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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Adam Sandler é subvalorizado? The Meyerowitz Stories diz que sim

Adam Sandler é daqueles atores que associamos imediatamente a comédias baratas e pouco pensadas. O seu intuito é simples: fazer-nos rir, e cumprem na perfeição o seu objetivo.

 

Mas e se vos disser que a performance de Sandler no seu novo filme está a ser tão elogiada que há quem diga que tem tudo para ser um dos nomeados da época de prémios do próximo ano? Sim, estou a falar dos Óscares.

 

Podem achar exagerado, mas diz quem viu The Meyerowitz Stories que o seu papel é fantástico.

 

 

O filme conta a história de uma família disfuncional nova-iorquina que se reencontra para celebrar o sucesso do patriarca, interpretado por Dustin Hoffman. Conta também com a participação de Ben Stiller e Emma Thompson, e podia ser o suficiente para nos deixar curiosos. Mas não: é escrito e realizado por Noah Baumbach, que já nos trouxe obras primas como Francis Ha,  O Fantástico Senhor Raposo e A Lula e a Baleia.

 

Produzido com a chancela da Netflix, a estreia em Cannes de The Meyerowitz Stories esteve envolta em alguma polémica - esteve para ser retirado da competição, juntamente com Okja, e levou a organização a mudar as regras: a partir de agora, só são considerados filmes que vão estrear nas salas de cinema francesas, excluindo assim os exclusivamente para streaming online.

 

Apesar disso, não impediu os críticos presentes de elogiarem este filme com todas as palavras que tinham. As performances de todos os atores cairam no goto de todos os críticos, e o argumento é considerado arte por parte de  Baumbach. E todos continuam a falar de Sandler.

 

Porque, ao contrário do que costumamos ver de Sandler, desta vez o seu papel é bem pensado e estruturado. Na maioria das produções Happy Madison (a produtora do ator que foi responsável por Nicky... O Filho do Diabo, Maluco do Golfe e até Miúdos e Graúdos), a comédia é tão fácil que vive dos momentos parvos, não tanto das personagens.

 

Mesmo assim, o carisma e toque pessoal de Sandler estão em cada um daqueles que protagoniza, e isso é inegável. O bom de The Meyerowitz Stories é que, desta vez, esse seu esforço tem uma boa história, e boas personagens, a acompanhar.

 

Um bom bailarino consegue fazer um trabalho excecional se a coreografia não prestar? Será que um cozinheiro consegue bons pratos se os ingredientes estiverem estragados? Todos podem remediar, mas não serão os seus melhores trabahos.

 

Olho para Adam Sandler dessa forma: um grande potencial, inexplorado em histórias que não pedem mais do que aquilo que ele lhes dá. E isso não é mau, porque é uma escolha sua. Mas por outro lado, às vezes dá-nos surpresas como esta, em que alguém pega em todo o seu talento e esmiuça num filme que tem tudo para correr bem.

 

Não sei se Sandler vai ser nomeado para os Óscares, ou se a sua performance merece. Sei que estou curiosa por vê-lo num registo pouco habitual, e tenho esperança que consigamos ver um lado diferente.

 

Aqueles que têm conta de Netflix podem ver The Meyerowitz Stories em outubro. Os restantes... ainda vão a tempo!

Fui ver Sharknado 5: Voracidade Global, e vocês deviam ver também

Lembram-se de Sharknado, aquele filme cuja premissa era uma tempestade tão forte que tinha tubarões a cair no meio da rua e a matar toda a gente? O tornado evoluiu de tal forma que deu origem a mais quatro filmes e é hoje, 11 de agosto, que estreia em Portugal a quinta parte da saga, no canal SyFy. Mas será que vale o nosso tempo?

 

Se estamos numa de dizer a verdade, eu confesso que sou fã destes filmes – não só de Sharknado, mas filmes idiotas cujo único propósito é serem tão maus que nos fazem rir. São estes enredos e atores tão maus que me fazem saber apreciar o que de bom se faz no cinema, enquanto dou umas gargalhadas valentes.

 

É uma comédia sem precisar de ter o Adam Sandler a fazer piadas porcas!

 

 

A primeira vez que assisti a Sharknado nem sabia o que dizer. Os tubarões voavam por todo o lado, as pessoas eram comidas mas não morriam, eram dados socos e pontapés como se não houvesse amanhã. Estava feito para ser mau, e eu estava a adorar! Os atores faziam um esforço enorme para ser credíveis, e estava a ser muito complicado.

 

Eu ri-me como não me ria há muito tempo. Bati no sofá, as lágrimas vieram-me aos olhos e eu só pensava que alguém tem de estar muito desesperado para fazer um filme assim.

 

Não devo ter sido a única, porque o conceito de Sharknado tornou-se de tal forma popular, que hoje é um fenómeno global. Já foram feitos 5 filmes, vistos por milhões e com estreias em todo o mundo. Os fãs adoram e seguem com afinco os caçadores de tubarões (ou de tornados?), e os atores são considerados verdadeiros heróis.

 

Por isso, quando um passatempo do SyFy dizia que havia convites para assistir à antestreia de Voracidade Global num cinema a sério, não hesitei. Eu tinha de ver isto no grande ecrã!

 

Vi. Voltei a rir e a chorar, e a pensar que sim, alguém tem de ter muito tempo livre para pensar em enredos assim. Mas que me diverti, diverti!

 

 

Até porque toda a gente naquela sala sabia o que ia ver, e sabia que ia gostar. O facto de ser um filme tão mau só fez com que estivessemos tão descontraídos que a sessão tornou-se tão ridícula quanto o filme. Foi ótimo dar gargalhadas e bater palmas às mortes de tubarões mais estúpidas da história, porque é impossível ficar indiferente.

 

A própria história dá voltas incríveis. Depois de anos a tentar acabar com os sharknados, os protagonistas Nova (Cassie Scerbo) e Fin (Ian Ziering) descobrem que afinal são uma ameaça pré-histórica, que os nossos antepassados conseguiram derrotar. Depois dessa descoberta, existem viagens vertiginosas num sharknado que começa em Londres, e inexplicavelmente (e sem qualquer respeito pela geografia) passa para a Suiça, Itália, Japão, Austrália e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, uma grande de quantidade de lixo tóxico faz com que o verdadeiro Tubarão-zilla surja no meio de Tóquio.

 

No meio de tudo isto (com se não fosse suficiente), existe uma Irmandade preparada para lutar contra sharknados, uma Olivia Newton-John especialista em robótica, e até uma rainha de Inglaterra com enchimento de lábios. O sentido em tudo isto? Não existe.

 

Mas é por isso que este tipo de filmes existe: para não fazer sentido. Existe um culto de filmes que não passam de meros peões de entretenimento, em que nem os atores são bons o suficiente para acharmos aquela ação credível. E não precisam de me dizer, porque eu sei que é ligeiramente degradante para uma arte que prima por ter outros filmes extraordinariamente bons, equilibrados e que deram muito trabalho a realizar.

 

 

Vistas bem as coisas, a saga Sharknado é aquele livro menos bom, a telenovela que passa no horário das 19h, ou  programa de fim de semana que vai às terrinhas com bandas pimba. A diferença entre eles é que Sharknado foi feito e pensado de propósito para ser assim. E tem orgulho nisso!

 

Não condeno, porque encontrar aquelas piadas, de tão más que são, tem de dar algum trabalho à equipa de produção. Também não condeno porque a verdade é que durante uma hora fico com a cabeça totalmente livre de tudo o que é problema, chatisse e aborrecimento. Se podia fazer isso com um filme decente? Claro que sim, mas e depois?

 

Tenho noção que não pagaria um bilhete de cinema normal para assistir a Sharknado 5. Mesmo assim, tenho a certeza que a experiência ainda ajudou a que fosse melhor.

 

Por isso, se querem dar umas gargalhadas e passar uma hora descontraída na sexta-feira à noite, sintonizem no SyFy. Vai valer a pena.

 

Nem que seja pelos vários convidados especiais, como Olivia Newton-John.

 

In a Heartbeat conquista, porque o amor não escolhe menino ou menina

Era uma vez um menino apaixonado. Este menino vivia infeliz, porque sempre que via o alvo do seu amor, o coração batia forte, mas tinha medo de se declarar. Um dia, quando o seu coração salta do peito e vai atrás da sua paixão, é obrigado a revelar os seus sentimentos.

 

Em traços gerais, esta é a história de In a Heartbeat, a curta metragem de animação que tem dado que falar nas últimas semanas. Criada por Beth David e Esteban Bravo, esta é uma história normal de paixão adolescente que tem sido alvo de elogios de todo o mundo. De tal ordem, que já foi indicado para prémios e festivais de cinema.

 

Mas também tem estado envolta em polémica. Porquê? Porque os protagonistas são dois jovens rapazes.

 

 

Há já algum tempo que ouvia falar de In a Heartbeat, mas ainda não tinha assistido à curta. Sabia do que se tratava, que tinha sido imensamente elogiada, mas só depois de ter lido uma notícia sobre a polémica que causou é que decidi tirar as teimas.

 

A curta são quatro minutos, sensivelmente, de puro amor e deleite. É uma história tão simples, tão bem contada, e tão bem desenhada que é impossível deixar alguém indiferente. É o amor na sua forma mais bonita, no momento em que ainda nem sabemos o que é, só que existe. E tecnicamente, está muito bem conseguida.

 

O que tem estado a chatear muita gente é que aquela sinopse que leram no primeiro parágrafo não é sobre um menino e uma menina, mas sim sobre dois meninos. Para mim, essa é uma das partes mais bonitas.

 

É claro que In a Heartbeat é elogiado porque é mesmo uma curta-metragem muito bem feita. Porém, conseguiu algo que ainda hoje, num mundo tão liberal e politicamente correto, é difícil fazer: mostrou que aquele amor puro e inocente não escolhe género.

 

Não sou fã do politicamente correto. Não gosto que escolham mulheres para certos papéis só porque há uma quota por cumprir, que elogiem filmes com negros só porque não podem ser racistas, e não gosto que seja tudo LGBT só porque é mau não ser.

 

No entanto, sei a importância da representação de cada uma destas realidades para que a mentalidade comece a mudar aos poucos e poucos. Sobretudo em coisas tão simples como esta.

 

A mentalidade é uma coisa dificil de mudar; são muitos anos a viver numa sociedade que acredita que certas coisas são erradas, demoníacas ou impróprias. Só que quando até uma curta-metragem tão bonita suscita irritação, sabemos que alguma coisa está errada.

 

O amor não escolhe mesmo se é menino ou menina. É ótimo que jovens criadores, como David e Bravo, mostrem às crianças que convivem com preconceitos que não têm de se sentir mal por serem diferentes.

 

Ideologias e crenças à parte, dói-me um pouco quando alguém acha mesmo que uma pedaço de arte como este pode ser mau para uma criança. Não veem que, talvez, uma outra fique feliz por perceber que há alguém como ela.

 

Eu gostei de In a Heartbeat pela sua simplicidade e forma tão bonita de explicar o amor. Não é só isso que importa?

 

Tirem as vossas conclusões no Youtube, onde a curta-metragem está disponível para todos verem. Usem e abusem desse link, e espalhem mais amor por esse mundo.

Era uma vez um John Hughes

Desde que me lembro que há um filme que marca as minhas férias de Natal. Pode não ser o melhor filme de sempre, o mais bem feito ou o mais engraçado, mas há um quê de nostalgia à sua volta. Falo, claro, de Sozinho em Casa.

 

Apesar de ter assitido pela primeira vez uns anos depois de ter saído, há magia nesta criação de John Hughes, bem como há em todo o seu legado. Na semana em que passam oito anos desde que perdemos um dos génios da comédia, é com um calor no coração que o recordo.

 

Atenção que não sou daquelas que viu todos os seus filmes, ou que vibrou com todos os seus argumentos. Na verdade, foram poucos aqueles a que assisti, e tenho a certeza de que foram os que assistiram em direto aos seus lançamentos que mais se ligaram a cada filme.

 

Principalmente porque alguns dos mais conhecidos filmes de Hughes passam-se na escola, com personagens que qualquer um de nós podia ser. E para todos os gostos.

 

Foram inúmeros os argumentos que sairam das suas mãos, e todos eles com um cunho especial que soube dar. Mas são dois deles que recordo com mais carinho.

 

 

O primeiro não podia ser outro que a minha recordação de Natal. Lembro-me de ver Sozinho em Casa com a minha irmã, sempre naquela quadra, e de pensar que devia ser mesmo fixe poder ter tanta liberdade dentro de casa. Comer pizza quando quisesse, ver televisão a toda a hora, não ter ninguém a chatear-me ou a dizer para ir para a cama... A liberdade de Kevin era aquela liberdade que todas as crianças queriam ter em dada altura da sua pequena existência.

 

Eu não fui diferente, e continuo a ver Sozinho em Casa com aquela pontada de nostalgia de como era bom ser criança, quando a única preocupação que tínhamos era querer não ir para a cama cedo.

 

O melhor de John Hughes, e o melhor que nos pôde dar, é esta sensação de que regressamos sempre a um lugar bom quando vemos os seus filmes. É um lugar familiar, querido e onde conseguimos, de alguma forma, encontrar um pouco de nós.

 

Aconteceu-me também a primeira vez que assisti a The Breakfast Club.

 

Não parecia nada de especial: miúdos na escola, presos numa sala porque estavam de castigo. Sem nada em comum uns com os outros além disso, sem nunca terem sequer pensado em tornar-se amigos. E eis que conseguem criar uma ligação tal que vai além das suas diferenças, das peculiaridades, dos indivíduos que cresceram para ser.

 

 

Não há nada mais simples. Não há nada mais cru. E mesmo assim, não há nada mais mágico.

 

Porque John Hughes era mestre em criar filmes de personagens. A trama vale por aquelas pessoas criadas na sua cabeça, e em que a câmara centra as suas atenções. São as personagens que falam connosco, não os ângulos de filmagem marados ou as cenas de ação muito bem filmadas.

 

Foi com as personagens que criou ao longo dos anos, e da forma como falavam connosco, que John Hughes conseguiu ser um dos poucos a criar filmes tão simples, mas tão marcantes. Foi também com essas personagens que nos fez olhar para nós, e para o nosso passado, com ar de quem está a regressar a um lugar seguro.

 

Eu encontrei-me entre aqueles jovens desarmados na sala do castigo. Encontrei-me nas suas diferenças, nas aspirações de cada um, e na forma como conseguiram juntar-se para criar algo bom. Não mudou a minha vida, mas pôs-me um sorriso na cara, e continua a pôr sempre que me lembro disso.

 

O Rei doz Gazeteiros (ou Ferris Bueller's Day Off) é outros dos clássicos acarinhados de Hughes. 

 

Às vezes, tenho saudades de um tempo em que um filme podia ter personagens tão fortes, e ser tão simples ao mesmo tempo. Sem artíficios, só bons diálogos e punchlines que nos fazem pensar, não em questões filosóficas, mas em nós.

 

O que John Hughes nos trazia era um pouco disso: personagens a quem olhar de frente, e com um quê de admiração. Seja porque decidiram não ir à escola, ou porque tiveram coragem de enfrentar os mauzões. São pessoas, como nós. São algo mais do que atores a interpretar numa tela gigante.

 

Somos nós.

A Sétima Arte já não vive só de filmes

Pensem bem: quantas vezes é que nos últimos anos ficaram presos a uma série de televisão? Quantos episódios é que viram, presos ao ecrã, ansiosos por saber a sua continuação, depois de 50 minutos de ação? Quantos minutos passaram em frente a um ecrã a papar episódios, em vez de assistir a um bom filme?

 

A tendência não é de agora. Nos últimos anos, assistimos a uma mudança de paradigma: a produção televisiva passou de algo mais degradante, para tão importante quanto o cinema.

 

Isto não apenas aos olhos do público, que passou a gostar cada vez mais de ver boas séries; também pra a indústria, que valoriza cada vez mais o trabalho das equipas. Os atores e realizadores de televisão deixaram de ser considerados inferiores para ganharem um estatuto importante, e é comum a simbiose entre as duas indústrias. Até nomes aclamados no mundo do cinema já partem para a televisão como se fosse o próximo filme vencedor de um Óscar.

 

Mas mais do que a perceção de que a televisão também é boa, o que mudou foram as produções. Com cada vez mais pessoas a querer assistir a séries desafiantes e interessantes (além das ocasionais e ótimas sitcoms, ou CSI da vida), os estúdios foram arriscando, foram criando coisas novas, foram trazendo para o pequeno ecrã enredos que, de outra forma, só veríamos em filme, ou leríamos num livro.

 

Estou a lembrar-me de séries pioneiras, como Perdidos ou Heroes, que ganharam uma legião de fãs enorme, ao mais recente boom que contou com American Gods, Walking Dead, Taboo, ou Guerra dos Tronos.

 

Será que a sétima arte deixou  então de ser apenas sobre Cinema?

 

Na verdade, sempre foi mais do que isso. Foi em Itália que surgiu pela primeira vez a divisão das artes por números, tendo em conta a forma como se manifestam. O Cinema passou a ser considerada a sétima por englobar em si uma forma diferente de demostrar todas as outras, e assim ficou.

 

Da mesma forma, o conceito de Cinema é muito mais lato: pode significar a arte de fazer filmes, que por sua vez são “sequências de imagens registadas em película através de uma câmara, que se projetam num ecrã, muitas vezes acompanhas de um fundo musical” (diz-me a Infopédia).

 

Então para mim, a Sétima Arte passou a ser muito mais do que isso. Hoje é uma mistura entre filmes e séries altamente bem produzidas, com enredos fantásticos. São os filmes que vemos no cinema, mas também os que empresas de streaming e companhia televisas optam por financiar sem chegar às salas. São as curtas que adoramos, os documentários que amamos, e tudo o que nos desperte emoção quando filmado com uma câmara.

 

E podem dizer que cada macaco deve estar no seu galho; que TV é TV, e Cinema é Cinema. É verdade, e uma produção cinematográfica nunca terá as mesmas condições que a produção de uma série. Mas arte é arte, e esta dos movimentos registados em película está a crescer e a desenvolver-se cada vez.

 

Isso é bom. Isso é mostrar que temos mais pessoas interessadas na cultura, na arte de fazer filmes e séries. E é injusto que a televisão seja apenas uma arte menor só porque não é vista num ecrã gigante.

 

Serei a única a pensar assim?

Baby Driver (2017): é bom viajar à velocidade da música

Sinopse: Baby (Ansel Elgort) é o melhor condutor para fugas de assaltos que Doc (Kevin Spacey) conhece. Confia na batida da sua música, e é ela que o guia. Mas quando conhece Debora (Lily James), a batida muda... e muda também a sua vontade de continuar a trabalhar para Doc. Só que o criminoso quer que ele faça um assalto que tem tudo para correr mal, e só a sua música o pode ajudar.

 

 

Se estão a pensar ir ver Baby Driver porque acham que é parecido com Need For Speed ou Velocidade Furiosa, não se deixem enganar pelo carro a alta velocidade – não tem nada a ver. Sim, temos fugas à polícia e muitos carros a patinar sobre o asfalto, mas as comparações acabam aí.

 

Para já, é um filme de Edgar Wright, e isso mostra-nos logo que não podia ser mais diferente. Significa que temos um pouco de comédia, um pouco de ação e fantasia q.b. todas misturadas para nos proporcionar bons momentos.

 

Desde que estreou que Baby Driver tem feito a delícia do público e da crítica, sobretudo porque é o primeiro filme de Wright depois de The World’s End, de 2013 (não estamos a contar com O Homem Formiga, que apesar de ter o seu cunho no argumento, não chegou a realizar). E é um regresso em cheio!

 

Logo a premissa parece absurda: um miúdo chamado Baby, que está sempre de fones e é um condutor exímio. É como se Wright estivesse a dar uma chapada de luva branca à juventude – lá porque estamos concentrados no nosso mundo, acham mesmo que não estamos atentos ao que temos à nossa volta?

 

Elza González e Jon Hamm são Darling e Buddy, e fazem parte da equipa de assaltantes de Doc.

 

Mas se há coisa que Wright faz bem é tornar algo absurdo num enredo que, de certa forma, até faz sentido. Baby tem os seus problemas, que vamos descobrindo aos poucos, com as pistas deixadas ao longo do filme para que hajam surpresas até ao fim. Baby também é um jovem como os outros, que se pode apaixonar e ter uma família que adora. Da mesma forma, até os criminosos com o coração mais duro podem ter uma história por detrás.

 

Só que Baby Driver é mais do que um enredo interessante; é um filme com uma montagem do caraças.

 

Wright é conhecido por ter uma edição e montagens muito rápidas, com mil coisas a acontecer no mesmo minuto, sem que percamos o fio à meada. Num filme em que o protagonista é um rapaz que conduz carros a alta velocidade, estão a imaginar que estas cenas não faltam. Mesmo as cenas de ação estão com uma precisão fantástica na forma como são filmadas, mostrando-nos detalhes e pormenores que nos deixam de boca aberta.

 

E o melhor melhor, e que todas estas cenas estão sincronizadas maravilhosamente com a música de Baby. A música é um dos protagonistas de Baby Driver; é ela que dá o ritmo a Baby, mas também à ação que estamos a ver. É incrível a forma como Wright conseguiu sincronizar cada estilo perfeitamente com a ação, com o diálogo dos atores, com os seus movimentos e trapézios.

Jamie Foxx é Bats, um crimonoso com muitas piadas.

 

Mais do que o trabalho de Wright, é um excelente trabalho da edição de som, que mexe com o volume, com o ritmo, com tudo o que podemos imaginar para que cada cena ganhe uma dimensão ainda maior.

 

Apesar de saber que Baby Driver estava a ser um sucesso, tinha receio de chegar ao cinema com as expectativas demasiado elevadas. Foi um medo desnecessário, porque é daqueles filmes que nos deixa a querer ainda mais; passamos ali duas horas, a usufruir de um belíssimo trabalho de cinema, e a rir e torcer por Baby.

 

Às voltas e voltas com uma banda sonora fantástica, viajamos por Baby Driver a uma velocidade estonteante, mas incrível. We’re all in, Baby.

 

****/2

Vejam o trailer de mother! A sério, vejam

Lembram-se de Cisne Negro, aquele belíssimo filme de 2010 que pôs toda a gente a falar sobre o Lago dos Cisnes (porque a maior parte não percebeu efetivamente o filme)? Aquele que tinha a Natalie Portman a beijar a Mila Kunis? O realizador está de volta, num filme em que também assina o argumento. Chama-se mother!, e tem um trailer do caraças!

 

 

Posso dizer caraças na net? Espero que sim, porque é mesmo muito fixe, e a única palavra que posso pensar para substituir esta é uma asneira feia.

 

Por norma, tenho sempre uma sensação estranha quando vejo um trailer novo. Por um lado, pode dizer-nos mais sobre o enredo e desenrolar da ação do que aquilo que queremos saber antes de ver o filme (um pequeno spoiler). Por outro, pode estar tão mal construído que não me dá vontade nenhuma para ver o filme, mesmo que tudo o resto pareça fixe.

 

Para mim, um trailer tem de ser interessante o suficiente para nos deixar com água na boca. Tem de levantar um pouco o véu daquilo que vamos ver, contar-nos a base da história e  mostrar-nos o seu ambiente.

 

Alguns destes trailers acabam por ser um corte e costura das cenas do filme, e pode até estragar-nos um pouco da surpresa.

 

Mas não este mother! Este mother! consegue dizer-nos quase tudo, sem na verdade não nos mostrar muita coisa.

 

A sinopse diz que trata da história de um casal cuja vida dá um volta quando recebem em sua casa um outro casal, estranho e misterioso. Jennifer Lawrence, Javier Barden, Ed Harris e Michelle Pfeiffer fazem as honras de protagonistas, neste que promete ser um dos mais esperados thrillers psicológicos deste ano.

 

Que é como quem diz, vai questionar-nos tanto quanto Cisne Negro, e levar-nos numa viagem pelo amor, por nós e pelo outro. Vai ficar dentro da nossa cabeça, ou então, vai deixar-nos tão confundidos que vamos sair da sala sem saber o que dizer.

 

Eu fui daquelas que viu Cisne Negro e encontrou uma genialidade fora do comum. A busca pela perfeição parecia tão humana, tão real, que me fez questionar se não seria mesmo algo totalmente fácil de acontecer. Somos um animal tão frágil, tão sedento de mais do que aquilo que temos...

 

mother! tem tudo para ser uma nova viagem pelo nosso subconsciente. E estou desejosa que chegue setembro.