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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

The Meyerowitz Stories (New and Selected) (2017) – Do Adam Sandler à beleza das histórias simples

Sinopse: Harold (Dustin Hoffman) é um artista e professor aposentado que nunca se deu particularmente bem com os seus três. Quando a vida acontece, os irmãos são obrigados a conviver bem e pôr de lado as suas diferenças, enquanto percebem de que forma é que a sua relação com o pai moldou a pessoa em que se tornaram.

 

 

Já falei aqui no blog sobre The Meyerowitz Stories. Na altura, falei sobre o trailer recém-lançado e das críticas favoráveis, que colocavam Adam Sandler num dos melhores papéis da sua carreira. Além disso, elogiavam a visão de Noah Baumbach, realizador e argumentista, que volta a presentear-nos com uma história aparentemente simples, mas cheia de nuances e importância.

 

Assim que vi o trailer fiquei com muita curiosidade, sobretudo porque a performance de Sandler estava a ser altamente elogiada. Quando estreou na plataforma Netflix (já que esta é uma produção exclusiva da plataforma), não pude perder a oportunidade.

 

Até porque, por vezes precisamos de filmes mais simples e menos caóticos para nos fazer lembrar que o caos não precisa ser repleto de barulho. Pode ser só uma série de acontecimentos que nos dão cabo do sistema.

 

The Meyerowitz Stories é, isso mesmo, um conjunto de histórias sobre o passado e presente dos três irmãos. Histórias que os afetaram, afastaram e aproximaram, e fizeram-nos chegar á conclusão de que a sua família, mais do que disfuncial, é altamente destrutiva.

 

Isto sem ser preciso andar à porrada, gritarias ou grandes cenas de discussão. Apenas focamos nos acontecimentos que nos vão sendo relatados pelos irmãos Meyerowitz, e retiramos as nossas próprias conclusões ao mesmo tempo que os próprios.

 

 

O bom deste filme é precisamente isso: a um ritmo muito acelerado mas, ao mesmo tempo muito suave, vamos tomando conhecimento de tudo o que torna esta família tão estranha. Enquanto isso, quase que somos levados a pensar também nas nossas vidas, e se não é esta relação com os nossos pais que nos faz ser assim ou assado.

 

Dustin Hoffman está brilhante no papel de Harold. Enquanto vemos a sua relação com os filhos, quase que queremos espancá-lo ou afastá-lo do ecrã (um pouco como se calhar os filhos também o querem fazer). Ele é falador, prepotente e muito irritante, e isto sem sequer se aperceber de que o é. A sua interpretação faz-nos acreditar piamente que é possível mesmo existir alguém assim.

 

O que torna a história muito mais realista. A verdade é que Baumbach quer passar  uma série de histórias que nos mostra como os nossos pais nos moldam, para o bem ou para o mal. Qualquer um de nós, com a dose certa de espírito crítico, se revê um pouco nas conclusões dos irmãos – uns mais, outros menos. Porém, são as interpretações que nos fazem acreditar ainda mais nessa correlação.

 

E como toda a critica afirmou, isto estende-se a Adam Sandler. Apesar de estar num registo diferente do habitual, ele tem a dose certa de dramatismo e humorismo de que é preciso para que Danny seja tão cru e normal quanto possível. Da mesma forma, Ben Stiller e Elizabeth Marvel (que interpretam os seus dois irmãos) completam o trio de uma forma brilhante.

 

 

The Meyerowitz Stories tem a medida certa do drama, da comédia e do inesperado que precisamos. Em retrospetiva, quase tem um ar meio à lá Woody Allen, com a sua Nova Iorque e os seus acontecimentos caóticos e simples e romanescos.

 

Apesar de este ser um registo muito mais circunspeto e preso em si próprio, Baumbach consegue mesmo transportar-nos para aquele momento. E isso, mais do que uma tentativa de contar uma história como ela é, é a prova de que os bons filmes não precisam de grandes artifícios para serem bons.

 

Eu sou apologista de que todos os bons filmes merecem ser vistos numa tela gigante, mas desta vez abro espaço para a exceção. Se não houve produtora a querer pegar em The Meyerowtiz Stories, ainda bem que existem os Netflix desta vida para nos dar a conhecer pérolas assim.

 

E ainda estou no conforto do meu lar, a ser transportada para o lar dos outros. Melhor é impossível.

 

****

Michael Bay vai produzir um filme da Dora, A Exploradora. Oi?

Se leram aquele título e imediatamente pensaram “mas como é que isso é possível”, parabéns: acabaram de se juntar a um grupo de pessoas que pensa o mesmo desde que a notícia saiu.

 

Sim, parece que é mesmo verdade: Michael Bay, o homem mais conhecido por gostar de filmes de ação em que robôs gigantes lutam entre si, vai produzir um filme em imagem real da história infantil.

 

Para os que não conhecem, a Dora, a Exploradora é um desenho-animado para crianças que pretende ajudá-las a aprender espanhol. A protagonista é uma menina de sete anos, bilingue, que pede constantemente a ajuda do público para ensinar uma nova língua. Sim, é daqueles desenho-animados muito irritantes.

 

Mas tem sucesso. Esteve originalmente 14 anos no ar, e o que não falta é merchardising da dita. De certeza que já viram a boneca em mochilas de crianças, ou mesmo brinquedos.

 

Para o filme, Dora vai passar a ser uma adolescente que vai viver com o seu primo Diego. Sabe-se ainda que Nick Stoller, que escreveu Os Marretas, em 2011, está já a preparar um argumento, que deverá estrear lá para 2019.

 

De que forma é que Bay vai estar envolvido ainda está envolto em mistério.

 

Escusado será dizer que eu não gosto de Michael Bay. Não consigo ultrapassar o gosto do senhor por filmes que se concentram mais nas explosões, do que propriamente numa história decente para contar. Eu sei, eu sei, houve uma altura da sua vida em que até realizou um guilty pleasure Armageddon e Pearl Harbor. Só que esse tempo vai longe, e hoje o envolvimento de Bay num filme nunca me augura nada de bom.

 

Tentei ver Transformers várias vezes e desisti. Nem sequer dei uma oportunidade a Tartarugas Ninja quando vi cerca de cinco minutos de filme. Peço desculpa, mas não consegui.

 

São manias. É como recursar-me a ver filmes do Keanu Reeves – o homem dá-me espécie.

 

De qualquer modo, só o facto de Bay estar interessado num filme sobre Dora faz-me ficar curiosa. Será que vai andar a pular de um lado para o outro, com armas e robôs? Será que vai conseguir salvar o mundo com a sua capacidade para falar inglês e espanhol?

 

Tantas perguntas, e tão poucas respostas. Ficarei sempre com a principal na minha cabeça: onde raio é que esta pessoa tinha a cabeça? Entretanto, acho que esta versão, produzida pelo College Humor, é capaz de ter mais potencial...

 

 

5 filmes obrigatórios de David Fincher

Estou sentada à procura das melhores palavras para descrever o porquê de gostar tanto do trabalho de David Fincher.

 

Quando decidi escrever este post, em virtude da estreia da nova séria com a sua colaboração, fi-lo porque sabia que o seu trabalho foi um dos motivos por ter começado a ver Cinema com C grande, e não apenas como filmes num ecrã. Foi com a lembrança da primeira vez que vi Fight Club, e pensei como é que é possível que alguém consiga construir um ambiente tão caótico e tranquilo ao mesmo tempo.

 

Fincher é um dos realizadores do meu coração. Sentar-me em frente ao computador e tentar explicar o porquê é complicado.

 

Porque quando somos fãs, somos fãs. E eu sou fã de David Fincher.

 

Sou fã da sua da forma como pega nas histórias e as centra nas personagens, personagens pouco convencionais e que nem sempre são louváveis ou queridas. Sou fã da forma como filma e nos transporta. Sou fã dos movimentos, da ausência de sanidade, da presença de algo assumidamente real.

 

O seu novo trabalho pode ser em televisão, mas não deixa de ser cinematográfico. O Caçador de Mentes estreou a semana passada na plataforma Netflix, e tem sido alvo de muitos elogios. Fincher produziu a série e realizou os quatro primeiros episódios, e diz quem viu que a sua visão e mestria estão muito presentes.

 

Enquanto não arriscam nos seus episódios, deixo-vos com a minha escolha pessoal dos filmes de David Fincher – aqueles que continuo a ver vezes e vezes sem conta, e nunca me canso.

 

 

Fight Club (1999)

 

 

Este é sem dúvida o meu filme preferido de Fincher, e um dos filmes da minha vida. Acho que foi depois de o ver que me apercebi que isto de fazer Cinema pode ser muito mais do que pôr a gravar, e filmar uns tipos a dizer umas falas.

 

Para mim, Fight Club é um dos melhores filmes de sempre. Não só tem um argumento do caraças (com uma belíssima adaptação do romance de Chuck Palahniuk), como tudo está conectado na perfeição.

 

Desde as interpretações, ao caos, à forma como a ação está interligada, sentimos na pele aquela sensação de alheamento e revolta do Narrador. E isso, em parte, vem muito da forma como Fincher vê a história e decide filmá-la.

 

É como um puzzle, em que nada parece fazer sentido, mas depois montamos as peças e fica uma obra de arte do caraças.

 

 

Em Parte Incerta (2014)

 

 

Assistir a Em Parte Incerta é uma viagem. É uma viagem por um sem-número de emoções, entre revolta, tristeza, asco e total surpresa.

 

A história, em si, já é de loucos: um homem chega a casa e a mulher desapareceu. Monta-se um circo mediático à sua volta, e chega a ser acusado de homícidio. Até que se descobre que, afinal, ela não era a santa que todos pensavam.

 

Ela era uma cabra manipuladora.

 

E Fincher, criando uma atmosfera fria e quente ao mesmo tempo, entre a verdade e a mentira, manipula-nos também.

 

Assim que assisti a Em Parte Incerta pu-lo no meu top de filmes fincherianos, muito graças a esta capacidade de conseguir manipular os nossos sentimentos e reações. Se a história e o argumento são bons, o toque de Fincher consegue conjugar na perfeição a relação entre Nick e Amy, e tudo aquilo que significa.

 

Nos primórdios deste sítio ainda podem ler uma opinião sobre Em Parte Incerta mais coesa. 

 

 

Se7en – Sete Pecados Mortais (1995)

 

 

Para muitos, é o melhor filme de David Fincher. Para outros, é a prova como a mente deste homem não bate bem. Para mim, é um pouco dos dois.

 

Se7en é, no mínimo, perturbador. É impossível esquecer a mítica cena em que Brad Pitt pergunta com emoção o que está dentro da caixa, e o que nos faz sentir quando descobre. Uma cena cheia de tensão, e uma tensão que é acumulada desde o início do filme.

 

É quase como uma escala: Fincher faz-nos começar a ver cada personagem e elemento com um determinado olhar, para que cheguemos aquele momento e nós próprios gritemos “Mas o que é que está no raio da caixa?!?!?!?”. Só que nós sabemos, e questionamos interiormente o que faríamos no lugar do inspetor Mills.

 

Lá está, uma pequena manipulação. Mas uma manipulação de que nós gostamos.

 

 

Zodiac (2007)

 

 

Zodiac é mais uma prova em como David Fincher tem um fascínio qualquer com a mente dos criminosos – e ainda bem, porque nós ficamos a ganhar com filmes cheios de tensão e crime.

 

A primeira vez que assisti a Zodiac pensei que pudesse ser apenas mais um filme sobre um criminoso (inspirado em factos verídicos, já agora). Porém, pensar mais sobre ele leva-nos à conclusão de que há muito mais do que apenas uma história.

 

Zodiac deixa-nos no limbo entre a loucura e a sanidade. Tal como grande parte dos filmes de Fincher, sentimos as dores dos personagens, e entramos com eles num caminho difícil de percorrer. O facto de sabermos que esta história aconteceu mesmo pode ainda dar-lhe um outro peso, que Fincher sabe usar a seu favor.

 

Que é como quem diz, ficamos borrados de medo.

 

 

Millenium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres (2011)

 

 

Se há saga policial que adoro nesta vida são os livros da saga Millenium, da autoria de Stieg Larson. O sueco conseguiu criar um enredo brutal, que junta mistério, crime, natureza humana e momentos muito macabros – mas fantásticos.

 

Conseguir colocar tudo isso no grande ecrã não deve ser fácil. Existe uma tentativa sueca, que tem Noomi Rapace no principal papel (e a que eu ainda não assisti na totalidade). E Fincher também tentou.

 

Para mim, foi bem sucedido. Primeiro, na escolha do elenco: Daniel Craig podia não ser a minha primeira escolha para o papel de Mikael Blomkvist, mas resultou bem. E não há muito que dizer sobre o papel de Rooney Mara na pele de Lisbeth Salander, porque está absolutamente brutal e tal e qual imaginei depois de ler os livros. Logo aí, um ponto a favor.

 

Depois, todos os outros personagens fazem sentido e estão super bem conjugados. Fincher consegue trazer para o ecrã aquela ambiente frio, que não vem apenas do clima sueco, mas da história em si. O clima de mistério chega até nós, e sentimos a tensão no ar.

 

David Fincher sabe perfeitamente como chegar a essa tensão. É o que ele faz de melhor.

 

EXTRA

O Estranho Caso de Benjamin Button

 

Confesso: está longe de ser o melhor filme de Fincher, mesmo tendo em conta aqueles que deixei de fora. Mesmo assim, não consigo deixar de assumi-lo como um dos meus prediletos.

 

Penso que a história, e a interpretação de Pitt e Cate Blanchett, são os grandes responsáveis. A premissa de que a nossa vida regride, ao invés de avançar, colocar uma série de coisas que tomamos como garantidas em perspetiva. É uma ideia que me suscita muitas questões, e continua a chamar-me a atenção.

 

Além disso, tivemos uma Taraji P. Henson que é só uma das minhas girl crushes.

 

E para vocês: qual é o melhor filme de David Fincher?

 

 

A primeira temporada de Caçador de Mentes já pode ser vista no Netflix.

Já olharam para o vosso bilhete? Os lugares são marcados!

Sou uma defensora dos lugares marcados. Seja no cinema, teatro e até em concertos, os lugares marcados são a ferramenta mais interessante para mantermos a civilidade nos momentos em que temos tendência para não ser civilizados.

 

Não me levem a mal quando digo que o ser humano é altamente pouco civilizado. É verdade! Mesmo que o façamos inadvertidamente, com certeza que já vivemos situaçãoes em que cagámos para o bem comum e fizemos aquilo que bem nos apetecia.

 

E isso pode ser apenas sentar-nos num lugar que não nos pertence.

 

Recordo com alguma nostalgia o ido dia em que estreou em Portugal o filme O Código Da Vinci. Estavamos em 2006, eu era apenas uma criança, mas queria muito ver o filme de Ron Howard. Eu e os meus amigos conseguimos preencher uma fila inteira do cinema, mas mesmo assim, quando lá chegámos, dois marmanjos estavam sentados nos nossos lugares.

 

Tentámos ser civilizados, mesmo tendo em conta a nossa tenra idade. Pedimos que saíssem, pois aqueles eram os nossos lugares. Negaram, dizendo que eram deles. Nós voltámos a pedir educamente. Voltaram a negar. Mostrámos os nossos bilhetes, mas mesmo assim não saíram. Não nos deram outra alternativa senão armar um escândalo e chamar alguém com competência para os enxovalhar dali.

 

Escusado será dizer que os seus lugares eram péssimos. Não os julgo por tentarem a sua sorte.

 

Esta história criou em mim um reflexo terrível: detesto pessoas que não se sentam nos seus lugares. E gente que não sabe ser civilizada.

 

É que juro que não percebo. Se está impresso num papel que o vosso lugar é noutro sítio completamente diferente, por que raio é que não metem os argumentos num sítio que eu cá sei e apenas se levantam????

 

Atenção, não sou dona da razão. Já mais do que uma vez me sentei num lugar que não era o que me tinha sido atribuído. À socapa, já dePois do filme começar, lá fui para um sítio melhor, ou porque tinha um acabeça gigante à frente das legendas, porque tinha alguém muito irritante ao meu lado, ou só porque me apeteceu.

 

Mas não o consigo fazer sem ter a sensação constante de que a qualquer momento alguém pode chegar e declarar que o lugar é seu. Mesmo quando o filme está a acabar.

 

Como tudo, depende sempre da forma como lidamos com a situação. Não há mal que por algum motivo tenham optado ir para outro lugar, mas porque é que perdem tempo a argumentar que têm razão? Acham mesmo que vamos inventar um bilhete falso só porque cobiçamos os vossos lugares?

 

Vá lá, vamos ser razoáveis. O bilhete é que manda. Não é a vossa vontade.

Stars Wars está de volta! Já viram o novo trailer?

Não precisam de esperar mais: depois de meses e meses de antecipação, finalmente foi divulgado o primeiro trailer de Stars Wars – The Last Jedi! Cheio de suspense, algumas revelações e outros tantos mistérios, deixa-nos de água na boca para o que vem aí.

 

 

The Last Jedi é o segundo filme da trilogia que começou com O Despertar da Força, em 2015. É o VIII episódio da saga criada por George Lucas, e traz-nos de volta a cara conhecida de Luke Skywalker, depois do seu desaparecimento no filme anterior.

 

Escusado será dizer que The Last Jedi é capaz de ser o grande evento cinematográfico do ano, independentemente de todos os outros filmes geniais que têm aparecido. É que tudo o que envolve Star Wars merece ser recebido com pompa e circunstância.

 

Sobretudo depois do sucesso de O Despertar da Força. Apesar de não ter sido recebido com unanimidade, é inegável que o Episódio VII da saga fez-nos regressar ao bom que é Star Wars. Depois de uma trilogia que deixou muito a desejar (principalmente porque fugia um pouco aquilo que nos fez começar a gostar tanto desta saga), o seu regresso ao ativo foi recebido com carinho.

 

Não sem alguma apreensão de início. Lá está, a memória das prequelas ainda estava muito presente para aqueles que gostam do espírito dos primeiros episódios. A segunda trilogia a ser lançada deixou um sabor amargo na boca, e muitos ficaram com medo que acontecesse de novo.

 

Mas não foi o caso (pelo menos na minha opinião), e o resultado não podia ter sido melhor. Até a incursão de Rogue One nos faz ficar mais perto daquilo que Star Wars é, mais do que as prequela.

 

Ver o trailer deste The Last Jedi é sentir que novamente as expectativas estão muito elevadas, mas há muita coisa que pode correr bem.

 

Ao que parece, vamos ter mais Luke, e vamos perceber talvez um pouco melhor as verdadeiras capacidades de Rey. Por outro lado, temos um Ben Solo aka Kylo Ren, que se mostra mais poderoso e vingativo. Ou talvez não...

 

As perguntas são muitas depois de ver este trailer, mas as respostas também – ao menos já sabemos que Luke vai mesmo regressar (dúvidas houvesse). Agora, só falta vermos o filme.

 

Só em dezembro é que vamos ter essa sorte. Até lá, que tal uma maratona para recordar o que está para trás?

ZOOM-IN: o culto dos filmes maus – o caso The Room

Há espaço para tudo no cinema: filmes pipoca, filmes intelectuais, filmes que não percebemos mas de que gostamos, até filmes para crianças que são visto maioriatariamente por adultos. No meio de tudo isso, ainda existe espaço para filmes tão maus, mas tão maus, que não resistimos a ver mesmo quando sabemos o quão maus são.

 

Os casos Sharknado ou Scary Movie são ótimos exemplos disso. No fundo, são filmes que adoram gozar com os grandes sucessos de Hollywood, mas que a única coisa boa que têm são as gargalhadas que damos quando os vemos. Mas esse são feitos maus deliberadamente.

 

Depois, há ainda aqueles que foram produzidos para serem grandes obras, mas que acabaram por se tornar exemplos de tudo o que não deve ser feito no cinema.

 

É o caso de The Room, o filme de 2003 produzido, escrito e realizado por Tommy Wiseau.

 

Fiquei a conhecer The Room quando dei de caras com o trailer de The Disaster Artist, o novo filme de James Franco e Seth Rogan que nos dá a conhecer tudo o que aconteceu na sua produção. É uma viagem à rodagem do filme, baseada no livro com o mesmo nome de Greg Sestero, um dos protagonistas de The Room, e amigo de Wiseau.

 

 

Fiquei pasmada. Fui pesquisar mais sobre The Room, e soube que tinha mesmo de ver este filme. Sobretudo porque era suposto ser uma história dramática, transformada em comédia, que todos os anos leva fãs à loucura em exibições exclusivas. São Comic-Cons para fãs.

 

A oportunidade chegou no último sábado, no Espaço Nimas em Lisboa, na última exibição das Sessões de Culto idealizadas por Filipe Melo.

 

E que experiência.

 

 

Mas filmes maus porquê?

 

Já lá vamos ao que aconteceu. Por agora, coloca-se uma questão importante: se não repetimos quando vamos a um restaurante mau, ou deixamos de lado um livro mal escrito, porque é que continuamos a ver filmes maus?

 

A questão foi colocada a Sestero por um membro do público no último sábado. Sestero deu uma resposta que, parafraseando, dizia que a sua opinião é que nos divertem, não por serem maus, mas por acharmos divertido. Um filme é o que é, e só gostamos dele se retirarmos de lá alguma coisa.

 

Estudos e opiniões à parte, eu concordo com Sestero. Existe quase uma pressão para assistir apenas a bons filmes – feita por nós, e por toda a massa crítica que nos impinge os bons filmes, e diz que os maus não valem a pena.

 

O que é totalmente aceitável – até eu o faço.

 

Porém, quando surgem filmes como The Room, a pressão é inversa: tu tens de ver isto porque é tão mau que te vais rir a bom rir.

 

São experiências diferentes, que nos ajudam a descomprimir. Sobretudo porque, nestes casos, são filmes feitos e produzidos para serem apreciados, mas aquilo que apreciamos são as suas falhas, não as suas conquistas.

 

Para mim, a diferença entre The Room e outros como Sharknado e Scary Movie é precisamente o seu propósito. Enquanto que os segundos são comédias disfarçadas de outra coisa, o primeiro é outra coisa que, por obra do destino, se tornou uma comédia. Mas a culpa é toda nossa.

 

 

Sobre The Room

 

 

 

Para Wiseau, The Room era suposto ser um drama triste sobre um homem bem sucedido, cuja noiva o trai com o seu melhor amigo. É sobre um homem que vê os seus sonhos e objetivos a desmonorarem, num subtil (e nada lisonjeiro) piscar de olho a Um Elétrico Chamado Desejo.

 

É também, nas palavras de Sestero (que interpreta Mark, o melhor amigo traidor), um filme sobre sonhos. Wiseau quis ser ator, mas Hollywood não lhe deu oportunidade. Então, ele fez aquilo que todo o bom empreendedor tenta: fez o seu próprio filme para esfregar na cara de Hollywood.

 

É claro que não resultou. O filme custou 6 milhões de dólares, mas conseguiu apenas pouco mais de 1800 em receitas de bilheteira. A meio da sessão de estreia foram muitas as pessoas que abandonaram a sala. A Entertaintment Weekly chegou a chamar-lhe o Citizen Kane dos maus filmes.

 

São mesmo poucas as coisas boas neste filme. Os diálogos são maus, com personagens a entrar e a sair, sempre introduzidas por um Olá e Adeus. O argumento é mau, com cenas que não fazem sentido no meio da trama, sem contexto, com personagens que não conhecemos que aparecem do nada e se tornam relevantes, e acontecimentos totalmente aleatórios. A própria produção e realização são, no mínimo, questionáveis, com planos estranhos e escolhas técnicas que não lembram ao menino Jesus.

 

The Room é um conjunto de aleatoriedades. A única coisa que faz sentido em todo o filme é que, de uma forma um pouco poética, a primeira e a última cena até fazem sentido juntas. De resto, não há nada ali que faça sentido. Basicamente, Wiseau começou a escrever uma história, que na cabeça dele fazia sentido, e decidiu chamar-lhe um argumento de filme. #sqn

 

Mas tornou-se um sucesso. “Após catorze anos tens de dizer que é um sucesso. O público quer ver o ‘The Room’ catorze anos depois. É admirável,” disse Sestero ao Observador.

 

E o sucesso é medido pela quantidade de gente que ainda o vê. No sábado, tal como acontece em praticamente todos os screanings para fãs, houve comentários ao longo do filme, e até choveram colheres (porque em várias das cenas se veem molduras com fotos de colheres). Durante as cenas de sexo, tiradas de verdadeiros videoclips dos anos 90, os telefones ligaram e acompanhámos a música. Em cenas específicas, tiradas de um guia de visionamento partilhado com todo o público, gritámos com as personagens e acompanhámos o seu “diálogo”.

 

Foi uma das experiências mais alucinantes que vivi numa sala de cinema.

 

 GALERIA: (1) foram distribuídas colheres para "utilizar" durante o filme. (3) As cenas de sexo foram acompanhadas pela plateia, (3) e Greg Sestero ainda encenou algumas cenas do argumento original com membros da público (para mostrar que podia ser pior).

 

Naquela sala, todos estavam unidos pela certeza de que é um filme pobremente produzido, mas divertimo-nos à brava. E na minha humilde opinião, este sentimento de unidade é uma das mais bonitas formas de ver cinema – mesmo quando estamos todos a gozar com o trabalho dos outros.

 

É quase uma perspetiva sádica da coisa. Porque estamos mesmo a gozar com o trabalho de alguém, que sonhava em ser uma estrela.

 

Há sua própria maneira, Wiseau tornou-se uma estrela. Em circulos como o que se viveu no Nimas, e se vive um pouco por todo o mundo, ele é uma estrela dos filmes que são exemplo do mau cinema. Mas um mau cinema que nos une.

 

São experiências. Experiências que nos mostram que às vezes só precisamos de momentos assim para descomprimir do stress do dia a dia, e dos filmes perfeitos que os críticos nos impingem.

 

Posso impingir um mau, para variar?   

Good Time (2017), e porque é que o Cinema não é para todos

Sinopse: Connie (Robert Pattinson) arrasta o irmão, vítima de uma doença mental (Benny Safdie), para um assalto que corre mal. Numa noite, tem de corrigir o seu erro e tirar o irmão da prisão, numa série de acontecimentos improváveis e alucinantes.

 

 

Há muito que queria escrever sobre o Cinema enquanto arte. E como toda a arte, algumas das suas formas podem não ser bem interpretadas por todos.

 

É como a literatura com As Cinquenta Sombras de Grey: enquanto livro, na minha humilde opinião, está mal escrito e a história mal conduzida. Porém, agradou e continua a agradar a uma série de pessoas – como uma comédia fatela no cinema. E não há nada de mal com isso (bem... discutível).

 

Da mesma forma que existem livros e pinturas ou esculturas que nem todos conseguem gostar, também existem filmes dessa forma. E apesar de ser uma grande fã de filmes pipoca, já adorei filmes que simplesmente todos os outros detestaram. Há espaço para tudo.  

 

Quando fui assistir a Good Time, foi com essa perspetiva – de que, de vez em quando, temos de dar oportunidade a filmes que podemos não gostar à partida.

 

Não sabia nada sobre este filme à exceção de que era protagonizado por Robert Pattinson. Fui sem qualquer expectativa, e sem sequer uma sinopse na cabeça para me guiar.

 

Por um lado, foi bom. Assistir a Good Time é quase uma experiência sensorial, em que somos levados por eventos caóticos e improváveis à boleia de uma banda sonora que se entrenha nos ouvidos. Visualmente, sem cores e com tantos close-ups, somos arrastados numa montanha-russa cuja sensação piora com o trilho de música.

 

Logo aí, pode ser complicado digerir aquilo que Good Time para mim representou: a aleatoriedade e caos. Porque é difícil aguentar os pontos visuais e auditivos que vamos tendo.

 

O facto da história ser também tão pouco frontal ajuda a que seja uma experiência e tanto. Na maioria dos filmes, estamos habituados a ter uma introdução, desenvolvimento e conclusão que nos fazem chegar a algum lado. São filmes que facilmente percebemos onde o autor queria chegar, e aquilo que nos queria transmitir – vejam o caso de mother!, que com toda a sua confusão foi certeiro em mostrar-nos o bottom line da coisa.

 

Good Time deixa-nos com uma série de questões. Seria isto uma crítica à sociedade, à carga policial norte-americana, ao white privilege? Seria apenas uma história de como o mundo do crime pode engolir até as pessoas mais improváveis, e levá-las numa viagem sem retorno? Ou apenas a história de dois irmãos.

 

Apesar de existir um argumento muito certeiro no caminho que quer seguir, não cheguei a nenhuma conclusão. Connie vai desempenhando o papel do improviso, e bem. Ele deixa-se levar pelos acontecimentos, e leva-nos de uma forma que quase parecem que fazem sentido.

 

Mas a mim não fizeram. E acho mesmo que, talvez, o grande objetivo de Benny e Josh Safdie (os realizadores) e de Ronald Bronstein (que co-escreveu o argumento com Josh) era só espetar com um grande dedo do meio a toda a sociedade.

 

O filme foi muito elogiado pela crítica, e foi ovacionado em Cannes. Por um lado, consigo perceber: está de facto bem construído, e Pattinson faz-me acreditar perfeitamente que é um delinquente criminoso numa viagem sem retorno. E de certa forma, a ideia do caos em que vivemos e nos vemos envolvidos está mais do que bem passada.

 

Porém, fico sempre com aquela sensação de que me está a escapar qualquer coisa. Escapa-me aquela sensação de arrebatamento e aproximação que muitos dos filmes deste género não me conseguem passar.

 

Acho que parte do Cinema não é para todos (como não o é a literatura e a pintura) porque nem sempre nos toca. Nem sempre somos arrebatados; nem sempre saímos da sala a pedir mais; nem sempre choramos porque um filme acabou e gostámos tanto daquilo que vimos.

 

Como toda a arte, o Cinema é subjetivo. Podemos falar da parte técnica, do porquê de uma realizador conseguir transmitir mais do que outro, ou porque é que uma cinematografia é mais importante do que a outra. Mas no final, aquilo que nos vai ajudar a perceber o que é um bom filme, para nós, é aquilo que nos faz sentir – seja repulsa ou um desejo incrível de assistir a mais.

 

Não tiro mérito a Good Time, mas talvez não seja para mim. Até posso ter gostado qb, ou achado que vale a pena a experiência só pela experiência. Só que não é a minha genialidade. #sorrynotsorry