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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

O Fim da inocência (2017): serão estes adolescentes portugueses?

Sinopse: Inês (Oksana Tkach) é uma jovem de 15 anos que vive uma vida aparentemente perfeita. Vem de uma família abastada, estuda num colégio particular de estatuto, e os seus amigos são todos do seu estrato social. Mas são também quem a acompanha numa vida dupla. Sem os pais se aperceberem, Inês e os seus amigos são ávidos consumidores de drogas na noite lisboeta, e descobrem o sexo de risco ainda antes de chegarem à maturidade. Até ao dia em que acordam...

 

 

A história de Inês parece saída de um filme americano. Ela tem 15 anos mas consome drogas como gente grande, participa em orgias e faz sexo sem pensar na segurança. Ela sai à noite, bebe, fuma e chega a casa sem que os pais desconfiem de nada. E durante o dia, vive a vida perfeita da menina rica.

 

Só que Inês, apesar do nome fictício, é real. E não só como a metáfora de representar a juventude (portuguesa ou não): ela é real, a sua vida foi assim, e Francisco Salgueiro (autor do livro com o mesmo nome do filme) decidiu contar a sua história.

 

O Fim da Inocência é baseado na história que Francisco decidiu contar. Uma história verídica, repleta de momentos chocantes e polémicos, e que nos fazem questionar se é possível um jovem ter uma vida dupla destas.

 

Pelos vistos, é. Apesar de vivermos num mundo repleto de informação sobre comportamentos de risco e as suas consequências, jovens são jovens. A ideia de que os priveligiados são os santos do país só vai ajudar-nos a perpetuar uma ideia errada de que devem ser mais protegidos, mais escudados, mais escondidos. Eles conhecem a realidade tal quanto todos os outros, e acabam por crescer para fora da bolha da perfeição em que são incluídos por todos os outros.

 

O que Joaquim Leitão fez foi pegar nesta história e mostrar-nos essa realidade. Sem filtros, sem qualquer pudor ou preocupação com as opiniões dos velhos do restelo que possam dizer que devia ter vergonha de mostrar jovens nestas andanças.

 

 

Não há mesmo pudor em O Fim da Inocência, e ainda bem. Vemos as linhas de coca a serem snifadas, vemos os charros a serem acesos, vemos os corpos nus dos miúdos de 15 anos a ondularem e os seus gemidos de prazer. Vemos amigas a beijarem, vemos amigos a envolverem-se, vemos relações de uma noite que acontecem em carros, em casas de banho, onde calhar.

 

Dito desta forma parece que vos estou a contar o filme todo. Não se preocupem: o melhor de O Fim da Inocência é a forma como percebemos como é que Inês chega a este mundo, o que a motiva e o que finalmente a acorda para outra realidade. É a sua viagem, e a forma como Joaquim Leitão a conta, que nos fazem perceber também a mente da jovem, e da adolescência portuguesa.

 

Claro que não podemos fazer de Inês, ou dos seus amigos, um exemplo. Eles são um espelho de uma parte da realidade, mas não significa que todos os jovens de 15 anos se comportem assim.

 

Essa, na minha opinião, foi a grande mensagem de Joaquim Leitão e Francisco Salgueiro.

 

Tiveram uma ajuda imensa de jovens atores com maturidade suficiente para aceitarem o desafio de encararem de frente as câmaras, e temas chocantes. Tal como a produção, disseram adeus aos pudores e mostram o que há para mostrar – desde a cumplicidade e amizade entre os jovens, aos seus momentos mais íntimos.

 

Ver esta realidade no grande ecrã não me choca. Não fecho os olhos e acredito que é ficção, ou que não acontece. Até parece que nós não tivemos 15 anos, que não vimos ou ouvimos algo tão semelhante a isto.

 

O que pode ter acontecido é que, ao contrário desta história, nós não entrámos numa espiral de decadência que nos fez chegar a este ponto. Não por uma questão de juízo, não apenas por uma questão de valores, educação ou personalidade, mas também porque não calhou.

 

O Fim da Inocência pode parecer uma produção estranha aqueles de nós habituados à forma anglo-saxónica de fazer filmes. Por norma, na minha opinião, os filmes portugueses têm tendência a ser mais crus e menos poéticos, mais realistas na forma como as cenas são filmadas. Abordamos o cinema de forma diferente, mas não inferior.

 

É talvez por isso que assistir a O Fim da Inocência possa parecer de início uma experiência diferente, e um quanto fora. Mas o melhor desta vida é que devemos ter a mentalidade aberta para as coisas certas, e o cinema português é uma dessas coisas.

 

Vão ao cinema. Conheçam a história, reflitam sobre ela, e acima de tudo percebam que o cinema é tão bom falado em português quanto noutra língua qualquer.

 

***,5 

Os críticos de Cinema disseram adeus à Disney. Ainda bem

A Disney tem sido uma menina muito marota. Daquelas que repudiamos, e comparamos até com monstros e vilões como Donald Trump.

 

Segundo o IndieWire, a Walt Disney Company impediu que os jornalistas do Los Angeles Times assistissem aos visionamentos de imprensa de Thor:Ragnarok. Estes visionamentos são comuns, e servem para que os jornalistas possam ver o filme e publicar as suas críticas antes ou no dia em que o filme estreia, gerando mais visitas na estreia ou nos dias seguintes.  

 

Além de não estarem presentes neste visionamento, os jornalistas foram também banidos de outros lançamentos da empresa.

 

Mas porquê?

 

Porque o Los Angeles Times publicou em setembro uma reportagem sobre a forma como a Disney ganha dinheiro num dos seus parques temáticos. A reportagem, que tem o título de Is Disney Paying its Share in Anaheim conta a relação comercial e financeira entre a empresa e a cidade de Anaheim, na Califórnia, onde se situa a sede dos seus parques temáticos e o original Disneyland.

 

Ou seja, o que a Disney fez foi um pouco como o Trump há uns tempos: disseram mal de mim? Então já não somos amigos e não podem entrar.

 

E irem dar banho ao Mickey, não está nos vossos planos?

 

Este tipo de atitudes mexe comigo e enoja-me. Se há coisa que prezo nesta vida é a liberdade. Os meus pais e avós viveram sem ela durante muito tempo. Viram-na ser recuperada, e acho que sempre me incutiram que devemos aproveitá-la bem (a típica história tuga que vai sempre dar ao 25 de abril).

 

Além disso, ainda guardo em mim uma veia jornalística. Ser jornalista era a minha profissão de sonho, e ainda lhe tomei o gosto durante uns tempos. Apesar de ter seguido um caminho profissional diferente, ainda guardo com muito carinho e respeito (sobretudo respeito) o bom trabalho jornalístico, que admiro e solicito.

 

Impedir bons jornalistas de fazerem o seu trabalho é, não só ir contra a sua liberdade de expressão, como ir contra os direitos (e deveres) de uma imprensa que se quer livre.

 

Eu sei que isto de falar sobre filmes não é o mesmo que poder fazer perguntas ao Trump. O Trump precisa ser questionado, forçado a ver a realidade e a responder às preocupações do seu povo – tudo verdade. Uma crítica de cinema é, e sempre será, apenas mais uma crítica de cinema.

 

Só que abrir este tipo de precedente é grave e perigoso. Quando não deixamos que jornalistas assistam a um filme só porque podem dizer mal dele é pôr em causa todo um sistema baseado numa das mais importantes liberdades: eu tenho direito à minha opinião, e a manifestá-la se corretamente argumentada.

 

Nem todos s críticos são consensuais. Basta vermos a caixa de comentários de um link partilhado de uma crítica do Público – o que é consensual é que provavelmente não vamos concordar com a sua opinião. Mas se são as produtoras que nos impedem sequer de ver, de incluir o nosso trabalho e saber, é porque são também elas que moldam o tipo de opiniões que sai cá para fora. E se todas forem controladas, é a produtora que ganha o dinheiro.

 

As repercussões deste tipo de atitudes num mundo já desconfiado e sem fé deviam ser suficientes para que empresas como a Disney abrissem os olhos. Mas em vez disso, parece que se veem mais no direito de fazerem o que querem.

 

Mas não podem. Não podem influenciar o que vão escrever sobre vós na internet. Não podem escolher os vossos amigos para dizer bem. Não podem chegar e dizer “hoje eu decido que a liberdade de expressão não é assim tão importante.” Porque com esta atitude é isso mesmo que estão a dizer: não queremos, a nossa vontade é lei.

 

Não é. Prova disso é que vários críticos e publicações norte-americanas disseram deixar de cobrir eventos Disney até que o boicote ao LA Times continue. Mais: quatro grupos de críticos norte-americanos até afirmaram que deixariam de considerar filmes da Disney nas suas entregas de prémios. A Forbes afirma até que a realizadora Ava DuVernay é uma das que apoia a decisão – o que a coloca numa posição delicada, já que dirigiu A Wrinkle in Time, o filme que deve estrear no próximo ano. 

 

Entretanto, a Disney voltou atrás e já deixa os jornalistas do LA Times assistir aos seus filmes. Puseram a mão na consciência? Finalmente perceberam que o que fizeram está errado.

 

Num mundo perfeito, até diria que sim. Neste mundo, em que podemos mandar calar quem não gosta de nós, eu diria que não teve nada a ver com isso. Teve a ver com as inúmeras críticas, e com a vontade que muitos demonstraram em não falar de próximos filmes importantes, como Star Wars ou Coco.

 

Afinal, a opinião da imprensa é ou não é importante?

16 anos de Harry Potter e a Pedra Filosofal, 16 anos de magia

Corria o mês de novembro de 2001 quando as salas de cinema foram invadidas pelo pequeno Harry Potter. Orfão, vivendo atormentado por uns tios maldosos, o seu mundo virou de pernas para o ar quando descobriu que tinha sido aceite na melhor escola de feitiçaria do mundo. E a nossa vida também mudou com ele.

 

Já disse por aqui que sou uma fã confessa de Harry Potter. Cresci com os seus livros, depois com os seus filmes, e adotei como meu aquele mundo mágico criado por um génio chamado J.K. Rowling. Nele encontrei os valores da amizade e lealdade, o poder do amor e da família, e encontrei um refúgio para os dias menos bons. Ali, entre o livro e a minha imaginação, era um espaço só meu.

 

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vi o filme Harry Potter e a Pedra Filosofal. As personagens e a história já não eram segredo para mim, porque já tinha devorado os livros. Os meus pais ofereceram-me a VHS no Dia Mundial da Criança, quando saiu, e assim que a vi os olhos brilharam.

 

 Emma Watson, Rupert Grint e Daniel Radcliffe foram escolhidos entre centenas de crianças para interpretar o trio de protagonistas, Hermione, Ron e Harry. 

 

A sensação de ver com os meus próprios olhos, e não com a imaginação, aquele mundo que tantas vezes tinha idealizado não tem explicação. Foi como se ver pela primeira vez um grande amigo com quem apenas tinha trocado cartas. Foi como encontrar pela primeira vez um sítio que tantas vezes tinha apenas visto em fotografia.

 

Foi como magia. O Harry, Ron e Hermione existiam, e existia Hogwarts, e os feitiços e criaturas fantásticas. O Hagrid existia, tão grande como o tinha imaginado, e os professores eram tão astutos e importantes como pensava. E o calor estava lá.

 

É uma das minhas coisas preferidas neste filme: o ambiente quente e mágico que consegue ter.

 

É difícil conseguir adaptar para cinema a atmosfera de um livro, que às vezes é tão importante quanto as personagens. Uma atmosfera, um cenário, podem mudar completamente a forma como o filme é visto. Mas Chris Columbus, que foi o responsável pela realização deste Pedra Filosofal, fê-lo com uma facilidade incrível.

 

Columbus elevou a fasquia. De uma maneira muito própria, ele consegiu que este filme transpirasse aquele efeito que conseguiamos sentir dos livros. Sentimos a magia no ar, e um calor no coração que é complicado de explicar.

 

Principalmente porque esta é a introdução a este universo, não só nossa, mas de Harry. Para Harry é tudo novo, e é incrível como sentimos essa sensação de diferença de atmosfera entre o antes e o depois, o frio da sua vida com os Dursleys, e o calor que encontra em Hogwarts.

 

Chris Columbus e a sua equipa escolheram os cenários que tantos associamos a este mundo.  

 

O que Columbus fez foi tornar este um filme muito especial. Para os fãs, tinha exatamente aquela inocência que uma criança de 11 anos espera encontrar. São as coisas mais mágicas que nos prendem o olhar, como os retratos que mexem ou as escadas que andam sozinhas. Num só filme, Columbus conseguiu captar essa infância e aventura de descobrir algo novo.

 

Harry Potter e a Pedra Filosofal é muito mais do que o primeiro de uma saga de milhões: é também uma das melhores adaptações de livros para cinema que já vi. Veio introduzir uma saga que consegue captar a essência da mensagem, mesmo nos momentos em que deixam de fora algo considerado necessário ou indispensável.

 

Que é o melhor que podemos pedir quando os filmes do nosso coração chegam ao Cinema.

 

O que aconteceu há 16 anos foi que Chris Columbus e a sua equipa extraordinária conseguiram mostrar ao mundo a magia que alguns já conheciam dos livros. De uma forma singela e subtil, plantaram a semente da imaginação nos nossos corações, como Rowling tinha feito antes.

 

No início deste ano tive a oportunidade de visitar os estúdios da Warner Bros em Londres. Neles, existe uma visita guiada que nos leva pelo mundo das filmagens dos oito filmes de Harry Potter, desde os figurinos à tecnologia utilizada.

 

Ver o esforço desta equipa e a forma como a magia acontece foi de cortar a respiração. E não falo apenas  da sensação de fangirl de ter pisado o chão do Great Hall. Falo antes da perceção de como é que um filme destes é feito, de ver os objetos e perceber como é que, tudo junto, nos traz verdadeiras obra de arte.

 

 

Porque aquilo que Columbus nos trouxe há 16 anos foi isso mesmo: arte sobre a forma de magia. Cheia de inocência e infantilidade, mas arte.

 

Ao longo dos anos, outros realizadores conseguiram transmitir uma visão igualmente precisa de cada um dos livros e da sua história. Conseguiram perceber o caminho das personagens, e transmitir para as suas atmosferas essas fases (com kudos para Alfonso Cuáron, um dos meus prediletos dos oito filmes).

 

Mas Harry Potter e a Pedra Filosofal foi o primeiro. Não há amor como o primeiro, nem há filme como ele. Será sempre aquele que nos prende o olhar, e nos faz acreditar num mundo melhor, onde o amor e a amizade falam mais alto do que o poder.

 

Num mundo mágico.

Um Crime no Expresso do Oriente (2017) – Quem matou o Johnny Depp?

Sinopse: Kenneth Branagh traz de volta ao grande ecrã uma das histórias mais conhecidas de Agatha Christie. Nela, o famoso detetive Hercule Poirot (interpretado pelo realizador) vê-se preso num comboio com 12 possíveis assassinos, depois de ter sido encontrado o corpo de Edward Ratchett (Johnny Depp) no seu compartimento. Poirot tem de pôr à prova todas as suas capacidades para desvendar mais um crime misterioso.

 

Há muitos anos, lembro-me de ler Um Crime no Expresso do Oriente. Apesar de nunca ter sido a maior fã de Agatha Christie, é impossível não gostar das suas histórias. O melhor de tudo é que não me lembrava do final ou até dos pormenores mais interessantes da história, o que me fez conseguir ver esta nova adaptação como se não conhecesse nada.

 

Porque, tal como em todos os filmes de mistério, o que é interessante é percebermos como é que o detetive consegue tirar todas as suas conclusões. O resultado, apesar de querido e muito expectante, é apenas um pormenor.

 

Um Crime no Expresso do Oriente já teve a sua quota parte de adaptações. É possivelmente a história mais conhecida de Poirot, e o que Branagh tentou fazer foi dar-lhe um ar mais cinematográfico e, de certa forma, moderno.

 

Mas escolheu fazer a adaptação com uma história que, por si, já é limitada.

 

Como disse, não me lembro muito bem do livro e não sou a maior conhecedora das obras de Christie. Porém, acho que o mistério de Um Crime no Expresso do Oriente não é dos mais interessantes ou que nos deixem de boca aberta com as revelações. De facto, fui ver o filme com alguém que conhece e lê Christie com regularidade e partilha desta opinião.

 

Michelle Pfeiffer tem uma das interpretações mais interessantes da trama. 

 

Que vale o que vale. Mesmo assim, acho que Branagh teve de trabalhar com essa limitação. O que fez com que, em alguns momentos do filme, as revelações e conclusões a que Poirot chega se tenham tornado muito rápidas; mal percebemos como é que conseguiu lá chegar.

 

Independentemente disso, conseguiu criar uma atmosfera e ambientes extraordinários.

 

Primeiro, concentrou muito da ação na figura de Poirot, nos seus ideais e opiniões. Aliás, acho que é exatamente as várias lutas internas que o protagonista vive a melhor coisa desta história, e não tanto a sua conclusão.

 

Nesse aspeto, Branagh e Michael Green (o argumentista) acertaram em cheio. A história está equilibrada, com um bom ritmo, e passamos um ótimo tempo a assistir ao filme – mesmo quando parece muito longo. As revelações surgem no momento certo, mas nunca recebem muito protagonismo, o que pode ser bom para criar a aura de suspense.

 

Só que aquilo que nos desperta a maior atenção é mesmo todo o cenário e ambientes criados.

 

O facto de Branagh estar tão ligado ao teatro faz com que tenha uma visão de direção muito peculiar. Ele torna-nos espectadores num palco, com câmaras estáticas e planos que nos direcionam o olhar.

 

 

Além disso, o facto de  colocar a câmara tão próxima dos atores e pormenores só torna o ambiente do comboio mais claustrofóbico e misterioso – e tudo muito próprio da visão do realizador.

 

Branagh leva-nos numa experiência – tal como levou os atores. O filme foi praticamente todo filmado dentro do comboio, por isso dificilmente teríamos uma perspetiva mais real. É tudo pensado ao pormenor, o que torna a visualização do filme muito mais interessante e intensa.

 

Um Crime no Expresso do Oriente não é um filme fantástico, mas tem uma cinematografia e atores fantásticos. Se as paisagens e as cores dão ao filme um visual extraordinário, os atores conferem a cada personagem o toque de mistério e inocência culpada que precisamos para ficar ainda mais interrogativos.

 

Só podemos dizer que é uma experiência de visualização fantástica. Apesar da história não ser das melhores, e da adaptação tentar ser o mais fiel possível, é um belíssimo filme com aquilo com que pode trabalhar.

 

E aquele bigode de Poirot? Tal como toda a construção da personagem, vale por isso!

 

***

Uma ode aos filmes de Natal

Acontece todos os anos: a partir de novembro, somos invadidos por filmes natalícios de todas as espécies. Nas salas de cinema chegam os mais recentes, que acabam de estrear. Nas nossas televisões vemos os que já são considerados clássicos.

 

O que têm em comum é uma onda de branco, verde e vermelho. Seja como protagonista ou mero acessório do cenário temporal, o Natal chega em força nesta altura do ano. Se acontece nos centros comerciais, supermercados e ruas da cidade, o Cinema não é exceção.

 

Em 2017, o mote é inaugurado por Mães à Solta 2, a sequela do filme de 2016 que volta a juntar Mila Kunis, Kathryn Hahn e Kristen Bell. Desta vez, elas regressam para se rebelarem contra as responsabilidades das mães durante o Natal, e de certeza que nada de bom vem aí.

 

Comédia pura, com três mães a darem umas de loucas, é daqueles filmes que nos transporta para o espírito natalício sem sequer nos apercebermos.

 

Eu cá não me importo. Adoro o Natal, em todas as suas vertentes. Adoro as cores, os cheiros dos doces e comidas natalícias, o calor de ter a família toda reunida, e o amor que nos rodeia. Se em pequena eram as prendas que me prendiam à quadra, hoje é este sentimento tão adulto de pertença.

 

Por isso, que venham os filmes de Natal!

 

Adoro um bom filme de Natal. Seja daqueles de chachada, em que alguém tenta salvar o Pai Natal de uma morte terrível, ou as ações com final feliz ao estilo de Die Hard (ou nunca repararam que os dois primeiros Die Hard se passam a 24 de dezembro?).

 

Em miúda, delirava com as maratona do Disney Channel, com filmes do Tim Allen ou do Mickey vestido a preceito. Em adulta, são as comédias sem qualquer sentido que me fazem adorar a quadra.

 

São os filmes intemporais que nos fazem acreditar que existe alguma bondade no mundo. Assistir a Sozinho em Casa continua a ser uma experiência de inverno que gosto de repetir; ainda olho para debaixo da árvore com esperança de encontrar um Gremlin (normalmente vejo - é a cadela dos meus tios); ainda espero ouvir a campainha para abrir e ter alguém a fazer-me uma declaração de amor, tal como O Amor Acontece.

 

Até os filmes mais parvos acabam por mostrar que isto do Natal vai além da comercialidade da data. É amor, bolas! É amizade, calor humano e muito carinho por todos os que nos rodeiam.

 

É uma visão muito romântica? Admito que sim. Sempre tive uma veia sonhadora, daquelas que vê o lado positivo e bom de tudo, que tenta acreditar na bondade quando me dizem que não existe. Ao longo do tempo, fui abrindo os olhos e percebendo que nem sempre esse positivismo está certo, e que a bondade às vezes pura e simplesmente não existe. Mas se há romantismo que não perco é este, dos vermelhos, verdes e brancos em casa, o cheio a doce e muita gente à minha volta.

 

Sou uma miúda pacata, familiar e pronta para passar uma noite em família. Os filmes têm a força de nos reunir em volta deste sentimento tão bonito de partilha.

 

Por isso, peguem no vosso filme de Natal preferido, juntem a família à volta da televisão, e sejam felizes.

 

E se ainda não estão no espírito (todos sabemos que é difícil quando ainda a semana passada estavamos na praia), façam uma visita ao cinema. De certeza que vão encontrar um filme que vos vai preparar para esta quadra mágica!

Thor: Ragnarok (2017) – uma comédia de super-heróis

Sinopse: Depois dos vários acontecimentos que viveu junto aos Vingadores, Thor (Chris Hemsworth) não regressou a Asgard. E quando regressa, algo não está bem. É quando tenta impedir a destruição do seu reino que acaba por ser preso num território desconhecido, do qual tem de tentar sair para salvar o seu povo.

 

 

 

Muitos têm criticado o facto deste terceiro Thor ser extremamente cómico. Taiki Waititi, o realizador neo-zelandês que esteve aos comandos de Ragnarok, é “acusado” de ter transformado Thor num filme de comédia.

 

E depois?

 

Mais do que Tony Stark, para mim Thor sempre foi o personagem Marvel mais cómico engraçado. Desde o seu desconhecimento dos hábitos humanos, à sua falta de modéstia, ele sempre foi altamente cómico.

 

Louvo a coragem de Waititi por ter assumido esse seu lado. A verdade é que estes não são supostos ser filmes altamente sérios. São super-heróis, raios! Não é um drama, é uma aventura. E Waititi teve a audácia acertada de ter sido consistente com a personalidade de Thor, e com essa ideia de que não vale a pena mascararmos a aventura com momentos dramáticos.

 

Nesse sentido, Thor:Ragnarok é um dos filmes Marvel mais consistentes e certeiros dos últimos tempos.

 

A vilã, Hela (Cate Blanchett) 

 

Continuamos a ter uma presença constante dos restantes personagens e de todo o universo, não só graças à presença de Hulk, mas pelas várias referências ao longo do filme.

 

Mas isso é porque não podemos ver um filme dos estúdios Marvel como algo individual. Fazem parte de um universo muito bem montado.

 

O bom de Thor: Ragnarok é que nos leva para dentro desse universo, sem nos esquecermos de que estamos a contar a história do Deus do Trovão.

 

Isso pode fazer também com que pareça que tudo acontece ao mesmo tempo. Num momento estamos a ver Thor derrotar um antigo inimigo, noutro já está preso e a querer libertar Asgard de uma terrível ameaça.

 

É de facto tudo muito aleatório; as coisas tendem a acontecer muito depressa, mas não sem dar ao filme um ritmo muito interessante. Sobretudo porque, como dissemos de início, este é suposto ser um filme mais leve e cómico, por isso Waititi pôde dar-se algumas liberdade no que toca à forma como os acontecimentos são contados.

 

No meio de tudo isto, até pode parecer que a personagem de Cate Blanchett deixa de ter o protagonismo que merecia. Ela é Hela, Deusa da Morte e primogénita de Odin (Anthony Hopkins), feita prisioneira quando a sua ambição colocou Asgard em perigo.

 

Não tiro razão a quem chega a essa conclusão. Apesar de compreendermos o papel de Hela na história, e de não perder a sua importância, Blanchett tem um papel tão extraordinário que tinha de ter mais tempo de atenta. A sua vilã é incrível, sem respeito pela vida, ambiciosa como uma Deusa pode ser; é aterradora, e tem uma presença no ecrã fenomenal.

 

Tessa Thompson interpreta a última Valquíria de Asgard, um grupo de guerreiras cuja missão é proteger o trono. 

 

Aliás, toda a presença feminina neste Thor é muito importante. Talvez piscando o olho a Mulher Maravilha (que fez História este verão), Thor:Ragnarok não só tem uma vilã feminina que põe muitos outros a um canto, como encontra um importante auxílio numa guerreira improvável. Porque as mulheres também podem ser relevantes (BA DUM TSS).

 

Portanto, só temos uma conclusão: quando os estúdios Marvel escolheu um realizador semidesconhecido para dirigir um dos seus filmes mais lucrativos, sabe o que está a fazer.

 

Waititi provou isso mesmo, mostrando como é que Thor consegue ser ainda uma das personagens mais queridas e bem construídas do seu universo. Não se deixou intimidar pelo seu orçamento de Hollywood gigante, e realizou um filme muito bem construído e engraçado, bem como Thor merece.

 

E nós, já agora.

 

***,5

Já temos elenco para o filme O Rei Leão, e Beyoncé não podia faltar

Foram vários meses de especulação, enquanto outros atores se juntavam ao projeto. Mas hoje acordamos com a confirmação oficial: Beyoncé, a Rainha do Mundo, vai juntar-se ao elenco da nova adaptação de O Rei Leão. 

 

O anúncio foi feito pela própria e pela Disney, que divulgou na sua página de Facebook uma imagem com o elenco principal deste novo filme, realizado por Jon Favreau. 

 

 

Alguns dos nomes já eram conhecidos. O envolvimento de Donald Glover, no papel de Simba, e de James Earl Jones (que vai repetir o papel de Mufasa, a quem ele dá voz no original de 1994) foi dos primeiros a ser confirmados. Seth Rogen e John Oliver (YES!) eram outros dos nomes conhecidos. Serão Pumba e Zazu, respetivamente. 

 

Mas foi ontem que Beyoncé foi dada como certa no projeto. Há algum tempo que Favreau tinha dito que era a sua escolha para Nala mas, convenhamos: a senhora tem uma agenda tão preenchida que mal deve saber o que vai comer amanhã.

 

Pelos vistos conseguiram. Também conseguiram que Chiwetel Ejiofor desse os movimentos e voz a Scar, um dos meus vilões preferidos de sempre. 

 

O Rei Leão é um dos meus filmes preferidos de todo o sempre. É cliché, claro, mas adoro a forma  como está produzido, realizado e escrito, e acredito piamente que é um dos filmes mais completos de sempre - mesmo sendo de animação. É difícil esquecer os primeiros amores, não é o que dizem?

 

Saber que vão pegar novamente nesta história é um misto de emoções. Por um lado, temos a expectativa de ter um elenco brilhante a interpretar estas personagens e história. Por outro, temos sempre aquela sensação de que tanta coisa pode correr mal… 

 

Como esta é uma história tão querida de tanta gente, acho que vai correr bem. A verdade é que o musical, que existe há anos, é um sucesso. Além disso, Favreau já deu cartas de que consegue pegar nas histórias e transformá-las em algo novo, mas sem perder a sua mestria original. 

 

Para aqueles que se perguntam se este vai ser um filme de animação ou de imagem real (o que poderia ser complicado, já que são todos animais), é um misto. O filme vai ser produzido com a mesma tecnologia que Favreau utilizou em O Livro da Selva, em 2016. 

 

No fundo, será uma animação com aspeto real. Os animais serão “transformados” digitalmente para parecerem reais, e os atores vão dar-lhes voz. Será um live-action, mas com efeitos muito especiais. 

 

Com este elenco, e o envolvimento de Favreau, tenho mesmo esperança que corra tudo pelo melhor. Só conseguiremos tirar as nossas dúvidas em 2019, ano confirmado para o lançamento do filme.

 

E vocês, quais são as vossas expectativas para este filme?