinema histórias que nos mostrem que o amor homossexual é tão puro e importante quando o heterossexual, e que não há mal nenhum. Temos de ter mais cenas de sexo naturais, tal como temos entre um homem e mulher, porque só assim é que transformamos mentalidades.

 

Mas terá Chama-me Pelo Teu Nome essa importância? Tratando as duas realidades (neste momento o sexo entre dois homens e entre um homem e uma mulher, que vemos de forma diferente) de forma diferente, queremos mostrar que ainda existe essa diferença, esse dualismo, para lutar contra ele, ou temos vergonha de o assumir?

 

Sobre este aspeto fiquei com mais dúvidas do que conclusões. Não percebi se a culpa seria de um argumento que não me mostra o seu foco, ou se foi de mim, que não tenho sensibilidade para o compreender (o que é perfeitamente possível, ninguém é perfeito).

 

Fica a nota para um monólogo extraordinário no final do filme, e que na minha opinião foi dos melhores momentos no cinema. Um discurso sincero e que, acredito, resuma muito daquilo que este filme significou para mim: sente, vive e desfruta das tuas sensações e emoções quando quiseres e com quem quiseres.

 

Um aplauso para Michael Stuhlbarg, o ator que interpreta o pai de Elio e que nos ensina, em três minutos, que três minutos podem fazer um filme.

 

***,5

 

A Hora Mais Negra (2017): Poesia, humanismo e política

Sinopse: Hitler está no poder. A Europa está em perigo. Em Inglaterra discutem-se os próximos passos e um novo Primeiro-Ministro é eleito: Winston Churchill (Gary Oldman). Esta é a história de como um homem teve a coragem de ir para a batalha, e como conseguiu mover uma nação para acompanhá-lo.

 

 

 

As três palavras no título deste texto são uma descrição muito sucinta e prática do que podemos esperar de A Hora Mais Negra. É sem dúvida um filme altamente político, preenchido por um grande lado humano, e colado com a poesia da imagem e som.

 

A ação está concentrada nos primeiros momentos do governo de Churchill, uma altura de tensão e incerteza em Inglaterra, sobretudo quando começou a parecer que Hitler estava preparado para tomar a Europa.

 

Foi mesmo uma hora negra. É sempre uma hora negra quando um país está prestes a perceber que vai entrar em guerra, e que muito pode perder com isso. E ainda é mais para aquele que tem de tomar a decisão.

 

Churchill foi um homem controverso. Dividiu opiniões, e é claro logo de início que poucos eram aqueles que apoiaram a sua subida ao poder. Até o Rei teve dúvidas! De uma forma muito subtil e inteligente, Joe Wright vai-nos dando pistas para estes desfavorecimento, e um puzzle se forma na nossa cabeça.

 

Mas subtileza e inteligência são imagens de marca do realizador, tal como a sua poesia. Sempre vi o trabalho de Wright como um exercício ao nosso poder de concentração. Não porque ele dirige filmes de uma forma complexa, mas porque cada ângulo, cada movimento da câmara ou close-up, cada ausência de som ou subtileza na banda sonora podem ter significado.

 

Por norma têm. Dizem-nos tanto da história como as palavras, como a dinâmica entre as personagens e os seus diálogos. O movimento dirige-nos o olhar, para que estejamos atentos ao que vai acontecer. Já a tensão é sentida no ar sempre que a cãmara engole o personagem, ou o silêncio enche a sala.

 

São técnicas, claro. Técnicas de realização e imagens de marca que conferem a Wright um poder muito interessante. E para nós, espectadores, permite-nos perceber a história de uma forma diferente.

 

No caso de A Hora Mais Negra, sendo esta uma história de tensões e expectativas, essas imagens de marca estão muito presentes. Foi interessante ver como é que Wright consegue colar as partes mais políticas com as mais mundanas, tentando mostrar um lado de Churchill mais descontraído ou vulnerável.

 

Uma vulnerabilidade que todos queremos ver em grandes figuras de poder. É inevitável que argumentistas e realizadores, ao contar a história de importantes nomes da História, não nos queiram mostrar o seu lado humano. Os filmes servem para nos aproximarmos, para conhecermos as suas motivações e emoções.

 

 

 

Winston Churchill, sendo uma figura tão controversa, tinha de sofrer esse  tratamento. Mas pela forma como o filme está organizado, de uma forma tão cronologicamente política, centrada nos grandes eventos e decisões políticas, não sabemos se o importante é o homem se a situação que vive.

 

É claro que tudo faz parte da história: quem é Winston (vamos passar para o primeiro nome), e as dificuldades políticas por que passou. Tudo é importante para conseguirmos perceber este complicado momento na História de Inglaterra. Ele é o centro de toda a trama, e isso deixa-nos perder um pouco a ideia de quem foi realmente determinante para a forma como decidiu agir.

 

Talvez foram todos os personagens secundários que apareceram. Talvez não foi nenhum.

 

Um coisa é certa: Winston Churchill foi senhor de si. Se Jow Wright nos transportou pela sua poesia, conseguiu-o também porque teve um protagonista à altura. É incrível a forma como Gary Oldman se perde dentro da pele de Churchill, e como nos esquecemos que estamos a olhar para um ator.

 

Não apenas devido à quantidade de maquilhagem que Oldman usa; antes porque toda a sua linguagem corporal, a forma como coloca a voz ou se comporta parecem uma viagem no tempo, e um pleno exercício de interpretação. Oldman faz-nos ver como o ator certo para o papel certo faz toda a diferença para conseguirmos percecionar uma história - sobretudo quando se trata de alguém tão preponderante como Churchill foi.

 

É Oldman quem nos chama a atenção, mas está rodeado de pessoas que o ajudam nesta tarefa árdua. Porque se ele é o centro, Kristen Scott Thomas é a perfeita mulher negligenciada mas que está preparada para apoiar o marido em todas a ocasiões. A forma como a sua personagem surge, a sua postura enquanto fala, são viagens no tempo.

 

 

 

 

Todo A Hora Mais Negra é uma viagem no tempo. Mas uma viagem no tempo com o seu toque de magia e poesia.

 

Wright é mesmo um mestre naquilo que faz, sobretudo quando falamos de filmes de época. Ainda por cima sabe rodear-se das pessoas certas para os papéis certos, o que lhe confere uma inteligência ainda maior.

 

Não há dúvida de que estamos perante um filme poderoso e muito interessante, do ponto de vista histórico e cinematográfico. É uma amostra em que a História pode ser contada de uma forma não documental, e ainda assim muito forte.

E é a prova de que o bom cinema está bem vivo.

 

****

 

Um Desastre de Artista (2017) - o amor ao Cinema, e a amizade

Sinopse: Tommy Wiseau (James Franco) e Greg Sestero (Dave Franco) têm um sonho: ser estrelas de cinema. Mas como Hollywood passa a vida a dizer-lhes não, Tommy decide criar o seu próprio filme. Ele escreve, dirige e produz The Room, aquele que é conhecido como o melhor pior filme de sempre. O filme de tão péssimo torna-se num culto mundial. Esta é a sua história. 

 

 

Vamos contextualizar: Um Desastre de Artista é baseado numa história verídica. Conta a história de como é que foi produzido e filmado The Room, um filme terrível mais incrivelmente cómico. É baseado no livro The Disaster Artist: My Life Inside The Room, de Greg Sestero e Tom Bissell. Sestero (um dos protagonistas de The Room) conta como é que Wiseau, este homem misterioso e extremamente rico e (quase de certeza) estrangeiro achava que ia criar um drama americano clássico. 

 

O que acabou por acontecer foi que o seu filme era tão mau que se tornou numa comédia. Custou seis milhões de dólares a produzir (diz-se) e teve 1.800 dólares de receita. Mas nos últimos 14 anos tem esgotado sessões de meia-noite em todo num mundo, numa experiência cinematográfica fora de série (que podem ficar a conhecer melhor aqui).

 

Agora que já estão contextualizados, vamos esclarecer uma coisa: Um Desastre de Artista não é sobre um filme mau. É, na verdade, uma ode ao amor que um homem tem ao Cinema, e à amizade entre duas pessoas que partilhavam um sonho. E que fizeram de tudo para que se concretizasse. 

 

É inevitável que este filme não seja uma comédia. Só o olhar para a interpretação de James Franco nos faz rir, porque consegue ficar totalmente impávido e sereno durante todo o filme. A sua expressão é a mesma de Wiseau - inexistente. E as suas atitudes, claro, são tão aleatórias e sem sentido que nos causam um divertimento desmedido. 

 

Só que James Franco (que além de protagonizar realizou o filme) quis contar uma história além da comédia. Quis mostrar como um homem sem medo da opinião dos outros conseguiu, com determinação e trabalho, estrear um filme. Quis mostrar como é que a amizade nos pode ajudar a chegar mais longe. 

 

Porque não há dúvida de que Greg Sestero, para aguentar tudo o que Wiseau tinha na cabeça, tinha de ser mesmo seu amigo. 

 

Todo o fenómeno à volta de The Room pega em como é que um filme que supostamente devia ser dramático, e mau, conseguiu atingir estas proporções. O que vemos em Um Desastre de Artista é uma outra perspetiva, não só sobre a produção em si, mas também sobre quem é Tommy Wiseau. 

 

Se bem que ninguém sabe. Nem mesmo Sestero (ou pelo menos não nos conta). Ninguém sabe de onde vem, que idade tem, ou onde é que foi buscar os seis milhões de dólares que todos dizem que gastou no filme. 

 

James Franco também não nos conta nada disso. Antes nos mostra o homem por detrás da loucura e excentricidade. 

 

James Franco realizou Um Desastre de Artista dentro da personagem. Queria que os atores sentissem a loucura que se tinha vivido durante as gravações de The Room.

 

Sempre de uma forma extraordinária. O seu desempenho vai além do estar fisicamente parecido a Wiseau. Ele conseguiu captar a sua expressão e forma de estar, tom de voz até, e muito do seu espírito. Ver os dois lado a lado é surreal. 

 

Nota-se que esteve muito envolvido na produção, na forma como a história é tratada com amor e amizade. Há um toque de loucura mas de humanidade muito interessante - o que pode ter sido intensificado por ter permanecido em personagem mesmo fora da câmara, enquanto realizava o filme. 

 

Ao lado do irmão, Dave Franco cria a química que a relação entre Wiseau e Sestero pede. Ele tem a inocência, o amor estranho e fraterno, e uma vontade enorme de seguir esta pessoa estranha, sem sequer perceber porquê. Mas convence-nos. 

 

Todos nos convencem - porque o elenco está improvavelmente repleto de estrelas que fazem um trabalho tão pequeno, e ao mesmo tempo tão importante. Tudo nos convence. É uma comédia sem o ser, é um drama humano sem sequer parecer. E mesmo tentando ser isso tudo nunca perde o foco, nem o equilíbrio.

 

 

Torna-se natural que Um Desastre de Artista se tenha tornado uma surpresa tão grande no final de 2017. Quem é que esperava que um filme sobre algo tão horrível pudesse ser tão bom?

 

Mais do que bom, é espectacular. É mágico, como já tenho lido, e é uma verdadeira ode aqueles que lutam pelos seus sonhos. 

 

Não só entre os antigos fãs de The Room, Um Desastre de Artista tem conseguido arrancar sorrisos e elogios porque nos consegue tocar no coração, tal como Wiseau queria fazer com a sua criação.

 

Ele pode não ter conseguido - pelo menos da forma que pensava - mas James Franco e a sua equipa conseguiram. Trouxeram-nos um filme pensado ao detalhe, feito com amor e muito fiel à realidade.

 

Tudo isso passa cá para fora, e tudo isso faz a diferença.

 

You’re tearing us apart, Franco! Mas ainda bem. 

 

****,5

Os filmes de 2017 que só chegam em 2018

Feliz 2018!

 

Este pode não ser o primeiro post do ano, mas é aquele que nos traz as boas novidades que 2018 traz consigo. Coisas boas, recheadas de criticas positivas e uma expectativa imensa.

 

2017 foi um ótimo ano no Cinema, e já tivemos a oportunidade de o rever. Mas a verdade é que muitos dos filmes lançados no (já) ano passado só agora é que vão chegar a Portugal. Até março, vão estrear nas nossas salas alguns daqueles que foram considerados os melhores filmes do ano, e outros tantos que têm arrebatado elogios.

 

Eu estou curiosa com cada um deles, e por motivos diferentes. Mais do que a expectativa de assistir a filmes extraoridnários, são histórias que pedem para ser conhecidas e assistidas. Todos sabemos que eu não resisto a boas histórias...

 

Sem mais demoras, estes são os filmes de 2017 que vamos poder assistir em 2018. Preparem as pipocas!

 

Um Desastre de Artista

 

 

É, de longe, um dos filmes pelo qual mais anseio neste início de 2018. Há meses que estou à espera, mas tenho adiado para conseguir assistir num grande ecrã, como merece. E estreia hoje mesmo nas salas!

 

Ao contrário do que muitos podem pensar, Um Desastre de Artista não é bem uma comédia. É um filme sobre dois amigos, e a aventura que foi a gravação de um dos melhores piores filmes de sempre, The Room.

 

Há uns meses tive a oportunidade de assistir a um visionamento de The Room, e foi uma das experiências mais alucianantes que já tive numa sala de cinema. Não falo tanto do quão mau é o filme, mas mais da forma como reúne tantas pessoas só pela paixão daquilo que é – um filme péssimo.

 

O que Desastre de Artista nos traz é um relato contado na primeira pessoa por Greg Sestero (interpretado por Dave Franco), um protagonistas de The Room e melhor amigo de Tommy Wiseau. Wiseau foi a mente por detrás de The Room, e ainda hoje é um mistério de personalidade.

 

Sim, quero muito ver! Podem esperar para (muito) breve a opinião aqui no sítio.

 

Jogada de Alta Rodada

 

 

  1. É protagonizado pela Jessica Chastain. E Idris Elba.
  2. É a história real de uma mulher que ganhou dinheiro à conta do jogo ilegal, e que foi presa com armas apontadas.
  3. Tem um argumento de Aaron Sorkin, e é o primeiro filme também realizado por ele.

Acho que temos logo aí três bons motivos para ficarmos entusiasmados por este Jogada de Alta Rodada.

 

Os argumentos de Aaron Sorkin costumam ser muito interessantes por serem tão ricos em informação, e ao mesmo tempo tão fáceis de seguir. Por norma, o argumentista tem realizadores com uma visão fantástica, que dão a vida que o seu argumento precisa. Mas em Jogada de Alta Rodada ele é o próprio a dirigir a sua visão, e estou muito curiosa com o resultado final.

 

Além disso, a história é interessantíssima. Conta como é que Molly Bloom, uma antiga atleta olímpica, conseguiu gerir o casino ilegal mais exclusivo do mundo, com a presença de grandes nomes públicos. Bloom foi presa a meio da noite pelo FBI, e contou muito com o apoio do seu advogado de defesa – que aqui nos mostra um lado da atleta diferente.

 

Estreia: 04 de janeiro.

 

3 Cartazes à Beira da Estrada

 

 

3 Cartazes à Beira da Estrada tem criado muita discussão. Já tinha arrancado elogios em Veneza e Toronto, e agora chega às salas de cinema com uma expectativa elevada.

 

É o regresso à realização de Martin McDonagh, a mente por detrás de Em Bruges (2008) e Sete Psicopatas (2012). Em Bruges foi um dos filmes que me lembro de ver com mais prazer, que junta humor negro com uma ação improvável, com um estilo britânico muito próprio. É um dos filmes que adoro ver, e que ainda por cima se passa numa cidade que guardo no coração.

 

É natural que tenha uma grande expectativa para este 3 Cartazes à Beira da Estrada. A história já tem a loucura típica de McDonagh: uma mãe (Frances McDormand) aluga 3 cartazes na estrada de entrada da sua cidade Natal a pressionar a polícia, que ainda não encontrou o assassino da sua filha. Passaram meses, e Mildred faz de tudo para que o caso não caia no esquecimento.

 

Isso faz com que existam momentos de puro deleite cómico, e outros em que definitivamente vamos sentir a emoção de uma mãe que perde uma filha. Se bem conheço McDonagh, é uma história que terá de tudo.

 

Ainda por cima conta ainda com a participação de Woody Harrelson e Sam Rockwell, que são só geniais.

 

Estreia: 11 de janeiro.

 

A Hora Mais Negra

 

 

Existem duas razões para querem muito ver A Hora Mais Negra: é protagonizado por Gary Oldman, e é realizado por Joe Wright – o senhor que nos trouxe Expiação.

 

Expiação é um dos filmes que mais mexeu comigo quando comecei a ver Cinema. Da simplicidade da história de amor, à reviravolta que nos leva o coração, nada existe de errado naquele filme. Ter a sua perspetiva da realidade, dos eventos verdadeiros que conta em A Hora Mais Negra, é muito curioso.

 

A trama passa-se no início da Segunda Guerra Mundial, quando Winston Churchill (Oldman) tem uma grande decisão para tomar: ou negoceia com Hitler, ou tenta combater contra todos. Hoje sabemos qual foi a sua decisão, mas Wright traz-nos todas as discussões a que poucos assistiram.

 

Mais do que expectativa, tenho uma enorme curiosidade. Veremos.

 

Estreia: 11 de janeiro.

 

Chama-me Pelo Teu Nome

 

 

De entre os filmes com grandes orçamentos e com explosões a cada segundo, Chama-me Pelo Teu Nome tem feito a diferença pela sua simplicidade. Com espírito mais independente, tem captado a atenção dos amantes de cinema pela forma como capta a beleza das simples histórias de amor.

 

Ou talvez por tratar o amor entre dois homens como algo natural e igualmente belo.

 

No filme viajamos até ao norte de Itália, em 1983. Encontramos um jovem de 17 anos, Elio (Timothée Chalamet), que se aproxima do assistente do seu pai, Oliver (Armie Hammer). É Oliver que o faz pensar na sua sexualidade, na sua herança, e na sua identidade enquanto pessoa.

 

Desde que estreou que tem encantado o público, e estou ansiosa por ser encantada também.

 

Estreia: 18 de janeiro.

 

The Post

 

 

É o novo filme de Steven Spielberg, é protagonizado por Meryl Streep e Tom Hanks, e conta a história (veridica) de como a primeira mulher editora de um grande jornal norte-americano teve de colaborar com o seu editor para contar a verdade.

 

Não preciso de dizer mais, pois não?

 

Para mim, é suficiente. Além de ter um enredo que nos mostra o trabalho jornalístico no seu esplendor, é a primeira colaboração entre cineastas e artistas que há muito admiro. Conseguir ter Spielberg, Hanks e Streep na mesma ficha técnica… não é todos os dias que acontece.

 

É um dos filmes mais nomeados para os Globos de Ouro deste ano, só ultrapassado por A Forma da Água (já lá vamos). Pode até parecer mais uma trama política, como outros têm surgido nos últimos tempos, mas a minha curiosidade é superior ao cliché.

 

Estreia: 25 de janeiro.

 

A Forma da Água

 

 

Desde Crimson Peak, em 2015, que Guillermo del Toro não realizava um filme. A Colina Vermelha, se bem que aparentemente interessante, não convenceu muita gente.

 

A Forma de Água não podia ter sido recebido de forma mais diferente. Desde que saiu o primeiro trailer que o novo filme do realizador e argumentista mexicano tem captado a atenção dos seus fãs e admiradores. Quando estreou, foi imediatamente considerado um dos melhores filmes de 2017, e é o filme com mais nomeações para os Globos de Ouro (sete).

 

Em parte, a responsabilidade é muito do imaginário criado por del Toro, que teima a criar cenários e enredos que nos prendem sem igual. Tudo nos é contado sob a perspetiva de Elisa (Sally Hawkins), uma trabalhadora solitária num laboratório, que cria uma relação inusitada com uma criatura em cativeiro.

 

Uma criatura estranha, não humana, e que corresponde aos seus afetos.

 

Tem tudo para correr bem!

 

Estreia: 08 de fevereiro.

 

Lady Bird

 

 

Lady Bird fez história assim que estreou: foi o primeiro filme a ter uma classificação de 100% no Rotten Tomatoes. Isso significa que todos os que viram e classificaram o filme o acharam perfeito.

 

Dizer que, depois disto, as expectativas estão elevadas, é eufemismo.

 

As expectativas estão ao rubro. Não apenas porque não aparece vivalma a dizer mal de Lady Bird, mas também porque a interpretação de Saoirse Ronan e o argumento de Greta Gerwig parecem não desiludir.

 

Lady Bird pode não ser o primeiro filme escrito ou realizado por Gerwig, mas parece ser o primeiro que encanta tanta gente. Nele conta como é que Lady Bird (Ronan), com 17 anos no início dos anos 2000, tenta encontrar a sua identidade e personalidade nisto que é a vida.

 

É um coming of age movie daqueles em que jovens com a mania de serem independentes se acham melhor do que todos os outros – para depois descobrirem que nada é como pensam. Daqueles que nos fazem repensar nas nossas escolhas, ou em quem somos.

 

Ou então apreciar como às vezes o Cinema é tão simples e bonito.

 

Estreia: março.

 

Eu, Tonya

 

 

Em 2017, muito se falou das transformações físicas a que Margot Robbie se sujeitou para os seus mais recentes papéis. Falou-se de não ser o sex symbol que nos habituou, e mais disso do que a potencialidade de fazer um belo trabalho de representação.

 

O trailer de Eu, Tonya veio dar um pouco mais de credibilidade ao falatório, porque Robbie mostra que é tão boa atriz como noutros atributos.

 

Neste filme interpreta a patinadora Tonya Harding, uma atleta norte-americana que tinha o mundo da patinagem nas mãos. Até que a intervenção do seu ex-marido pode deitar abaixo toda a sua credibilidade.

 

Eu não conhecia a história de Tonya, nem a sua importância no mundo do desporto. Mas ao que parece, esta é a forma de contar a sua história pelos seus olhos, e não como o mundo dos media a pintou.

 

Estreia: março.

Battle of the Sexes (2017) – entre homens e mulheres surgem bons filmes

Sinopse: Um homem e uma mulher. Um campo de ténis. Uma história verídica, de um encontro que ficou para a História do desporto norte-americano, e que pôs frente a frente o poderio feminista e o chauvinismo masculino. Battle of the Sexes é a história de Billie Jean King (Emma Stone) e Bobby Riggs (Steve Carell), dois tenistas em fases distintas de carreira que querem marcar uma posição. E conseguem.

 

 

Para sinopse, tem mais poesia do que informação, mas nada do que diz está errado. Battle of the Sexes (que ainda não chegou a Portugal) é mesmo uma história verídica, sobre um jogo de ténis entre uma mulher e um homem. Ela estava no auge da sua carreira, e tinha sido a primeira mulher a ganhar 100 mil dólares num torneio; ele vivia atrás de uma secretária e ansiava pela ribalta, enquanto lutava contra o vicio das apostas. Ela combatia o machismo no mundo do desporto; ele não queria saber do empowerment feminino para nada.

 

E assim nasceu um confronto de onde resultou uma conclusão: uma mulher pode ter tanta capacidade no campo quanto um homem – e até derrotá-lo.

 

O confronto entre King e Riggs, mais do que ter ficado para a História do desporto, foi um evento de proporções massivas. Foi em 1973. 30 mil pessoas assistiram ao vivo, outras tantas em casa. Um circo mediático que tornou King num símbolo para as atletas femininas.

 

Battle of the Sexes cumpre a missão de nos contar tudo isto de forma interessante e contextualizada. É claro que o confronto entre estes dois não aconteceu só porque sim. Existiu um caminho, uma necessidade e até uma conjectura que o permitiu. O que o filme nos permite perceber é exatamente como é que esse caminho foi feito.

 

Sem entrar em muitos pormenores técnicos, mas contando aos poucos tudo o que precisamos de saber. O protagonismo vai de King para Riggs, ambos grandes intervenientes na história. São as suas motivações que nos fazem chegar até aqui, e está muito bem percebido como.

 

 

Não existem grandes voltas poéticas, muitos planos filosóficos ou citações complexas. Battle of the Sexes é o que é: um testemunho de como é que um jogo de ténis mudou a vida de duas pessoas, e de uma certa mentalidade. Por isso, não precisavam inventar a roda.

 

O que fizeram bem foi conseguir dar-nos a conhecer os factos importantes, sem cair na tentação de tornar a história mais dramática ou pesada. É um filme leve, com os seus pequenos laivos de humor, onde a mensagem passa bem e com volume elevado.

 

Ao longo do filme notamos que o holofote tem tendência para cair mais sobre Emma Stone e a sua King, e deixa Carell um pouco de lado. Não é que seja negativo, apenas o é. Mas também é verdade que muitos dos acontecimentos tiveram origem graças à mudança de paradigma e mentalidade social que em que King estava envolvida, e a sua liga composta apenas por mulheres.

 

É claro que isso acaba por destacar também o trabalho de Stone, se bem que parece que a atriz está a cair dentro de um cliché em que caem muitos vencedores de Óscar: todos os papéis depois de ganhar a estatueta estão sobre uma pressão incrível!

 

Também já aconteceu com Carell, que depois de ter sido nomeado pelo seu papel em Foxcatcher em 2015, parece ter-se mantido num registo em que todos esperam grandes interpretações.

 

 

Porque são belíssimas interpretações, do elenco principal e secundário - com grande relevo no decorrer dos acontecimentos. Só que por vezes parece exagerados os títulos que encontramos por aí. “Ahh este papel vai merecer nova nomeação.” “Ahh estão tão bons que merecem prémios.” Claro que merecem, porque fazem sempre um papel excecional. Neste caso particular acho que deixava o dourado para outros.

 

O mais importante em Battle of the Sexes é mesmo tudo o que nos passa. O trabalho que King ajudou a desenvolver para que as mulheres pudessem ter as mesmas oportunidades que os homens no mundo do ténis é louvável. Ao derrotar Riggs, um assumido machista que achava que as mulheres não conseguiam ter a mesma capacidade que os homens, mostrou como essa mentalidade errada podia mudar.

 

De certa forma, mudou. Pode até ter demorado, mas mudou.

 

Ter esta história contada num filme tão fácil de ver e compreender é uma forma de não nos esquecermos do que aconteceu. Este é um filme tão simples, e ao mesmo tempo tão poderoso, que dificilmente nos deixa com uma  sensação de vazio. Ficamos antes com a certeza que assistimos a um filme interessante, cheio de boas intenções e que as consegue concretizar.

 

E uma lição de história para levarmos connosco.

 

***